quarta-feira, 30 de março de 2016

Gestão Democrático de Lauro Wittmann

http://pt.slideshare.net/guest0c0b6b/gesto-democrtica

http://lindomarjuara.blogspot.com.br/2011/01/gestao-democratica-da-escola-como_1909.html

http://www.ijui.com/artigos/46582-gestao-escolar-a-importancia-do-planejamento-participativo-para-uma-gestao-democratica.html

Gestão Escolar: A importância do Planejamento Participativo para uma Gestão Democrática

Ter, 02 de abril de 2013
Atualmente, os princípios democráticos e de participação dos cidadãos nas decisões que envolvam suas necessidades são recorrentes e percebidos nas mais diversas áre
RESUMO
Atualmente, os princípios democráticos e de participação dos cidadãos nas decisões que envolvam suas necessidades são recorrentes e percebidos nas mais diversas áreas.
No contexto da educação, principalmente através da elaboração do Planejamento Participativo, a gestão escolar se realiza de maneira democrática, objetivando atender às demandas sociais da comunidade na qual a escola está inserida, pois o processo educativo se dá ligado diretamente a esta contextualização social.
Assim, é preciso compreender conceitos relacionados ao tema e conceber a relevância de uma educação de qualidade para o desenvolvimento social. Através de pesquisa bibliográfica fundamentada em autores reconhecidos, além de análise de artigos disponibilizados através da internet, pretende-se abordar o tema do planejamento participativo como um aliado da gestão escolar de qualidade.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Composição dos Recursos do FUNDEB

Leia Também: file:///C:/Users/IFSP-SJC/Downloads/definicao_comp_caract_vigencia.pdf



Composição dos Recursos do FUNDEB

 http://qese.edunet.sp.gov.br/fundef/sugbapes/def.htm


IMPOSTOS
2007
2008
2009
ICMS
16,66%
18,33%
20%
FPM
16,66%
18,33%
20%
FPE
16,66%
18,33%
20%
IPI-EXP
16,66%
18,33%
20%
LC 87/96
16,66%
18,33%
20%
ITCMD
6,66%
13,33%
20%
IPVA
6,66%
13,33%
20%
ITR
6,66%
13,33%
20%
Outras Origens
Rendimentos financeiros das aplicações dos recursos do FUNDEB.
Complementação da União para os Estados que não atingirem o valor mínimo nacional por aluno.


Características Principais do FUNDEB
  • ABRANGÊNCIA: Toda a Educação Básica Pública.
  • VIGÊNCIA: 14 anos (2007 a 2020).
  • DISTRIBUIÇÃO: Com base no número de alunos da educação básica (Matriculados nos respectivos âmbitos de atuação prioritária) e constantes do último Censo Escolar.
  • EDUCAÇÃO BÁSICA: Creche + Pré-escola + Fundamental + Médio, inclusive Educação de Jovens e Adultos.
  • REPASSES: Automáticos, via Banco do Brasil.


    Distribuição dos Recursos do FUNDEB
    (Base: número de alunos matriculados, constantes do último Censo Escolar).
    Ensino Fundamental Regular e Especial
    • Todos os alunos, a partir de 2007.
    Educação Infantil, Ensino Médio e EJA
    • 1/3 dos alunos em 2007
    • 2/3 dos alunos em 2008
    • 3/3 dos alunos de 2009, em diante.
    Entidades Conveniadas
    • 2/3 dos alunos em 2008
    • 3/3 dos alunos em 2009, em diante (sendo pré até 2011)

Utilização dos Recursos do FUNDEB

  
Totalidade

  • 100% na Educação Básica (Observada a responsabilidade de atuação de cada entidade governamental).
Mínimo
  • 60% na Remuneração dos Profissionais do Magistério em efetivo exercício na Educação Básica.
Máximo
  • 40% em outras ações de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE).
VIDE ARTIGOS 70 E 71 DA LDB (Lei nº 9.394/96).

 


Conselho do FUNDEB (Estaduais e Municipais)

   

ATRIBUIÇÃO


 - Exercer o acompanhamento e o controle social sobre a distribuição, transferência e aplicação dos recursos.
 - Supervisionar o censo escolar anual e a elaboração da proposta orçamentária.
 - Elaborar parecer para instruir a prestação de contas.
 - Acompanhar a aplicação dos recursos federais transferidos às contas do Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar – PNATE e do Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos (recebendo e analisando, ainda, as prestações de contas e formulando pareceres conclusivos a respeito da aplicação desses recursos e encaminhando-os ao FNDE).
 - Acompanhar os convênios com as instituições comunitárias, filantrópicas ou confessionais, que sejam beneficiadas por recursos do FUNDEB, podendo requisitar documentos a eles pertinentes.
INDICAÇÃO: Até 20 dias antes do término do mandato dos anteriores.
  • Pelos dirigentes dos órgãos públicos e das entidades com representação.
  • Pelas entidades organizadas de representação de professores, diretores, servidores, pais de alunos e estudantes.
NOMEAÇÃO: Ato do Poder Executivo local.
FISCALIZAÇÃO E CONTROLE
ORGÃOS DO CONTROLE INTERNO:


Fiscalização e controle do total de recursos do fundo, junto aos respectivos entes governamentais.

TRIBUNAIS DE CONTAS: Fiscalização e controle.

MINISTÉRIO PÚBLICO: Defesa da ordem jurídica.

MEC: Apoio técnico, capacitação, orientação, estudos técnicos, monitoração e avaliação de resultados.

 


Conselho do FUNDEB (Estaduais e Municipais)

   

ATRIBUIÇÃO


 - Exercer o acompanhamento e o controle social sobre a distribuição, transferência e aplicação dos recursos.
 - Supervisionar o censo escolar anual e a elaboração da proposta orçamentária.
 - Elaborar parecer para instruir a prestação de contas.
 - Acompanhar a aplicação dos recursos federais transferidos às contas do Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar – PNATE e do Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos (recebendo e analisando, ainda, as prestações de contas e formulando pareceres conclusivos a respeito da aplicação desses recursos e encaminhando-os ao FNDE).
 - Acompanhar os convênios com as instituições comunitárias, filantrópicas ou confessionais, que sejam beneficiadas por recursos do FUNDEB, podendo requisitar documentos a eles pertinentes.
INDICAÇÃO: Até 20 dias antes do término do mandato dos anteriores.
  • Pelos dirigentes dos órgãos públicos e das entidades com representação.
  • Pelas entidades organizadas de representação de professores, diretores, servidores, pais de alunos e estudantes.
NOMEAÇÃO: Ato do Poder Executivo local.
FISCALIZAÇÃO E CONTROLE
ORGÃOS DO CONTROLE INTERNO:


Fiscalização e controle do total de recursos do fundo, junto aos respectivos entes governamentais.

TRIBUNAIS DE CONTAS: Fiscalização e controle.

MINISTÉRIO PÚBLICO: Defesa da ordem jurídica.

MEC: Apoio técnico, capacitação, orientação, estudos técnicos, monitoração e avaliação de resultados.

 


Conselho do FUNDEB (Estaduais e Municipais)

   

ATRIBUIÇÃO


 - Exercer o acompanhamento e o controle social sobre a distribuição, transferência e aplicação dos recursos.
 - Supervisionar o censo escolar anual e a elaboração da proposta orçamentária.
 - Elaborar parecer para instruir a prestação de contas.
 - Acompanhar a aplicação dos recursos federais transferidos às contas do Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar – PNATE e do Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos (recebendo e analisando, ainda, as prestações de contas e formulando pareceres conclusivos a respeito da aplicação desses recursos e encaminhando-os ao FNDE).
 - Acompanhar os convênios com as instituições comunitárias, filantrópicas ou confessionais, que sejam beneficiadas por recursos do FUNDEB, podendo requisitar documentos a eles pertinentes.
INDICAÇÃO: Até 20 dias antes do término do mandato dos anteriores.
  • Pelos dirigentes dos órgãos públicos e das entidades com representação.
  • Pelas entidades organizadas de representação de professores, diretores, servidores, pais de alunos e estudantes.
NOMEAÇÃO: Ato do Poder Executivo local.
FISCALIZAÇÃO E CONTROLE
ORGÃOS DO CONTROLE INTERNO:


Fiscalização e controle do total de recursos do fundo, junto aos respectivos entes governamentais.

TRIBUNAIS DE CONTAS: Fiscalização e controle.

MINISTÉRIO PÚBLICO: Defesa da ordem jurídica.

MEC: Apoio técnico, capacitação, orientação, estudos técnicos, monitoração e avaliação de resultados.

 



Aprovação do PNE

Artigo por Colunista Portal - Educação - quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
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A melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis é uma meta
A melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis é uma meta
É fundamental aos profissionais da educação que se inteirem do embasamento legal, da legislação vigente que embasa a educação e o fazer pedagógico, para que as atitudes tomadas sejam respaldadas pela lei.

Para que este profissional se torne conhecedor dos propósitos, meios e fins nos quais fundamentam determinada ação. No caso do Projeto Político Pedagógico, a relevância consiste em ter consciência que este é um Projeto previsto em Lei desde 2001, com o PNE (Plano Nacional de Educação).

Em síntese, o Plano tem como objetivos:
• A elevação global do nível de escolaridade da população;

• A melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis;

• A redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência, com sucesso, na educação pública e;

• Democratização da gestão do ensino público, nos estabelecimentos oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolares em conselhos escolares ou equivalentes.

Em seus objetivos e metas o PNE estabelece ênfase no Projeto Político Pedagógico da escola. Com as próprias expressões da organização educativa da unidade escolar surgem os conselhos escolares, que deverão orientar-se pelo princípio democrático da participação.

A gestão da educação e a cobrança de resultados, tanto das metas como dos objetivos propostos neste plano, envolverão comunidade, alunos, pais, professores e demais trabalhadores da educação.

Este mesmo Plano ainda tem como meta assegurar que, em três anos, todas as escolas tenham formulado seus projetos pedagógicos, com observância das Diretrizes Curriculares para o ensino fundamental e dos Parâmetros Curriculares Nacionais. E, promover a participação da comunidade na gestão das escolas, universalizando, em dois anos, a instituição de conselhos escolares ou órgãos equivalentes.



Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado 
http://www.portaleducacao.com.br/educacao/artigos/32446/pne-plano-nacional-de-educacao-aprovado-pela-lei-n-10172-2001#ixzz3yT3IJqTM


Leia Também:

http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001324/132452porb.pdf

Ampliação legal da obrigatoriedade - EC 59/2009

http://www.campanhaeducacao.org.br/?pg=Entrevistas&id=5

Rogério Marinho e Vital Didonet - Obrigatoriedade do ensino médio e da pré-escola
26/11/2009
Emenda Constitucional 59/2009 amplia ensino obrigatório de 6 a 14 para 4 a 17 anos de idade
Com a promulgação da EM (Emenda Constitucional) nº 59/2009, feita pelo Congresso Nacional no último dia 11 de novembro, a educação passa a ser obrigatória a partir dos 4 anos de idade. Antes a compulsoriedade dava-se apenas no ensino fundamental (6 aos 14 anos de idade), agora ela está estendida até os 17 anos. Contudo, a nova determinação cinde a educação infantil, pois passa a abarcar a pré-escola, mas não inclui a creche. Veja o que pensam o relator da PEC que deu origem à EC 59/2009, deputado Rogério Marinho (PSB-RN), e o coordenador da Rede Nacional Primeira Infância, Vital Didonet.

Em linhas gerais, a mudança é positiva ou negativa para a garantia do direito à educação? Por quê?

Rogério Marinho - “Em essência a mudança é positiva tanto para a garantia do direito à educação, quanto para colaborar para melhorar a qualidade do desempenho escolar futuro, no ensino fundamental. Para a garantia do direito à educação se permitirá que as 27,2% de crianças de 4 a 5 anos de idade tenham a vaga na pré-escola. Hoje, mais de 1,5 milhão crianças nesta faixa etária demandam e não encontram as vagas para o seu ensino, causando inúmeros transtornos para as suas famílias e comprometendo o seu futuro.

Cabe ressaltar que são justamente essas crianças as mais pobres do país, aquelas que mais precisam do sistema escolar, pois vivem em lares influenciados por diversos fatores de risco. Entre os países membros da OCDE a matrícula para as crianças de pré-escola é universal. Inúmeros estudos empíricos e de longa duração associam a oportunidade do acesso à pré-escola ao bom desempenho em línguas e matemática no ensino fundamental. Do ponto de vista científico, a infância é um período do desenvolvimento de intensa atividade cognitiva e de aprendizado, este fato não pode ser simplesmente deixado de lado.

O acesso à pré-escola melhora sensivelmente a alfabetização e proficiência dos alunos no primeiro ano do ensino fundamental, diminuindo a evasão, repetência e abandono. Lembro que com a reapropiação da DRU (Desvinculação das Receitas da União), apresentamos o gradualismo desta universalização como uma sinalização de que estes novos recursos serão aplicados na educação básica sem perder de vista a necessidade de termos qualidade e equidade.”

Vital Didonet – “É um reforço. A forma como a obrigatoriedade entra no texto constitucional dá margem à interpretação de que toda a faixa obrigatória da educação básica passou a ser ‘direito público subjetivo’. Pois a expressão ‘ensino fundamental’ do texto anterior (inciso I do art. 208), foi substituída por ‘educação básica obrigatória’. E é ao inciso I que os §§ 1 e 2 do art. 208, que tratam do direito público subjetivo, se referem. O negativo da medida está na inversão do princípio do direito pelo da obrigação. Estamos reconhecendo que não basta ter direito, como não foi suficiente que o Estado estivesse obrigado, desde 1988, a atendê-lo. O legislador entendeu que era preciso obrigar as crianças. Em relação ao Estado , não mudou nada.

Ora, quem está falhando é o Estado, que não atende a demanda. Nas creches e pré-escolas há listas de crianças esperando uma chance de ser matriculadas. Em muitos casos o Ministério Público tem que intervir e fazer um Termo de Ajuste para assegurar que crianças que mais necessitem sejam atendidas. Se o Poder Público alocar recursos financeiros para oferecer educação infantil de qualidade, a freqüência à pré-escola pode chegar à universalização. Pois até com tanta restrição na oferta, ela alcança hoje o patamar de 76% da população na faixa etária correspondente. O Fundef (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental) ensinou uma lição: desde 1971, (com a Lei 5.692) o ensino fundamental de oito anos é obrigatório para as crianças, mas só alcançou patamar próximo da universalização quando o Fundef criou um mecanismo que estimulou a oferta. Quer dizer, o que garante a universalização não é a obrigação, mas a oferta.

O que foi válido para o ensino fundamental seria muito mais para a pré-escola: qual a criança que não gosta de brincar e aprender brincando, de interagir com companheiros da mesma idade e sentir-se valorizada num grupo? Espero que ver-se obrigada a ir para esse espaço lúdico de aprendizagem não anuvie a expectativa das crianças, nem induza os responsáveis pela oferta da educação infantil a esquecerem que ela tem que ser atrativa pela sua beleza e pelo prazer que as crianças devem sentir em viver essa experiência.”

Estima-se que a mudança deve inserir cerca de 4 milhões de estudantes a mais nas redes públicas. Como estados e municípios se adaptarão à nova norma?
Vital Didonet – “Cabe aos municípios e aos estados resolver esse problema, pois a pré-escola é atribuição prioritária deles. Se eles silenciaram quando a obrigatoriedade era apenas uma emenda na PEC da DRU, ou estiveram de acordo com ela, devem ter feito os cálculos de quanto o aumento da demanda, agora compulsória, vai exigir de seus cofres. Se antes o dever do Estado pôde ser escamoteado, agora será mais difícil, pois a exigibilidade do direito por parte da família vai mobilizar mais fortemente o Ministério Público.

A possível saída está na determinação, também inserida na EC 59/2009, de que os recursos sejam destinados prioritariamente à faixa obrigatória da educação básica. Mas esse é o lado perverso da medida: exclui a creche, que atende a faixa mais necessitada e mais decisiva para a formação das estruturas mentais e de aprendizagem da pessoa. No entanto, como o mecanismo do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) não foi mexido pela EC 59, está garantido o valor aluno/ano estabelecido segundo o critério definido na lei de regulamentação do Fundo para cada matrícula, obrigatória ou não.

Minha estimativa da demanda não atendida de 4 e 5 anos é de 1 milhão de crianças. A população nessas duas idades é de 5.765.000 (IBGE/PNAD 2008) e as matrículas na pré-escola somam 4.967.000 (INEP/Censo Escola r 2008). Descontando as que têm mais de 5 anos na pré-escola, teríamos em torno de 1 milhão fora da escola. Seria necessário construir dez mil pré-escolas. Se aplicarmos a estimativa do MEC, no Proinfância, o orçamento para cumprir a meta de atender a toda a demanda de 4 e 5 anos, será de dez bilhões de reais, só em construção. A manutenção dobra esse valor. Temos que apelar para o Fundo Social do Pré-sal.”

Rogério Marinho – “Os estados e municípios terão até 2016 para essa implantação, com apoio técnico e financeiro da União. Na elaboração do substitutivo tivemos o cuidado de alterar o Parágrafo 4 do art. 211 da CF, permitindo o aporte de recursos da União diretamente para os entes federados, sem a necessidade de interviniência de fundos setoriais. Ainda alteramos o caput do artigo 214, fortalecendo o PNE e remetendo para a sua competência a definição de prazos, intensidade e financiamento para esta universalização.”

Qual deve ser o papel da União junto aos estados e aos municípios, que estarão fortemente pressionados a atender esta ampliação de matrículas?
Rogério Marinho – “A União, constitucionalmente, já tem uma função complementar no sistema educacional, na etapa da educação básica. Em colaboração com estados e municípios é dever da União combater as desigualdades do financiamento, levando em conta a capacidade financeira dos entes federados. Tem, ainda, a função de orientar tecnicamente e avaliar os diversos sistemas de ensino do país e participa na complementação dos recursos do Fundeb, que contempla com financiamento toda a educação básica.

Como relatei na pergunta anterior, a União terá a obrigação de junto com os estados e municípios realizar a universalização determinada pela lei, de forma gradual, com apoio financeiro e técnico nos termos do novo PNE que será discutido e votado pelo Congresso em 2010 com vigência a partir de 2011.”

Vital Didonet – “Como a iniciativa da emenda constitucional da obrigatoriedade foi do governo federal, esse é que terá que dar as mãos aos municípios e aos estados para que eles tenham condição de cumprir o que já era dever, agora revestido de compulsoriedade para a população. Torço para que tenha sido deliberadamente criado um fato jurídico para gerar um fato administrativo: mais recursos para a educação, muito além da recuperação dos valores capturados pela DRU (que, aliás, já vinham, em parte, sendo ressarcidos indiretamente).”

A EC 59/2009 não determina que os recursos recuperados pela educação com o fim da DRU devem ser transferidos a estados e municípios. Qual é a chance de uma próxima gestão presidencial realizar o repasse necessário?

Vital Didonet – “Poderia haver um gesto político do governo federal em repassar aos sistemas de ensino dos estados, do Distrito Federal e dos municípios todos os recursos que o fim da DRU na educação vai gerar. Tal medida estaria coerente com o argumento do relatório da PEC 277/2008 (que deu origem à EC 59) de que a educação básica deveria ter mais recursos porque a faixa de obrigatoriedade estava sendo aumentada em cinco anos (dos 4 a 17). Ora, como a União não tem responsabilidade direta pelas matrículas na educação básica (tirando as escolas técnicas federais e um atendimento residual no ensino regular), o ônus da nova faixa obrigatória é dos sistemas de ensino dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Pela lógica da argumentação, é a eles que os recursos liberados pela isenção da DRU na educação devem ir.”

Rogério Marinho – “Esse debate vai se estabelecer na discussão do novo PNE. A alteração do artigo 214 transformará a política de educação de nosso país. O PNE definirá as metas a serem atingidas e a metodologia a ser aplicada. Certamente um Governo comprometido com o alcance da qualidade da educação sabe que é necessário repensar o financiamento do sistema educacional no Brasil, procurando cumprir o preceito da igualdade de oportunidades e equidade do acesso ao sistema. Além do mais, é preciso aumentar, paulatinamente, a participação da União no financiamento da educação básica, que é o pilar do desenvolvimento.

Acredito e desejo que os novos investimentos provindos do fim da DRU sejam concentrados na educação básica, com ênfase na educação infantil, nas primeiras séries do fundamental e na diversificação do ensino médio. É preciso advertir que não basta aumentar os recursos, eles precisam ser bem aplicados e gerar resultados positivos para as crianças, jovens e suas famílias.”

Você entende que as creches serão prejudicadas pela EC 59/2009? Por quê?
Rogério Marinho - “Não, em hipótese alguma. Pelo contrário, a universalização da pré-escola não prejudica nenhuma outra modalidade de ensino. Devemos encarar a obrigatoriedade da matrícula das crianças de 4 a 5 anos de idade como a permissão de um acesso antes negado pela falta de vagas. Mais de 70% das crianças de 4 a 5 anos, hoje, já estão no sistema de ensino. A Lei vem apenas a referendar uma situação e garantir o direito dos mais pobres à pré-escola.

A educação infantil de crianças de 0 a 3 anos deve ser incentivada, mas nunca obrigada, a família tem o direito de cuidar de seus filhos até os 4 anos. Não há legislações internacionais relevantes em educação que obrigue a matrícula antes dos 4 anos. Entretanto, as creches são fundamentais para muitas famílias que não têm onde deixar os seus filhos. Deve haver creches de qualidade para elas.

Em paralelo, a nação deve se esforçar economicamente para estender a licença maternidade. Devemos lembrar que faltam serviços educacionais para a primeira infância no Brasil. Falta o fortalecimento da família brasileira. Falta combater a pobreza e os fatores de risco que fazem o fracasso de muitas crianças e jovens no país. É preciso distribuir oportunidades educacionais e a primeira infância é uma etapa crucial do desenvolvimento.”

Vital Didonet – “Serão prejudicadas, fortemente, em dois sentidos. Primeiro porque os recursos públicos deverão ser aplicados prioritariamente na faixa obrigatória (é o que determina o novo § 3º do art. 212 - EC 59). Dos dezessete anos de educação básica, apenas os três primeiros ficaram fora. Os mais sensíveis, frágeis e vulneráveis e, ao mesmo tempo, os mais decisivos. Os que historicamente foram relegados ao assistencialismo, aos cuidados de qualquer jeito, entregues às famílias, às comunidades, às mães crecheiras, à iniciativa filantrópica. A pré-escola passou a ser a ‘parte nobre’ e a creche, a ‘parte pobre’ da educação infantil. Sem recursos, a creche poderá retroceder a soluções emergenciais, de baixo custo. O valor aluno ano do Fundeb da creche não garante competição com o da pré-escola, muito menos quando se trata de creche de tempo integral. Mais ganha quem abre duas vagas de pré-escola do que uma de creche de tempo integral.

A segunda razão do prejuízo para a creche é conceitual. O esforço que se vem fazendo, desde a Constituição Federal de 1988, passando pela LDB, pelo Plano Nacional de Educação e pelas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil, de integrar cuidado e educação, creche e pré-escola, num conceito único de educação infantil de 0 a 6 anos, entra numa zona de risco. Temos que reconhecer que a creche ainda não empolgou os sistemas de ensino. Ainda é vista por grande parte deles como faixa marginal, mais como uma necessidade das mães trabalhadoras do que pela relevância de sua proposta educacional na formação das estruturas cognitivas, sociais e afetivas da criança que dão base às aprendizagens subseqüentes. Os que atuaram no movimento Fundeb pra Valer! sabem quanto foi necessário argumentar para reincluir a creche no Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica. Ou seja, entendê-la como parte da educação básica, a base da base.

Há uma grande tarefa para os gestores educacionais e professores de educação infantil: já que a pré-escola ‘agora vai’, porque as crianças estão obrigadas a freqüentá-la e porque ela terá recursos financeiros, é hora de investir inteligência e coração para que as crianças de 0 a 3 anos continuem tendo seu direito à educação assegurado pelo Estado.”

Bernardete Gatti, pedagoga e pesquisadora, diz que é preciso repensarmos - com consequências práticas - a formação dos professores| Revista Educação

Bernardete Gatti, pedagoga e pesquisadora, diz que é preciso repensarmos - com consequências práticas - a formação dos professores| Revista Educação

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O que é um quadrado mágico?

O que é um quadrado mágico?
Um quadrado mágico de ordem n é uma tabela com n linhas e n colunas, preenchida com
números inteiros, de forma que a soma dos n números de cada linha, coluna ou diagonal seja
sempre o mesmo número. A este número dá-se o nome de constante mágica.
O quadrado apresentado é um quadrado mágico de ordem 3 com constante mágica 33. Terá a
constante mágica algum significado especial? Qual?
No século XVI a Europa já conhecia os quadrados mágicos. Muitos acreditavam que eles eram
amuletos que protegiam as pessoas dos perigos da era das trevas. E foi em 1514 Dürer
produziu seu quadro Melancholia contendo o quadrado destacado abaixo onde a data 1514
esta explicita na última linha.
Os quadrados mágicos constituem, desde épocas remotas, um desafio que fascina a todos.
Acredita-se que os chineses foram os primeiros a descobrir as propriedades dos quadrados
mágicos e provavelmente foram também os seus inventores. A história destes quadrados pode
encontrar-se no livro chinês Yih King, escrito há cerca de 3000 anos: conta a lenda que,
enquanto meditava nas margens do Rio Lo, o imperador da antiga China, chamado Yu (2800 A.
C.), da dinastia Hsia, viu emergir uma tartaruga - considerado um animal sagrado - com
estranhas marcas no casco.
A tartaruga sagrada e o Lo Shu
Yu percebeu que as marcas na forma de nós, feitos num tipo de barbante, podiam ser
transformadas em números e que todos eles somavam quinze em todas as direcções, como se
fossem algarismos mágicos.
Quadrado mágico Lo Shu
A este quadrado chamaram "Lo-shu" e é considerado o mais antigo dos quadrados mágicos.
Foi usado no Oriente para praticar magia e, na Europa, para trazer boa sorte e afastar doenças.
Os números pares simbolizavam o princípio feminino, o Yin; os números ímpares simbolizavam
o princípio masculino, o Yang; o numero 5 representava a Terra e à sua volta estão distribuídos
os quatro elementos principais: a água 1 e 6, o fogo 2 e 7, a madeira 3 e 8 e os metais 4 e 9.
Os quadrados mágicos chegaram ao ocidente através dos árabes, que os conheceram por
influência da cultura hindu.
Na Idade Média os quadrados mágicos eram gravados em lâminas de prata como amuleto da
peste negra. Na China e na Índia, há quem use tais quadrados gravados em metal ou pedra,
como amuletos ou talismãs.
Estes quadrados mágicos despertaram também interesse em alguns matemáticos, pelos
problemas difíceis que originaram, em relação à construção, classificação e enumeração dos
quadrados de uma dada ordem. Bernard Frénicle de Bessy (1602-1675), Claude-Gaspar
Bachet (1581-1638), Pierre de Fermat (1601-1665) e Leonhard Euler (1707-1783) estudaram
quadrados mágicos e cubos mágicos.
Os chamados Quadrados Mágicos consistem em uma matriz numérica quadrada em que as
somas das linhas, das colunas e das duas diagonais principais são as mesmas.
Por exemplo o Quadrado Mágico 3 x 3, é formado pelos nove dígitos: 1,2,3,4,5,6,7,8,9
dispostos em três linhas e três colunas. Se os dígitos forem colocados aleatoriamente na matriz,
o tempo necessário para a formação destas matrizes especiais era calculado em 40 dias de
trabalho ininterrupto para a conclusão da tarefa. Com o advento dos Computadores, esta
afirmação não tem mais sentido. De qualquer forma parece natural que os primeiros
interessados em resolver este problema tenham procurado soluções menos demoradas, como
ocorre em todo o processo científico.
No procedimento aleatório o cálculo das possibilidades nos fornece o seguinte valor: 9!
(factorial de nove), isto é, 9x8x7x6x5x4x3x2x1=362.880 possibilidades de colocação dos
dígitos na matriz.
A seguir apresentam-se quadrados de ordem 4, 5 e 6.
1 12 7 14
8 13 2 11
10 3 16 5
15 6 8 4
17 24 1 8 15
23 5 7 14 16
4 6 13 20 22
10 12 19 21 3
11 18 25 2 9
1 34 33 32 9 2
29 11 18 20 25 8
30 22 23 13 16 7
6 17 12 26 19 31
10 24 21 15 14 27
35 3 4 5 28 36
Quadrado de
ordem 1
Quadrado de ordem 2 Quadrado de ordem 3

Bullying - informações básicas

Bullying - informações básicas

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Bullying é um termo de origem inglesa e sem tradução ainda no Brasil. É utilizado para qualificar comportamentos agressivos no âmbito escolar, praticados tanto por meninos quanto por meninas.

Além de um possível isolamento ou queda do rendimento, estudantes que passam por humilhações preconceituosas ou difamatórias podem apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade.
Em alguns casos extremos, o bullying chega a afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio.
Abaixo, você encontra alguns esclarecimentos para dúvidas relativas ao tema.

O que é Bullying?
  • é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas
  • tais comportamentos não apresentam motivações específicas ou justificáveis
  • os mais fortes utilizam os mais frágeis como meros objetos de diversão.

Elementos do Bullying:
  • intenção do autor em ferir o alvo
  • repetição da agressão
  • presença de um público espectador
  • concordância do alvo com relação à ofensa.

Formas de Bullying:
  • verbal (insultar, ofender, falar mal, colocar apelidos pejorativos, “zoar”)
  • física e material (bater, empurrar, beliscar, roubar, furtar ou destruir pertences da vítima)
  • psicológica e moral (humilhar, excluir, discriminar, chantagear, intimidar, difamar)
  • sexual (abusar, violentar, assediar, insinuar)
  • virtual ou Cyberbullying (bullying realizado por meio de ferramentas tecnológicas: celulares, filmadoras, internet etc.).

O que não é Bullying?
  • discussões ou brigas pontuais não são bullying
  • conflitos entre professor e aluno também não são considerados bullying (que é uma violência que só ocorre entre pares).

O autor:
  • quer ser mais popular
  • quer se sentir poderoso e obter uma boa imagem de si mesmo.

O alvo:
  • costuma ser uma pessoa com baixa autoestima e retraída tanto na escola quanto em casa
  • costuma apresentar particularidades físicas, ou se diferenciar da maioria no aspecto cultural, étnico e religioso.

O espectador:
  • é um personagem fundamental no bullying
  • pode ser omisso, ou atuar como plateia ativa ou torcida, reforçando a agressão.

Conseqüências: 
  • o aluno que sofre bullying, principalmente quando não pede ajuda, enfrenta medo e vergonha de ir à escola
  • pode querer abandonar os estudos, não se achar bom para integrar o grupo e apresentar baixo rendimento
  • aqueles que conseguem reagir podem alternar momentos de ansiedade e agressividade
  • para tentar se impor, podem escolher outras pessoas mais indefesas e passam a provocá-las, tornando-se alvo e agressor ao mesmo tempo.

O que os educadores podem fazer? 
  • mostrar aos envolvidos que a escola não tolera determinado tipo de conduta e por quê
  • conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões
  • estimular os estudantes a informar os casos de bullying
  • reconhecer e valorizar as atitudes dos alunos no combate ao problema
  • criar com os estudantes regras de disciplina para a classe
  • estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos
  • interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica do bullying.

Adaptado de:

Revista Nova Escola – “Tudo sobre bullying

Conselho Nacional de Justiça – Cartilha “Bullying” do Programa Justiça Nas Escolas

Autor: Daniel Silva dos Santos - COE

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O que um Matemático faz?

O que um Matemático faz?

Se você é bom com números e gosta de fazer contas o curso de matemática é uma excelente opção.
Ao contrário do que muitos pensam quem cursa matemática além da opção de se tornar professor,  tem possibilidade de atuar em diversas áreas, tudo depende do tipo de graduação.
O profissional pode atuar em universidades e centros de pesquisa, desenvolvendo novos modelos matemáticos, ou em empresas, com a criação de métodos numéricos e análise de dados do mercado financeiro.
Há dois caminhos básicos para se seguir no curso: Licenciatura ou Bacharelado.
Licenciatura prepara professores para atuar nos níveis médio e fundamental.
O Licenciado também tem a opção de trabalhar como professor de ensino superior, para isto, o interessado deve fazer cursos de pós-graduação. Se aprofundando ainda mais no assunto, pode se tornar pesquisador.
Bacharéis podem trabalhar em empresas com atuações especificas, algumas universidades dão curso de bacharelado em matemática com ênfase em assuntos específicos. Matemática aplicada a negócios, métodos matemáticos, matemática aplicada e computacional com habilitação em estatística econômica, saúde pública, comunicação científica, entre outros.
Já os Bacharéis que têm mestrado, doutorado e pós-doutorado, podem trabalhar em universidades no ensino e pesquisa.
Segundo matemático Andrew Woods, a graduação em matemática é muito abrangente e, por isso, dá uma boa base para qualquer tipo de emprego que requer um raciocínio quantitativo. “A matemática abre muitas portas para o jovem como profissional”, ressalta.
Mercado de trabalho
O maior mercado é o da docência, para os licenciados que irão atuar na educação básica, porém o bacharel não fica muito atrás, por ser um profissional versátil que pode trabalhar em diversas áreas, como é o caso da engenharia, bioquímica, economia, estudo do clima, biologia, marketing, sociologia e logística, por exemplo, e considerando que não há tantos matemáticos no mercado, é uma carreira na qual é fácil o profissional encontrar emprego, tudo depende da sua capacidade de raciocínio analítico e vocação.

Salários iniciais

Na rede pública de ensino os salários iniciais variam de R$ 980 para 20 horas semanais, Até R$ 1,8 mil para 40 horas semanais. Já em escolas particulares, no Ensino Médio, os salários variam de R$ 1 mil a R$ 3,6 mil. No ensino superior, em universidades federais, os salários iniciais para professores-pesquisadores com doutorado, podem chegar a R$ 10 mil. No IMPA, o salário inicial para pesquisador com doutorado é de mais ou menos R$ 11 mil. Atuando em empresas conforme a área, os salários variam de R$ 4 mil a R$ 10 mil mensais.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO DA PRÁTICA EDUCATIVA

Danilo Gandin

O PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO DA PRÁTICA EDUCATIVA


É fundamental pensar o planejamento como uma ferramenta para dar mais eficiência à ação humana.

Daí decorre que as pessoas, no dia-a-dia:
1. não descobrem com clareza quais são os problemas;
2. não constroem conjuntos de idéias;
3. não conseguem fazer uma avaliação de sua prática;
4. não conseguem propor mudanças na realidade ou na prática;

Planejar é, sempre, buscar a transformação da realidade. É, sempre, propor ações, atitudes, regras e rotinas que possam levar à satisfação de necessidades, planejamento que muda para transformar.

Há níveis diferentes de planejamento porque há diferença nas ações humanas.

Os Passos para uma Prática Lúcida.
Todo o fazer humano está ligado a ser um conjunto de ações, rotinas, regras e atitudes para transformar ideias em realidades.
Não pode haver idéias transformadas em processos se não houver ideias. É um terrível engano, mais comum do que parece, a prática de partir do problema para o processo. Existem até correntes de planejamento que se basearam (não tão grosseiramente, é verdade) nesta relação direta problema-processo. Nada se consegue, evidentemente, desta maneira; os resultados podem ser desastrosos. A organização de idéias é, nas circunstâncias atuais, uma das necessidades mais importantes.
Na escola esse diagnóstico equivale a uma análise de todos os processos em andamento a fim de verificar até que ponto eles são adequados para realizar as idéias que constaram no projeto pedagógico. Talvez este seja o nó da questão: se o projeto pedagógico tem a idéia de escola democrática, de ligação da escola com a realidade (são apenas exemplos), ela precisa analisar com atenção e rigor até que pontos os processos (ações, atitudes, regras e rotinas) estão construindo democracia, até que pontos conteúdos escolares brotam da realidade e levam a compreendê-la. É essencial esta compreensão dos processos existentes para poder descobrir necessidades de novos processos e de correção dos que podem ser mantidos, mas precisam de mudanças.
Se fosse possível transformar idéias em processos e fazer isto com utilidade sem depender dos passos anteriores, poderíamos ter uma economia de tempo, de trabalho e, até, de recursos.
Os processos, muitas vezes, são predeterminados. Funcionam, por exemplo, na medicina: quando o diagnóstico, feito a partir de idéias que sustentam uma teoria, estabelece uma doença ou um mal qualquer, o médico apela para o processo que já foi estabelecido por estudos anteriores. Se outro mais eficaz é descoberto, ele é logo adotado e o que é fundamental acontece: um resultado, motivado por um processo engendrado pela análise da realidade em confronto com uma idéia, tudo isto deslanchado por um problema. Não é tão simples porque, além da ciência, as idéias educacionais são sempre permeadas pelas crenças, pela Filosofia, pela arte, pela ideologia.
Em educação temos processos preestabelecidos. Eles foram construídos a partir de problemas velhos, derivados do confronto entre um conjunto de idéias que serviam a humanidades passadas e uma realidade não mais existente. Não servem mais para os problemas, para as idéias e para a realidade de hoje, mas se firmaram.
Há vários tipos de planejamento porque há vários tipos de ação humana.
Para consertar máquinas, certamente há necessidade de planejamento. Ele consistirá de três passos:
- compreensão do padrão da máquina, isto é, da estrutura que lhe permite o funcionamento;
- um diagnóstico – é o que mais aparece – buscando descobrir as diferenças existentes na máquina real em relação ao padrão ideal desta mesma máquina;
- decisão do que se vai fazer, incluindo aqui as ações diretas de solução do(s) problema(s) e/ou as orientações (propostas como estratégias) de uso da máquina.
Muito parecido com o caso anterior é a administração de alguns serviços públicos, não necessariamente governamentais, cujo padrão esteja quase totalmente dado. Há idéias de segurança, bem-estar, bom atendimento, rapidez, etc. que devem ser realizadas. Estas idéias dão os critérios – pode-se falar aqui de indicadores – para a prática.
O diagnóstico, além de verificar a existência e a extensão de problemas, incluirá o grau de satisfação das pessoas que trabalham no serviço e dos que usufruem seus benefícios.
A decisão sobre o que se vai fazer é mais abrangente em virtude dos acréscimos anteriores. Além disto, estas decisões insistirão mais em estratégias, visando aos modos de ser e de se comportar que aumentem a qualidade do serviço, dentro do padrão estabelecido.
As Grandes Linhas de Planejamento e seu Uso
O planejamento, embora inerente ao ser humano para encaminhar as questões do dia-a-dia, torna-se uma ferramenta com conceitos, modelos, técnicas e instrumentos bem definidos a partir do começo do século passado, com a revolução comunista que constrói a União Soviética. No mundo capitalista, o planejamento, para as questões mais complexas, passa a ser usual, nos governos, depois da segunda guerra mundial. A partir desta adoção pelos governos, o planejamento passa a ser uma das preocupações de instituições, grupos, movimentos, organizações não governamentais: podemos dizer que ele se universaliza.
A. Para estes casos aperfeiçoou-se o planejamento que se chamou “Solução de Problemas”.
B. Este é o caso típico do “Gerenciamento da Qualidade Total”.
C. Estamos no reino do “Planejamento Estratégico”.
D. Só o “Planejamento Participativo” pode dar conta destes casos.


Democratização das relações na escola: o significado do trabalho coletivo.

Democratização das relações na escola: o significado do trabalho coletivo.
Dinair Leal da Hora.

Nas discussões a respeito de gestão democrática na escola é comum ouvir manifestações de que esta é uma prática quase impossível de adotar, haja vista a hegemonia de posturas autoritárias que ainda encontramos nos processos de gestão educacional no Brasil e pelo reduzido valor que os sujeitos escolares atribuem a essa forma de atuar. Neste texto apresento uma breve discussão a respeito dos significados que o trabalho coletivo democrático assume para professores, estudantes, direção, famílias e funcionários escolares. A construção da gestão democrática na escola é um processo. Ocorre com avanços e recuos, na medida em que pais, estudantes, professores e funcionários têm a oportunidade de opinar e decidir as ações e as relações educacionais e pedagógicas da instituição. O desenvolvimento desse processo pressupõe sua construção no cotidiano escolar, o que não dispensa a necessidade da reflexão permanente a respeito dos obstáculos e das potencialidades que se apresentam na realidade concreta, haja vista que a democracia só se efetiva por ações e relações em que há coerência entre o discurso e a prática. Admitir a democratização das relações internas da escola como mediadora para a democratização educacional significa considerá-la sine qua non, porém não a única. Há que se considerar os determinantes econômicos, sociais, políticos e culturais mais amplos que agem em favor da tendência autoritária enfrentados como manifestação, num espaço restrito. Para que haja a conquista da participação efetiva dos sujeitos sociais na gestão da escola é preciso que haja condições que propiciem essa participação. A participação de professores, alunos, pais e funcionários na organização da escola, na escolha dos conteúdos a serem ensinados, nas formas de administração será tão mais efetivamente democrática, na medida em que esses sujeitos sociais dominem o significado sócio-político de suas especificidades numa perspectiva de totalidade. Assim, é possível afirmar que:
a) para a comunidade, participar da gestão de uma escola significa inteirar-se e opinar sobre assuntos para os quais muitas vezes se encontra despreparada; significa todo um aprendizado político e organizacional (participar de reuniões, emitir opiniões, anotar, acompanhar, cumprir decisões); significa mudar sua visão de direção da escola, passando a não esperar decisões prontas para serem seguidas; significa, enfim, pensar a escola não como um organismo governamental, portanto externo, alheio, e sim como um órgão público que deve ser não apenas fiscalizado e controlado, mas dirigido pelos seus usuários;
b) a direção vê-se colocada diante de tarefas eminentemente políticas, pois assume o papel de dirigente técnico e político. A abertura não acontece para um todo homogêneo e sim para uma população dividida, socialmente estratificada e ideologicamente diferenciada; significa lidar com inúmeras expectativas e projetos políticos diversos;
c) para os alunos, a principal mudança refere-se à sua relação com os professores e com a direção: assumir sua parte de responsabilidade na direção da escola e do processo pedagógico, deixando de esperar soluções acabadas e apenas a punição como saída; compreender que transitar na difícil fronteira entre liberdade e segurança exige um compromisso com o projeto educacional, com princípios e também com uma visão mais global e menos fragmentada da escola;
d) os professores, descobrindo, (re)descobrindo, inventando, formulando e aceitando novas premissas, preparam-se para, dialeticamente, analisar, comparar, estabelecer valores através dos quais avaliam as diferentes metodologias, mantêm-se atentos para apreciá-los em relação às posturas teóricas e em relação à sua prática e contexto, especialmente em situações nas quais a comunidade tem lugar específico para a construção do currículo.
O significado social da prática de cada um é capaz de desenvolver a autonomia e a criatividade na reorganização da escola para melhor propiciar a sua finalidade: a formação humana de homens e mulheres nas suas dimensões pessoal e profissional na perspectiva de contribuir para a democratização da sociedade pela democratização do saber.

Na medida em que consegue a participação de todos os seus setores – educadores, alunos, pais e funcionários – nas decisões a respeito de seus objetivos e de seu funcionamento, a escola cria melhores condições para enfrentar os escalões superiores, no sentido de apropriar-se de autonomia e de recursos. Será muito mais difícil dizer não de modo autoritário quando a manifestação é de um grupo que representa todos os segmentos e que esteja fundamentado pela conscientização que sua própria organização proporciona, reconhecendo a participação coletiva na gestão escolar como uma das vias mais legítimas para a melhoria da qualidade do ensino, da consciência crítica da realidade social para a construção de uma escola verdadeiramente pública.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Pedagogia da Autonomia

PAULO FREIRE - Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa.  2002.

CAPÍTULO 1- NÃO HÁ DOCÊNCIA SEM DISCÊNCIA

A reflexão crítica da prática é uma exigência da relação teoria/ prática, sem a qual a teoria irá virando apenas palavras, e a prática, ativismo.
Há um processo a ser considerado na experiência permanente do educador. No dia-a-dia ele recebe os conhecimentos – conteúdos acumulados pelo sujeito, o aluno, que sabe e lhe transmite.
Neste sentido, ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos, nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, alma a um corpo indeciso e acomodado. Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.
Ensinar é mais que verbo-transitivo relativo, pede um objeto direto: quem ensina, ensina alguma coisa; pede um objeto indireto: à alguém, mas também ensinar inexiste sem aprender e aprender inexiste sem ensinar.
Só existe ensino quando este resulta num aprendizado em que o aprendiz se tornou capaz de recriar ou refazer o ensinado, ou seja, em que o que foi ensinado foi realmente aprendido pelo aprendiz.
Esta é a vivência autêntica exigida pela prática de ensinar-aprender. É uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética.
Nós somos “seres programados, mas, para aprender” (François Jacob). O processo de aprender pode deflagrar no aprendiz uma curiosidade crescente que pode torná-lo mais e mais criador, ou em outras palavras: quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender tanto mais se constrói e desenvolve a “curiosidade epistemológica”, sem a qual não alcançamos o conhecimento cabal do objeto.

1. ENSINAR EXIGE RIGOROSIDADE METODOLÓGICA

O educador democrático, crítico, em sua prática docente deve forçar a capacidade de crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. Trabalhar com os
educandos a rigorosidade metódica com que devem se “aproximar” dos objetos cognoscíveis, é uma de suas tarefas primordiais. Para isso, ele precisa ser um educador criador, instigador, inquieto, rigorosamente curioso, humilde e persistente. Deve ser claro para os educandos que o educador já teve e continua tendo experiência de produção de certos saberes e que estes não podem ser simplesmente transferidos a eles.
Educador e educandos, lado a lado, vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber. É impossível tornar-se um professor crítico, aquele que é mecanicamente um memorizador, um repetidor de frases e idéias inertes, e não um desafiador. Pensa mecanicamente. Pensa errado. A verdadeira leitura me compromete com o texto que a mim se dá e a que me dou e de cuja compreensão fundamental me vou tornando também sujeito.
Só pode ensinar certo quem pensa certo, mesmo que às vezes, pense errado. E uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiados certos de nossas certezas. O professor que pensa certo deixa transparecer aos educandos a beleza de estarmos no mundo e com o mundo, como seres históricos, intervindo no mundo e conhecendo -o .Contudo, nosso conhecimento do mundo tem historicidade. Ao ser produzido, o conhecimento novo supera outro que antes foi novo e se fez velho, e se “dispõe” a ser ultrapassado por outro amanhã.
Ensinar, aprender e pesquisar lidam com dois momentos do ciclo gnosiológico: o momento em que se ensina e se aprende o conhecimento já existente, e o momento em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente.
É a prática da “do-discência”: docência- discência e pesquisa.

2. ENSINAR EXIGE PESQUISA Não há ensino sem pesquisa, nem pesquisa sem ensino. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e para comunicar o novo.

3. ENSINAR EXIGE RESPEITO AOS SABERES DO EDUCANDO A escola deve respeitar os saberes socialmente construídos pelos alunos na prática comunitária. Discutir com eles a razão de ser de alguns saberes em relação ao ensino dos conteúdos. Discutir os problemas por eles vividos. Estabelecer uma intimidade entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos. Discutir as implicações políticas e ideológicas, e a ética de classe relacionada a descasos.

4. ENSINAR EXIGE CRITICIDADE Entre o saber feito de pura experiência e o resultante dos procedimentos metodicamente rigorosos, não há uma ruptura, mas uma superação que se dá na medida em que a curiosidade ingênua, associada ao saber do senso comum, vai sendo substituída pela curiosidade crítica ou epistemológica que se rigoriza metodicamente.

5. ENSINAR EXIGE ESTÉTICA E ÉTICA Somos seres históricos – sociais, capazes de comparar, valorizar, intervir, escolher, decidir, romper e por isso, nos fizemos seres éticos. Só somos porque estamos sendo. Transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. Divinizar ou diabolizar a tecnologia ou a ciência é uma forma altamente negativa e perigosa de pensar errado.
Pensar certo demanda profundidade na compreensão e interpretação dos fatos. Não é possível mudar e fazer de conta que não mudou. Coerência entre o pensar certo e o agir certo. Não há pensar certo à margem de princípios éticos, se mudar é uma possibilidade e um direito, cabe a quem muda, assumir a mudança operada

6. ENSINAR EXIGE A CORPOREIFICAÇÃO DA PALAVRA PELO EXEMPLO
O professor que ensina certo não aceita o “faça o que eu mando e não o que eu faço”. Ele sabe que as palavras às quais falta corporeidade do exemplo quase nada valem. É preciso uma prática testemunhal que confirme o que se diz em lugar de desdizê-lo.

7. ENSINAR EXIGE RISCO, ACEITAÇÃO DO NOVO E REJEIÇÃO A QUALQUER FORMA DE DISCRIMINAÇÃO - O novo não pode ser negado ou acolhido só porque é novo, nem o velho recusado, apenas por ser velho. O velho que preserva sua validade continua novo.
A prática preconceituosa de raça, classe, gênero ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia.
Ensinar a pensar certo é algo que se faz e que se vive enquanto dele se fala com a força do testemunho; exige entendimento co-participado. É tarefa do educador desafiar o educando com quem se comunica e a quem comunica, produzindo nele compreensão do que vem sendo comunicado. O pensar certo é intercomunicação dialógica e não polêmica.

8 ENSINAR EXIGE REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE A PRÁTICA - Envolve o movimento dinâmico, dialético entre o fazer e o pensar sobre o fazer. É fundamental que o aprendiz da prática docente saiba que deve superar o pensar ingênuo, assumindo o pensar certo produzido por ele próprio, juntamente com o professor formador. Por outro lado, ele deve reconhecer o valor das emoções, da sensibilidade, da afetividade, da intuição.
Através da reflexão crítica sobre a prática de hoje ou de ontem é que se pode melhorar a próxima prática. E, ainda, quanto mais me assumo como estou sendo e percebo a razão de ser como estou sendo, mais me torno capaz de mudar, de promover-me do estado da curiosidade ingênua para o de curiosidade epistemológica. Decido, rompo, opto e me assumo.

9. ENSINAR EXIGE O RECONHECIMENTO E A ASSUNÇÃO DA IDENTIDADE CULTURAL - Uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar condições para que os educandos em suas relações sejam levados à experiências de assumir-se. Como ser social e histórico, ser pensante, transformador, criador, capaz de ter raiva porque capaz de amar.
A questão da identidade cultural não pode ser desprezada. Ela está relacionada com a assunção do indivíduo por ele mesmo e se dá, através do conflito entre forças que obstaculizam essa busca de si e as que favorecem essa assunção.
Isto é incompatível com o treinamento pragmático, com os que se julgam donos da verdade e que se preocupam quase exclusivamente com os conteúdos.
Um simples gesto do professor pode impulsionar o educando em sua formação e auto-formação. A experiência informal de formação ou deformação que se vive na escola, não pode ser negligênciada e exige reflexão. Experiências vividas nas ruas, praças, trabalho, salas de aula, pátios e recreios são cheias de significação.

CAPÍTULO 2 - ENSINAR NÃO É TRANSFERIR CONHECIMENTO
. . . mas, criar possibilidades ao aluno para sua própria construção. Este é o primeiro saber necessário à formação do docente, numa perspectiva progressista. É uma postura difícil a assumir diante dos outros e com os outros, face ao mundo e aos fatos, ante nós mesmos. Fora disso, meu testemunho perde eficácia.

1. ENSINAR EXIGE CONSCIÊNCIA DO INACABAMENTO - Como professor crítico sou predisposto à mudança, à aceitação do diferente. Nada em minha experiência docente deve necessariamente repetir-se. A inconclusão é própria da experiência vital. Quanto mais cultural o ser, maior o suporte ou espaço ao qual o ser se prende “afetivamente” em seu desenvolvimento. O suporte vai se ampliando, vira mundo e a vida, existência na medida em que ele se torna consciente, apreendedor, transformador, criador de beleza e não de “espaço” vazio a ser preenchido por conteúdos.
A existência envolve linguagem, cultura, comunicação em níveis profundos e complexos; a “espiritualização”, possibilidade de embelezar ou enfear o mundo faz
dos homens seres éticos, portanto capazes de intervir no mundo, de comparar, ajuizar, decidir, romper, escolher. Seres capazes de grandes ações, mas também de grandes baixezas. Não é possível existir sem assumir o direito e o dever de optar, decidir, lutar, fazer política.
Daí a imperiosidade da prática formadora eminentemente ética. Posso ter esperança, sei que é possível intervir para melhorar o mundo. Meu “destino” não é predeterminado, ele
precisa ser feito e dessa responsabilidade não posso me eximir. A História em que me faço com os outros e dela tomo parte é um tempo de possibilidades, de problematização do futuro e não de inexorabilidade.

2. ENSINAR EXIGE O RECONHECIMENTO DE SER CONDICIONADO
É o saber da nossa inconclusão assumida. Sei que sou inacabado, porém consciente disto, sei que posso ir mais além, através da tensão entre o que herdo geneticamente e o que herdo social, cultural e historicamente. Lutando deixo de ser apenas objeto, para ser também sujeito da História.
A consciência do mundo e de si como ser inacabado inscrevem o ser num permanente movimento de busca. E nisto se fundamenta a educação como processo permanente.
Na experiência educativa aberta à procura, educador e alunos curiosos, “programados, mas para aprender”, exercitarão tanto melhor sua capacidade de aprender e ensinar, quanto mais se façam sujeitos e não puros objetos do processo.

3. ENSINAR EXIGE RESPEITO À AUTONOMIA DO SER DO EDUCANDO
. . . à sua dignidade e identidade. Isto é um imperativo ético e qualquer desvio nesse sentido é uma transgressão. O professor autoritário e o licencioso são transgressores da eticidade. Ensinar, portanto, exige respeito à curiosidade e ao gosto estético do educando, à sua inquietude, linguagem, às suas diferenças. O professor não pode eximir-se de seu dever de propor limites à liberdade do aluno,
nem de ensiná-lo. Deve estar respeitosamente presente à sua experiência formadora.

4. ENSINAR EXIGE BOM SENSO - Quanto mais pomos em prática de forma metódica nossa capacidade de indagar, aferir e duvidar, tanto mais crítico se faz nosso bom senso. Esse exercício vai superando o que há de instintivo na avaliação que fazemos de fatos e acontecimentos. O bom senso tem papel importante na nossa tomada de posição em face do que devemos ou não fazer, e a ele não pode faltar a ética.

5. ENSINAR EXIGE HUMILDADE, TOLERÂNCIA E LUTA EM DEFESA DOS DIREITOS DOS EDUCADORES - A luta dos professores em defesa de seus direitos e dignidade, deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Em conseqüência do desprezo a que é relegada a prática pedagógica, não posso desgostar do que faço sob pena de não fazê-lo bem. Necessito cultivar a humildade e a tolerância, afim de manter meu respeito de professor ao educando. É na competência de profissionais idôneos que se organiza politicamente a maior força dos educadores. É preciso priorizar o empenho de formação permanente dos quadros do magistério como tarefa altamente política, e repensar a eficácia das greves.
Não é parar de lutar, mas reinventar a forma histórica de lutar.

6. ENSINAR EXIGE APREENSÃO DA REALIDADE - Preciso conhecer as diferentes dimensões da prática educativa, tornando-me mais seguro em meu desempenho. O homem é um ser consciente que usa sua capacidade de aprender não apenas para se adaptar, mas sobretudo para transformar a realidade.
A memorização mecânica não é aprendizado verdadeiro do conteúdo. Somos os únicos seres que social e historicamente, nos tornamos capazes de apreender. Para nós, aprender é aventura criadora, é construir, reconstruir, constatar para mudar, e isto não se faz sem abertura ao risco.
O papel fundamental do professor progressista é contribuir positivamente para que o educando seja artífice de sua formação, e ajudá-lo nesse empenho. Deve estar atento à difícil passagem da heteronomia para a autonomia para não perturbar a busca e investigações dos educandos

7. ENSINAR EXIGE ALEGRIA E ESPERANÇA - Esperança de que professor e alunos juntos podem aprender, ensinar, inquietar-se, produzir e também resistir aos obstáculos à alegria. O homem é um ser naturalmente esperançoso. A esperança crítica é indispensável à experiência histórica que só acontece onde há problematização do futuro. Um futuro não determinado, mas que pode ser mudado.

8. ENSINAR EXIGE A CONVICÇÃO DE QUE A MUDANÇA É POSSÍVEL É o saber da História como possibilidade e não como determinação. O mundo não é, está sendo. Meu papel histórico não é só o de constatar o que ocorre, mas também o de intervir como sujeito de ocorrências. Constato não para me adaptar, mas para mudar a realidade.
A partir desse saber é que vamos programar nossa ação político-pedagógica, seja qual for o projeto a que estamos comprometidos. Desafiando os grupos populares para que percebam criticamente a violência e a injustiça de sua situação concreta; e que também percebam que essa situação, ainda que difícil, pode ser mudada. Como educador preciso considerar o saber de “experiência feito” pelos grupos populares, sua explicação do mundo e a compreensão de sua própria presença nele. Tudo isso vem explicitado na “leitura do mundo” que precede a “leitura da palavra”.
Contudo, não posso impor a esses grupos meu saber como o verdadeiro. Mas, posso dialogar com eles, desafiando-os a pensar sua história social e a perceber a necessidade de superarem certos saberes que se revelam inconsistentes para explicar os fatos.

9. ENSINAR EXIGE CURIOSIDADE - Procedimentos autoritários ou paternalistas impedem o exercício da curiosidade do educando e do próprio educador. O bom clima pedagógico-democrático levará o educando a assumir eticamente limites, percebendo que sua curiosidade não tem o direito de invadir a privacidade do outro, nem expô-la aos demais. Como professor devo saber que sem a curiosidade que me move, não aprendo nem ensino. É fundamental que alunos e professor se assumam epistemologicamente curiosos. Saibam que sua postura é dialógica, aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto fala ou ouve.
O exercício da curiosidade a faz mais criticamente curiosa, mais metodicamente “perseguidora” do seu objetivo. Quanto mais a curiosidade espontânea se intensifica e se “rigoriza”, tanto mais epistemologicamente vai se tornando. Um dos saberes fundamentais à prática educativo-crítica é o que adverte da necessária promoção da curiosidade espontânea para curiosidade epistemológica.

CAPÍTULO 3 - ENSINAR É UMA ESPECIFICIDADE HUMANA
1. ENSINAR EXIGE SEGURANÇA, COMPETÊNCIA PROFISSIONAL E GENEROSIDADE - A Segurança é fundamentada na competência profissional, portanto a incompetência profissional desqualifica a autoridade do professor. A autoridade deve fazer-se generosa e não arrogante. Deve reconhecer a eticidade. O educando que exercita sua liberdade vai se tornando tão mais livre quanto mais eticamente vá assumindo as responsabilidades de suas ações. Testemunho da autoridade democrática deixa claro que o fundamental é a construção, pelo indivíduo, da responsabilidade da liberdade que ele assume. É o aprendizado da autonomia.

2. ENSINAR EXIGE COMPROMETIMENTO - A maneira como os alunos me percebem tem grande importância para o meu desempenho. Não há como sendo
professor não revelar minha maneira de ser, de pensar politicamente, diante de meus alunos. Assim, devo preocupar-me em aproximar cada vez mais o que digo do que faço e o que pareço ser do que realmente estou sendo.
Minha presença é uma presença em si política, e assim sendo, não posso ser uma omissão, mas um sujeito de opções. Devo revelar aos alunos, minha capacidade de analisar, comparar, avaliar; de fazer justiça, de não falhar à verdade. Meu testemunho tem que ser ético. O espaço pedagógico neutro prepara os alunos para práticas apolíticas. A maneira humana de se estar no mundo não é, nem pode ser neutra.

3. ENSINAR EXIGE COMPREENDER QUE A EDUCAÇÃO É UMA FORMA DE INTERVENÇÃO NO MUNDO - Implica tanto o esforço de reprodução da ideologia dominante quanto seu desmascaramento. Como professor minha prática exige de mim uma definição. Decisão. Ruptura. Como professor sou a favor da luta contra qualquer forma de discriminação, contra a dominância econômica dos indivíduos ou das classes sociais, etc. Sou a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Não posso reduzir minha prática docente ao puro ensino dos conteúdos, pois meu testemunho ético ao ensiná-los é igualmente importante. É o respeito ao saber de “experiência feito” dos alunos, o qual busco superar com eles. É coerência entre o que digo, o que escrevo e o que faço.

4. ENSINAR EXIGE LIBERDADE E AUTORIDADE - A autonomia vai se constituindo na experiência de várias e inúmeras decisões que vão sendo tomadas. Vamos amadurecendo todo dia, ou não. A autonomia, enquanto amadurecimento do ser por si, é processo; é vir a ser. Não posso aprender a ser eu mesmo se não decido nunca porque há sempre alguém decidindo por mim.
Quanto mais criticamente assumo a liberdade, tanto mais autoridade ela tem para continuar lutando em seu nome.

5. ENSINAR EXIGE TOMADA CONSCIENTE DE DECISÕES - A educação, especificidade humana é um ato de intervenção no mundo. Tanto intervenções que aspiram mudanças radicais na sociedade, no campo da economia, das relações humanas, da propriedade, do direito ao trabalho, à terra, à educação, etc. quanto as que pelo contrário, pretendem imobilizar a História e manter a ordem injusta.
A educação não vira política por causa da decisão deste ou daquele educador. Ela é política e sua raiz se acha na própria educabilidade do ser humano, que se funde na sua natureza inacabada e da qual se tornou consciente. O ser humano, assim se tornou um ser ético, um ser de opção, de decisão.
Diante da impossibilidade da neutralidade da educação, é importante que o educador saiba que se a educação não pode tudo, alguma coisa fundamental ela pode. O educador crítico pode demonstrar que é possível mudar o país. E isto reforça nele a importância de sua tarefa político-pedagógica. Ele sabe o valor que tem para a modificação da realidade, a maneira consistente com que vive sua presença no mundo. Sabe que sua experiência na escola é um momento importante que precisa ser autenticamente vivido.

6. ENSINAR EXIGE SABER ESCUTAR - Aprendemos a escutar escutando. Somente quem escuta paciente e criticamente o outro, fala com ele, e sem precisar se impor. No processo da fala e escuta, a disciplina do silêncio a ser assumido a seu tempo pelos sujeitos que falam e escutam é um “sine qua” da comunicação dialógica. É preciso que quem tem o que dizer saiba, que sem escutar o que quem escuta tem igualmente a dizer, termina por esgotar sua capacidade de dizer. Quem tem o que dizer deve assim, desafiar quem escuta, no sentido de que, quem escuta diga, fale, responda.
O espaço do educador democrático, que aprende a falar escutando, é cortado pelo silêncio intermitente de quem falando, cala para escutar a quem, silencioso, e não silenciado, fala.
Não há inteligência da realidade sem a possibilidade de ser comunicada. O professor autoritário que recusa escutar os alunos, impede a afirmação do educando como sujeito de conhecimento. Como arquiteto de sua própria prática cognoscitiva.

7. ENSINAR EXIGE RECONHECER QUE A EDUCAÇÃO É IDEOLÓGICA
Ideologia tem que ver diretamente com a ocultação da verdade dos fatos, com o uso da linguagem para opacizar a realidade, ao mesmo tempo que nos torna “míopes”. Sabemos que há algo no meio da penumbra, mas não o divisamos bem. Outra possibilidade que temos é a de docilmente aceitar que o que vemos e ouvimos é o que na verdade é, e não a verdade distorcida.
Por exemplo, o discurso da globalização que fala da ética, esconde porém, que a sua ética é a do mercado e não a ética universal do ser humano, pela qual devemos lutar se optamos, na verdade, por um mundo de gente.
A teoria da transformação político-social do mundo, deve fazer parte de uma compreensão do homem enquanto ser fazedor da História, e por ela feito, ser da decisão, da ruptura, da opção. Seres éticos.
Os avanços científicos e tecnológicos devem ser colocados a serviço dos seres humanos. Para superar a crise em que nos achamos, impõe-se o caminho ético.
Como professor, devo estar advertido do poder do discurso ideológico. Ele nos ameaça de anestesiar a mente, de confundir a curiosidade, de distorcer a percepção dos fatos, das coisas. No exercício crítico de minha resistência ao poder manhoso da ideologia, vou gerando certas qualidades que vão virando sabedoria indispensável à minha prática docente. Me predisponho a uma atitude sempre aberta aos demais, aos dados da realidade, por um lado; e por outro, a uma desconfiança metódica que me defende de tornar-me absolutamente certo de certezas.

8. ENSINAR EXIGE DISPONIBILIDADE PARA O DIÁLOGO Como professor devo testemunhar aos alunos a segurança com que me comporto ao discutir um tema, analisar um fato. Aberto ao mundo e aos outros, estabeleço a relação dialógica em que se confirma a inconclusão no permanente movimento na História. Postura crítica diante dos meios de comunicação não pode faltar. Impossível a neutralidade nos processos de comunicação. Não podemos desconhecer a televisão, mas devemos usá-la, sobretudo, discuti-la.

9. ENSINAR EXIGE QUERER BEM AOS EDUCANDOS Querer bem aos educandos e à própria prática educativa de que participo. Essa abertura significa que a afetividade não me assusta, que não tenho medo de expressá-la. Seriedade docente e afetividade não são incompatíveis. Aberto ao querer bem significa minha disponibilidade à alegria de viver. Quanto mais metodicamente rigoroso me torno na minha busca e minha docência, tanto mais alegre e esperançoso me sinto.

Conclusão

O conhecimento adquirido através da obra de Paulo Freire é com certeza um fator auxiliador no desenvolvimento das práticas educacionais, de enfermagem e de vida.

Esta obra é um convite ao exercício da auto-avaliação e conscientização de valores sociais, respeito, da forma de educar e de agir.

compreensão, ética e responsabilidade
É uma obra que merece respeito tanto de educadores, aducandos, e também todos os envolvidos com o comprometimento de mudar para melhor, de contribuir para a conscientização de um mundo melhor. Com respeito,

Através deste livro obtemos a certeza de que devemos lutar pelos nossos direitos, com o objetivo de viver e fazer outros viverem dignamente.

É um alerta para o aperfeiçoamento como indivíduos e cidadãos. Ter competência para atuar com segurança. Ter humildade para aprender. Ter compreensão para escutar, ter carinho para doar amor. Ter autoridade para se fazer respeitar com democracia.

É um estímulo que deve ser aperfeiçoado todos os dias. Fazer o que se gosta. Batalhar pelo que se quer. Defender o que ou quem necessita.

Questionar o que vem sendo a nossa vida, e mudar para melhor. De contribuir para uma sociedade mais benevolente e justa.

Fazer como Paulo Freire preocupar-se, lutar para fazer a diferença.

Pois a grandeza de um Homem não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem consciência de que não sabe e está disposto a aprender!

Bibliografia

FREIRE, Paulo Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2002.


Pesquisa web (Biografia do autor) http://www.smec.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espacoeducar/ensino-fundamental/educ-jovens-adultos/artigos/biografia.pdf