Danilo
Gandin
O
PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO DA PRÁTICA
EDUCATIVA
É
fundamental pensar o planejamento como uma ferramenta para dar mais
eficiência à ação humana.
Daí
decorre que as pessoas, no dia-a-dia:
1.
não descobrem com clareza quais são os problemas;
2.
não constroem conjuntos de idéias;
3.
não conseguem fazer uma avaliação de sua prática;
4.
não conseguem propor mudanças na realidade ou na prática;
Planejar
é, sempre, buscar a transformação da realidade. É, sempre, propor
ações, atitudes, regras e rotinas que possam levar à satisfação
de necessidades, planejamento que muda para transformar.
Há
níveis diferentes de planejamento porque há diferença nas ações
humanas.
Os
Passos para uma Prática Lúcida.
Todo
o fazer humano está ligado a ser um conjunto de ações, rotinas,
regras e atitudes para transformar ideias em realidades.
Não
pode haver idéias transformadas em processos se não houver ideias.
É um terrível engano, mais comum do que parece, a prática de
partir do problema para o processo. Existem até correntes de
planejamento que se basearam (não tão grosseiramente, é verdade)
nesta relação direta problema-processo. Nada se consegue,
evidentemente, desta maneira; os resultados podem ser desastrosos. A
organização de idéias é, nas circunstâncias atuais, uma das
necessidades mais importantes.
Na
escola esse diagnóstico equivale a uma análise de todos os
processos em andamento a fim de verificar até que ponto eles são
adequados para realizar as idéias que constaram no projeto
pedagógico. Talvez este seja o nó da questão: se o projeto
pedagógico tem a idéia de escola democrática, de ligação da
escola com a realidade (são apenas exemplos), ela precisa analisar
com atenção e rigor até que pontos os processos (ações,
atitudes, regras e rotinas) estão construindo democracia, até que
pontos conteúdos escolares brotam da realidade e levam a
compreendê-la. É essencial esta compreensão dos processos
existentes para poder descobrir necessidades de novos processos e de
correção dos que podem ser mantidos, mas precisam de mudanças.
Se
fosse possível transformar idéias em processos e fazer isto com
utilidade sem depender dos passos anteriores, poderíamos ter uma
economia de tempo, de trabalho e, até, de recursos.
Os
processos, muitas vezes, são predeterminados. Funcionam, por
exemplo, na medicina: quando o diagnóstico, feito a partir de idéias
que sustentam uma teoria, estabelece uma doença ou um mal qualquer,
o médico apela para o processo que já foi estabelecido por estudos
anteriores. Se outro mais eficaz é descoberto, ele é logo adotado e
o que é fundamental acontece: um resultado, motivado por um processo
engendrado pela análise da realidade em confronto com uma idéia,
tudo isto deslanchado por um problema. Não é tão simples porque,
além da ciência, as idéias educacionais são sempre permeadas
pelas crenças, pela Filosofia, pela arte, pela ideologia.
Em
educação temos processos preestabelecidos. Eles foram construídos
a partir de problemas velhos, derivados do confronto entre um
conjunto de idéias que serviam a humanidades passadas e uma
realidade não mais existente. Não servem mais para os problemas,
para as idéias e para a realidade de hoje, mas se firmaram.
Há
vários tipos de planejamento porque há vários tipos de ação
humana.
Para
consertar máquinas, certamente há necessidade de planejamento. Ele
consistirá de três passos:
-
compreensão do padrão da máquina, isto é, da estrutura que lhe
permite o funcionamento;
-
um diagnóstico – é o que mais aparece – buscando descobrir as
diferenças existentes na máquina real em relação ao padrão ideal
desta mesma máquina;
-
decisão do que se vai fazer, incluindo aqui as ações diretas de
solução do(s) problema(s) e/ou as orientações (propostas como
estratégias) de uso da máquina.
Muito
parecido com o caso anterior é a administração de alguns serviços
públicos, não necessariamente governamentais, cujo padrão esteja
quase totalmente dado. Há idéias de segurança, bem-estar, bom
atendimento, rapidez, etc. que devem ser realizadas. Estas idéias
dão os critérios – pode-se falar aqui de indicadores – para a
prática.
O
diagnóstico, além de verificar a existência e a extensão de
problemas, incluirá o grau de satisfação das pessoas que trabalham
no serviço e dos que usufruem seus benefícios.
A
decisão sobre o que se vai fazer é mais abrangente em virtude dos
acréscimos anteriores. Além disto, estas decisões insistirão mais
em estratégias, visando aos modos de ser e de se comportar que
aumentem a qualidade do serviço, dentro do padrão estabelecido.
As
Grandes Linhas de Planejamento e seu Uso
O
planejamento, embora inerente ao ser humano para encaminhar as
questões do dia-a-dia, torna-se uma ferramenta com conceitos,
modelos, técnicas e instrumentos bem definidos a partir do começo
do século passado, com a revolução comunista que constrói a União
Soviética. No mundo capitalista, o planejamento, para as questões
mais complexas, passa a ser usual, nos governos, depois da segunda
guerra mundial. A partir desta adoção pelos governos, o
planejamento passa a ser uma das preocupações de instituições,
grupos, movimentos, organizações não governamentais: podemos dizer
que ele se universaliza.
A.
Para estes casos aperfeiçoou-se o planejamento que se chamou
“Solução de Problemas”.
B.
Este é o caso típico do “Gerenciamento da Qualidade Total”.
C.
Estamos no reino do “Planejamento Estratégico”.
D.
Só o “Planejamento Participativo” pode dar conta destes casos.
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