COMO NÃO DIZER QUE A MATEMÁTICA É MARAVILHOSA, ELA DERIVA VÁRIAS OUTRAS CIÊNCIAS, SUA IMPORTÂNCIA É INDISCUTÍVEL EM DIVERSAS ÁREAS. QUEM APRENDE MATEMÁTICA, TAMBÉM APRENDE AMÁ-LA.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
quarta-feira, 23 de abril de 2014
O que um Matemático faz?
O que um Matemático faz?
Se você é bom com números e gosta de fazer contas o curso de matemática é uma excelente opção.
Ao contrário do que muitos pensam quem cursa matemática além da opção de se tornar professor, tem possibilidade de atuar em diversas áreas, tudo depende do tipo de graduação.
O profissional pode atuar em universidades e centros de pesquisa, desenvolvendo novos modelos matemáticos, ou em empresas, com a criação de métodos numéricos e análise de dados do mercado financeiro.
Há dois caminhos básicos para se seguir no curso: Licenciatura ou Bacharelado.
A Licenciatura prepara professores para atuar nos níveis médio e fundamental.
O Licenciado também tem a opção de trabalhar como professor de ensino superior, para isto, o interessado deve fazer cursos de pós-graduação. Se aprofundando ainda mais no assunto, pode se tornar pesquisador.
O Licenciado também tem a opção de trabalhar como professor de ensino superior, para isto, o interessado deve fazer cursos de pós-graduação. Se aprofundando ainda mais no assunto, pode se tornar pesquisador.
Bacharéis podem trabalhar em empresas com atuações especificas, algumas universidades dão curso de bacharelado em matemática com ênfase em assuntos específicos. Matemática aplicada a negócios, métodos matemáticos, matemática aplicada e computacional com habilitação em estatística econômica, saúde pública, comunicação científica, entre outros.
Já os Bacharéis que têm mestrado, doutorado e pós-doutorado, podem trabalhar em universidades no ensino e pesquisa.
Segundo matemático Andrew Woods, a graduação em matemática é muito abrangente e, por isso, dá uma boa base para qualquer tipo de emprego que requer um raciocínio quantitativo. “A matemática abre muitas portas para o jovem como profissional”, ressalta.
Mercado de trabalho
O maior mercado é o da docência, para os licenciados que irão atuar na educação básica, porém o bacharel não fica muito atrás, por ser um profissional versátil que pode trabalhar em diversas áreas, como é o caso da engenharia, bioquímica, economia, estudo do clima, biologia, marketing, sociologia e logística, por exemplo, e considerando que não há tantos matemáticos no mercado, é uma carreira na qual é fácil o profissional encontrar emprego, tudo depende da sua capacidade de raciocínio analítico e vocação.
Salários iniciais
Na rede pública de ensino os salários iniciais variam de R$ 980 para 20 horas semanais, Até R$ 1,8 mil para 40 horas semanais. Já em escolas particulares, no Ensino Médio, os salários variam de R$ 1 mil a R$ 3,6 mil. No ensino superior, em universidades federais, os salários iniciais para professores-pesquisadores com doutorado, podem chegar a R$ 10 mil. No IMPA, o salário inicial para pesquisador com doutorado é de mais ou menos R$ 11 mil. Atuando em empresas conforme a área, os salários variam de R$ 4 mil a R$ 10 mil mensais.
terça-feira, 8 de abril de 2014
O PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO DA PRÁTICA EDUCATIVA
Danilo
Gandin
O
PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO DA PRÁTICA
EDUCATIVA
É
fundamental pensar o planejamento como uma ferramenta para dar mais
eficiência à ação humana.
Daí
decorre que as pessoas, no dia-a-dia:
1.
não descobrem com clareza quais são os problemas;
2.
não constroem conjuntos de idéias;
3.
não conseguem fazer uma avaliação de sua prática;
4.
não conseguem propor mudanças na realidade ou na prática;
Planejar
é, sempre, buscar a transformação da realidade. É, sempre, propor
ações, atitudes, regras e rotinas que possam levar à satisfação
de necessidades, planejamento que muda para transformar.
Há
níveis diferentes de planejamento porque há diferença nas ações
humanas.
Os
Passos para uma Prática Lúcida.
Todo
o fazer humano está ligado a ser um conjunto de ações, rotinas,
regras e atitudes para transformar ideias em realidades.
Não
pode haver idéias transformadas em processos se não houver ideias.
É um terrível engano, mais comum do que parece, a prática de
partir do problema para o processo. Existem até correntes de
planejamento que se basearam (não tão grosseiramente, é verdade)
nesta relação direta problema-processo. Nada se consegue,
evidentemente, desta maneira; os resultados podem ser desastrosos. A
organização de idéias é, nas circunstâncias atuais, uma das
necessidades mais importantes.
Na
escola esse diagnóstico equivale a uma análise de todos os
processos em andamento a fim de verificar até que ponto eles são
adequados para realizar as idéias que constaram no projeto
pedagógico. Talvez este seja o nó da questão: se o projeto
pedagógico tem a idéia de escola democrática, de ligação da
escola com a realidade (são apenas exemplos), ela precisa analisar
com atenção e rigor até que pontos os processos (ações,
atitudes, regras e rotinas) estão construindo democracia, até que
pontos conteúdos escolares brotam da realidade e levam a
compreendê-la. É essencial esta compreensão dos processos
existentes para poder descobrir necessidades de novos processos e de
correção dos que podem ser mantidos, mas precisam de mudanças.
Se
fosse possível transformar idéias em processos e fazer isto com
utilidade sem depender dos passos anteriores, poderíamos ter uma
economia de tempo, de trabalho e, até, de recursos.
Os
processos, muitas vezes, são predeterminados. Funcionam, por
exemplo, na medicina: quando o diagnóstico, feito a partir de idéias
que sustentam uma teoria, estabelece uma doença ou um mal qualquer,
o médico apela para o processo que já foi estabelecido por estudos
anteriores. Se outro mais eficaz é descoberto, ele é logo adotado e
o que é fundamental acontece: um resultado, motivado por um processo
engendrado pela análise da realidade em confronto com uma idéia,
tudo isto deslanchado por um problema. Não é tão simples porque,
além da ciência, as idéias educacionais são sempre permeadas
pelas crenças, pela Filosofia, pela arte, pela ideologia.
Em
educação temos processos preestabelecidos. Eles foram construídos
a partir de problemas velhos, derivados do confronto entre um
conjunto de idéias que serviam a humanidades passadas e uma
realidade não mais existente. Não servem mais para os problemas,
para as idéias e para a realidade de hoje, mas se firmaram.
Há
vários tipos de planejamento porque há vários tipos de ação
humana.
Para
consertar máquinas, certamente há necessidade de planejamento. Ele
consistirá de três passos:
-
compreensão do padrão da máquina, isto é, da estrutura que lhe
permite o funcionamento;
-
um diagnóstico – é o que mais aparece – buscando descobrir as
diferenças existentes na máquina real em relação ao padrão ideal
desta mesma máquina;
-
decisão do que se vai fazer, incluindo aqui as ações diretas de
solução do(s) problema(s) e/ou as orientações (propostas como
estratégias) de uso da máquina.
Muito
parecido com o caso anterior é a administração de alguns serviços
públicos, não necessariamente governamentais, cujo padrão esteja
quase totalmente dado. Há idéias de segurança, bem-estar, bom
atendimento, rapidez, etc. que devem ser realizadas. Estas idéias
dão os critérios – pode-se falar aqui de indicadores – para a
prática.
O
diagnóstico, além de verificar a existência e a extensão de
problemas, incluirá o grau de satisfação das pessoas que trabalham
no serviço e dos que usufruem seus benefícios.
A
decisão sobre o que se vai fazer é mais abrangente em virtude dos
acréscimos anteriores. Além disto, estas decisões insistirão mais
em estratégias, visando aos modos de ser e de se comportar que
aumentem a qualidade do serviço, dentro do padrão estabelecido.
As
Grandes Linhas de Planejamento e seu Uso
O
planejamento, embora inerente ao ser humano para encaminhar as
questões do dia-a-dia, torna-se uma ferramenta com conceitos,
modelos, técnicas e instrumentos bem definidos a partir do começo
do século passado, com a revolução comunista que constrói a União
Soviética. No mundo capitalista, o planejamento, para as questões
mais complexas, passa a ser usual, nos governos, depois da segunda
guerra mundial. A partir desta adoção pelos governos, o
planejamento passa a ser uma das preocupações de instituições,
grupos, movimentos, organizações não governamentais: podemos dizer
que ele se universaliza.
A.
Para estes casos aperfeiçoou-se o planejamento que se chamou
“Solução de Problemas”.
B.
Este é o caso típico do “Gerenciamento da Qualidade Total”.
C.
Estamos no reino do “Planejamento Estratégico”.
D.
Só o “Planejamento Participativo” pode dar conta destes casos.
Democratização das relações na escola: o significado do trabalho coletivo.
Democratização
das relações na escola: o significado do trabalho coletivo.
Dinair
Leal da Hora.
Nas
discussões a respeito de gestão democrática na escola é comum
ouvir manifestações de que esta é uma prática quase impossível
de adotar, haja vista a hegemonia de posturas autoritárias que ainda
encontramos nos processos de gestão educacional no Brasil e pelo
reduzido valor que os sujeitos escolares atribuem a essa forma de
atuar. Neste texto apresento uma breve discussão a respeito dos
significados que o trabalho coletivo democrático assume para
professores, estudantes, direção, famílias e funcionários
escolares. A construção da gestão democrática na escola é um
processo. Ocorre com avanços e recuos, na medida em que pais,
estudantes, professores e funcionários têm a oportunidade de opinar
e decidir as ações e as relações educacionais e pedagógicas da
instituição. O desenvolvimento desse processo pressupõe sua
construção no cotidiano escolar, o que não dispensa a necessidade
da reflexão permanente a respeito dos obstáculos e das
potencialidades que se apresentam na realidade concreta, haja vista
que a democracia só se efetiva por ações e relações em que há
coerência entre o discurso e a prática. Admitir a democratização
das relações internas da escola como mediadora para a
democratização educacional significa considerá-la sine qua non,
porém não a única. Há que se considerar os determinantes
econômicos, sociais, políticos e culturais mais amplos que agem em
favor da tendência autoritária enfrentados como manifestação, num
espaço restrito. Para que haja a conquista da participação efetiva
dos sujeitos sociais na gestão da escola é preciso que haja
condições que propiciem essa participação. A participação de
professores, alunos, pais e funcionários na organização da escola,
na escolha dos conteúdos a serem ensinados, nas formas de
administração será tão mais efetivamente democrática, na medida
em que esses sujeitos sociais dominem o significado sócio-político
de suas especificidades numa perspectiva de totalidade. Assim, é
possível afirmar que:
a)
para a comunidade, participar da gestão de uma escola significa
inteirar-se e opinar sobre assuntos para os quais muitas vezes se
encontra despreparada; significa todo um aprendizado político e
organizacional (participar de reuniões, emitir opiniões, anotar,
acompanhar, cumprir decisões); significa mudar sua visão de direção
da escola, passando a não esperar decisões prontas para serem
seguidas; significa, enfim, pensar a escola não como um organismo
governamental, portanto externo, alheio, e sim como um órgão
público que deve ser não apenas fiscalizado e controlado, mas
dirigido pelos seus usuários;
b)
a direção vê-se colocada diante de tarefas eminentemente
políticas, pois assume o papel de dirigente técnico e político. A
abertura não acontece para um todo homogêneo e sim para uma
população dividida, socialmente estratificada e ideologicamente
diferenciada; significa lidar com inúmeras expectativas e projetos
políticos diversos;
c)
para os alunos, a principal mudança refere-se à sua relação com
os professores e com a direção: assumir sua parte de
responsabilidade na direção da escola e do processo pedagógico,
deixando de esperar soluções acabadas e apenas a punição como
saída; compreender que transitar na difícil fronteira entre
liberdade e segurança exige um compromisso com o projeto
educacional, com princípios e também com uma visão mais global e
menos fragmentada da escola;
d)
os professores, descobrindo, (re)descobrindo, inventando, formulando
e aceitando novas premissas, preparam-se para, dialeticamente,
analisar, comparar, estabelecer valores através dos quais avaliam as
diferentes metodologias, mantêm-se atentos para apreciá-los em
relação às posturas teóricas e em relação à sua prática e
contexto, especialmente em situações nas quais a comunidade tem
lugar específico para a construção do currículo.
O
significado social da prática de cada um é capaz de desenvolver a
autonomia e a criatividade na reorganização da escola para melhor
propiciar a sua finalidade: a formação humana de homens e mulheres
nas suas dimensões pessoal e profissional na perspectiva de
contribuir para a democratização da sociedade pela democratização
do saber.
Na
medida em que consegue a participação de todos os seus setores –
educadores, alunos, pais e funcionários – nas decisões a respeito
de seus objetivos e de seu funcionamento, a escola cria melhores
condições para enfrentar os escalões superiores, no sentido de
apropriar-se de autonomia e de recursos. Será muito mais difícil
dizer não de modo autoritário quando a manifestação é de um
grupo que representa todos os segmentos e que esteja fundamentado
pela conscientização que sua própria organização proporciona,
reconhecendo a participação coletiva na gestão escolar como uma
das vias mais legítimas para a melhoria da qualidade do ensino, da
consciência crítica da realidade social para a construção de uma
escola verdadeiramente pública.
sexta-feira, 21 de março de 2014
Pedagogia da Autonomia
PAULO FREIRE - Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. 2002.
CAPÍTULO 1- NÃO HÁ
DOCÊNCIA SEM DISCÊNCIA
A reflexão crítica
da prática é uma exigência da relação teoria/ prática, sem a
qual a teoria irá virando apenas palavras, e a prática, ativismo.
Há um processo a ser
considerado na experiência permanente do educador. No dia-a-dia ele
recebe os conhecimentos – conteúdos acumulados pelo sujeito, o
aluno, que sabe e lhe transmite.
Neste sentido, ensinar
não é transferir conhecimentos, conteúdos, nem formar é ação
pela qual um sujeito criador dá forma, alma a um corpo indeciso e
acomodado. Não há docência sem discência, as duas se explicam e
seus sujeitos, apesar das diferenças, não se reduzem à condição
de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende
ensina ao aprender.
Ensinar é mais que
verbo-transitivo relativo, pede um objeto direto: quem ensina, ensina
alguma coisa; pede um objeto indireto: à alguém, mas também
ensinar inexiste sem aprender e aprender inexiste sem ensinar.
Só existe ensino
quando este resulta num aprendizado em que o aprendiz se tornou capaz
de recriar ou refazer o ensinado, ou seja, em que o que foi ensinado
foi realmente aprendido pelo aprendiz.
Esta é a vivência
autêntica exigida pela prática de ensinar-aprender. É uma
experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica,
pedagógica, estética e ética.
Nós somos “seres
programados, mas, para aprender” (François Jacob). O processo de
aprender pode deflagrar no aprendiz uma curiosidade crescente que
pode torná-lo mais e mais criador, ou em outras palavras: quanto
mais criticamente se exerça a capacidade de aprender tanto mais se
constrói e desenvolve a “curiosidade epistemológica”, sem a
qual não alcançamos o conhecimento cabal do objeto.
1. ENSINAR EXIGE
RIGOROSIDADE METODOLÓGICA
O educador democrático,
crítico, em sua prática docente deve forçar a capacidade de
crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. Trabalhar
com os
educandos a
rigorosidade metódica com que devem se “aproximar” dos objetos
cognoscíveis, é uma de suas tarefas primordiais. Para isso, ele
precisa ser um educador criador, instigador, inquieto, rigorosamente
curioso, humilde e persistente. Deve ser claro para os educandos que
o educador já teve e continua tendo experiência de produção de
certos saberes e que estes não podem ser simplesmente transferidos a
eles.
Educador e educandos,
lado a lado, vão se transformando em reais sujeitos da construção
e da reconstrução do saber. É impossível tornar-se um professor
crítico, aquele que é mecanicamente um memorizador, um repetidor de
frases e idéias inertes, e não um desafiador. Pensa mecanicamente.
Pensa errado. A verdadeira leitura me compromete com o texto que a
mim se dá e a que me dou e de cuja compreensão fundamental me vou
tornando também sujeito.
Só pode ensinar certo
quem pensa certo, mesmo que às vezes, pense errado. E uma das
condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiados
certos de nossas certezas. O professor que pensa certo deixa
transparecer aos educandos a beleza de estarmos no mundo e com o
mundo, como seres históricos, intervindo no mundo e conhecendo -o
.Contudo, nosso conhecimento do mundo tem historicidade. Ao ser
produzido, o conhecimento novo supera outro que antes foi novo e se
fez velho, e se “dispõe” a ser ultrapassado por outro amanhã.
Ensinar, aprender e
pesquisar lidam com dois momentos do ciclo gnosiológico: o momento
em que se ensina e se aprende o conhecimento já existente, e o
momento em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não
existente.
É a prática da
“do-discência”: docência- discência e pesquisa.
2. ENSINAR EXIGE
PESQUISA Não há ensino sem pesquisa, nem pesquisa sem ensino.
Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco,
porque indaguei, porque indago e me indago. Educo e me educo.
Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e para comunicar o
novo.
3. ENSINAR EXIGE
RESPEITO AOS SABERES DO EDUCANDO A escola deve respeitar os saberes
socialmente construídos pelos alunos na prática comunitária.
Discutir com eles a razão de ser de alguns saberes em relação ao
ensino dos conteúdos. Discutir os problemas por eles vividos.
Estabelecer uma intimidade entre os saberes curriculares fundamentais
aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos.
Discutir as implicações políticas e ideológicas, e a ética de
classe relacionada a descasos.
4. ENSINAR EXIGE
CRITICIDADE Entre o saber feito de pura experiência e o resultante
dos procedimentos metodicamente rigorosos, não há uma ruptura, mas
uma superação que se dá na medida em que a curiosidade ingênua,
associada ao saber do senso comum, vai sendo substituída pela
curiosidade crítica ou epistemológica que se rigoriza
metodicamente.
5. ENSINAR EXIGE
ESTÉTICA E ÉTICA Somos seres históricos – sociais, capazes de
comparar, valorizar, intervir, escolher, decidir, romper e por isso,
nos fizemos seres éticos. Só somos porque estamos sendo.
Transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é
amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício
educativo: o seu caráter formador. Se se respeita a natureza do ser
humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação
moral do educando. Divinizar ou diabolizar a tecnologia ou a ciência
é uma forma altamente negativa e perigosa de pensar errado.
Pensar certo demanda
profundidade na compreensão e interpretação dos fatos. Não é
possível mudar e fazer de conta que não mudou. Coerência entre o
pensar certo e o agir certo. Não há pensar certo à margem de
princípios éticos, se mudar é uma possibilidade e um direito, cabe
a quem muda, assumir a mudança operada
6. ENSINAR EXIGE A
CORPOREIFICAÇÃO DA PALAVRA PELO EXEMPLO
O professor que ensina
certo não aceita o “faça o que eu mando e não o que eu faço”.
Ele sabe que as palavras às quais falta corporeidade do exemplo
quase nada valem. É preciso uma prática testemunhal que confirme o
que se diz em lugar de desdizê-lo.
7. ENSINAR EXIGE RISCO,
ACEITAÇÃO DO NOVO E REJEIÇÃO A QUALQUER FORMA DE DISCRIMINAÇÃO
- O novo não pode ser negado ou acolhido só porque é novo, nem o
velho recusado, apenas por ser velho. O velho que preserva sua
validade continua novo.
A prática
preconceituosa de raça, classe, gênero ofende a substantividade do
ser humano e nega radicalmente a democracia.
Ensinar a pensar certo
é algo que se faz e que se vive enquanto dele se fala com a força
do testemunho; exige entendimento co-participado. É tarefa do
educador desafiar o educando com quem se comunica e a quem comunica,
produzindo nele compreensão do que vem sendo comunicado. O pensar
certo é intercomunicação dialógica e não polêmica.
8 ENSINAR EXIGE
REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE A PRÁTICA - Envolve o movimento dinâmico,
dialético entre o fazer e o pensar sobre o fazer. É fundamental que
o aprendiz da prática docente saiba que deve superar o pensar
ingênuo, assumindo o pensar certo produzido por ele próprio,
juntamente com o professor formador. Por outro lado, ele deve
reconhecer o valor das emoções, da sensibilidade, da afetividade,
da intuição.
Através da reflexão
crítica sobre a prática de hoje ou de ontem é que se pode melhorar
a próxima prática. E, ainda, quanto mais me assumo como estou sendo
e percebo a razão de ser como estou sendo, mais me torno capaz de
mudar, de promover-me do estado da curiosidade ingênua para o de
curiosidade epistemológica. Decido, rompo, opto e me assumo.
9. ENSINAR EXIGE O
RECONHECIMENTO E A ASSUNÇÃO DA IDENTIDADE CULTURAL - Uma das
tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar
condições para que os educandos em suas relações sejam levados à
experiências de assumir-se. Como ser social e histórico, ser
pensante, transformador, criador, capaz de ter raiva porque capaz de
amar.
A questão da
identidade cultural não pode ser desprezada. Ela está relacionada
com a assunção do indivíduo por ele mesmo e se dá, através do
conflito entre forças que obstaculizam essa busca de si e as que
favorecem essa assunção.
Isto é incompatível
com o treinamento pragmático, com os que se julgam donos da verdade
e que se preocupam quase exclusivamente com os conteúdos.
Um simples gesto do
professor pode impulsionar o educando em sua formação e
auto-formação. A experiência informal de formação ou deformação
que se vive na escola, não pode ser negligênciada e exige reflexão.
Experiências vividas nas ruas, praças, trabalho, salas de aula,
pátios e recreios são cheias de significação.
CAPÍTULO 2 - ENSINAR
NÃO É TRANSFERIR CONHECIMENTO
. . . mas, criar
possibilidades ao aluno para sua própria construção. Este é o
primeiro saber necessário à formação do docente, numa perspectiva
progressista. É uma postura difícil a assumir diante dos outros e
com os outros, face ao mundo e aos fatos, ante nós mesmos. Fora
disso, meu testemunho perde eficácia.
1. ENSINAR EXIGE
CONSCIÊNCIA DO INACABAMENTO - Como professor crítico sou
predisposto à mudança, à aceitação do diferente. Nada em minha
experiência docente deve necessariamente repetir-se. A inconclusão
é própria da experiência vital. Quanto mais cultural o ser, maior
o suporte ou espaço ao qual o ser se prende “afetivamente” em
seu desenvolvimento. O suporte vai se ampliando, vira mundo e a vida,
existência na medida em que ele se torna consciente, apreendedor,
transformador, criador de beleza e não de “espaço” vazio a ser
preenchido por conteúdos.
A existência envolve
linguagem, cultura, comunicação em níveis profundos e complexos; a
“espiritualização”, possibilidade de embelezar ou enfear o
mundo faz
dos homens seres
éticos, portanto capazes de intervir no mundo, de comparar, ajuizar,
decidir, romper, escolher. Seres capazes de grandes ações, mas
também de grandes baixezas. Não é possível existir sem assumir o
direito e o dever de optar, decidir, lutar, fazer política.
Daí a imperiosidade da
prática formadora eminentemente ética. Posso ter esperança, sei
que é possível intervir para melhorar o mundo. Meu “destino”
não é predeterminado, ele
precisa ser feito e
dessa responsabilidade não posso me eximir. A História em que me
faço com os outros e dela tomo parte é um tempo de possibilidades,
de problematização do futuro e não de inexorabilidade.
2. ENSINAR EXIGE O
RECONHECIMENTO DE SER CONDICIONADO
É o saber da nossa
inconclusão assumida. Sei que sou inacabado, porém consciente
disto, sei que posso ir mais além, através da tensão entre o que
herdo geneticamente e o que herdo social, cultural e historicamente.
Lutando deixo de ser apenas objeto, para ser também sujeito da
História.
A consciência do mundo
e de si como ser inacabado inscrevem o ser num permanente movimento
de busca. E nisto se fundamenta a educação como processo
permanente.
Na experiência
educativa aberta à procura, educador e alunos curiosos,
“programados, mas para aprender”, exercitarão tanto melhor sua
capacidade de aprender e ensinar, quanto mais se façam sujeitos e
não puros objetos do processo.
3. ENSINAR EXIGE
RESPEITO À AUTONOMIA DO SER DO EDUCANDO
. . . à sua dignidade
e identidade. Isto é um imperativo ético e qualquer desvio nesse
sentido é uma transgressão. O professor autoritário e o licencioso
são transgressores da eticidade. Ensinar, portanto, exige respeito à
curiosidade e ao gosto estético do educando, à sua inquietude,
linguagem, às suas diferenças. O professor não pode eximir-se de
seu dever de propor limites à liberdade do aluno,
nem de ensiná-lo. Deve
estar respeitosamente presente à sua experiência formadora.
4. ENSINAR EXIGE BOM
SENSO - Quanto mais pomos em prática de forma metódica nossa
capacidade de indagar, aferir e duvidar, tanto mais crítico se faz
nosso bom senso. Esse exercício vai superando o que há de
instintivo na avaliação que fazemos de fatos e acontecimentos. O
bom senso tem papel importante na nossa tomada de posição em face
do que devemos ou não fazer, e a ele não pode faltar a ética.
5. ENSINAR EXIGE
HUMILDADE, TOLERÂNCIA E LUTA EM DEFESA DOS DIREITOS DOS EDUCADORES -
A luta dos professores em defesa de seus direitos e dignidade, deve
ser entendida como um momento importante de sua prática docente,
enquanto prática ética. Em conseqüência do desprezo a que é
relegada a prática pedagógica, não posso desgostar do que faço
sob pena de não fazê-lo bem. Necessito cultivar a humildade e a
tolerância, afim de manter meu respeito de professor ao educando. É
na competência de profissionais idôneos que se organiza
politicamente a maior força dos educadores. É preciso priorizar o
empenho de formação permanente dos quadros do magistério como
tarefa altamente política, e repensar a eficácia das greves.
Não é parar de lutar,
mas reinventar a forma histórica de lutar.
6. ENSINAR EXIGE
APREENSÃO DA REALIDADE - Preciso conhecer as diferentes dimensões
da prática educativa, tornando-me mais seguro em meu desempenho. O
homem é um ser consciente que usa sua capacidade de aprender não
apenas para se adaptar, mas sobretudo para transformar a realidade.
A memorização
mecânica não é aprendizado verdadeiro do conteúdo. Somos os
únicos seres que social e historicamente, nos tornamos capazes de
apreender. Para nós, aprender é aventura criadora, é construir,
reconstruir, constatar para mudar, e isto não se faz sem abertura ao
risco.
O papel fundamental do
professor progressista é contribuir positivamente para que o
educando seja artífice de sua formação, e ajudá-lo nesse empenho.
Deve estar atento à difícil passagem da heteronomia para a
autonomia para não perturbar a busca e investigações dos educandos
7. ENSINAR EXIGE
ALEGRIA E ESPERANÇA - Esperança de que professor e alunos juntos
podem aprender, ensinar, inquietar-se, produzir e também resistir
aos obstáculos à alegria. O homem é um ser naturalmente
esperançoso. A esperança crítica é indispensável à experiência
histórica que só acontece onde há problematização do futuro. Um
futuro não determinado, mas que pode ser mudado.
8. ENSINAR EXIGE A
CONVICÇÃO DE QUE A MUDANÇA É POSSÍVEL É o saber da História
como possibilidade e não como determinação. O mundo não é, está
sendo. Meu papel histórico não é só o de constatar o que ocorre,
mas também o de intervir como sujeito de ocorrências. Constato não
para me adaptar, mas para mudar a realidade.
A partir desse saber é
que vamos programar nossa ação político-pedagógica, seja qual for
o projeto a que estamos comprometidos. Desafiando os grupos populares
para que percebam criticamente a violência e a injustiça de sua
situação concreta; e que também percebam que essa situação,
ainda que difícil, pode ser mudada. Como educador preciso considerar
o saber de “experiência feito” pelos grupos populares, sua
explicação do mundo e a compreensão de sua própria presença
nele. Tudo isso vem explicitado na “leitura do mundo” que precede
a “leitura da palavra”.
Contudo, não posso
impor a esses grupos meu saber como o verdadeiro. Mas, posso dialogar
com eles, desafiando-os a pensar sua história social e a perceber a
necessidade de superarem certos saberes que se revelam inconsistentes
para explicar os fatos.
9. ENSINAR EXIGE
CURIOSIDADE - Procedimentos autoritários ou paternalistas impedem o
exercício da curiosidade do educando e do próprio educador. O bom
clima pedagógico-democrático levará o educando a assumir
eticamente limites, percebendo que sua curiosidade não tem o direito
de invadir a privacidade do outro, nem expô-la aos demais. Como
professor devo saber que sem a curiosidade que me move, não aprendo
nem ensino. É fundamental que alunos e professor se assumam
epistemologicamente curiosos. Saibam que sua postura é dialógica,
aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto fala ou ouve.
O exercício da
curiosidade a faz mais criticamente curiosa, mais metodicamente
“perseguidora” do seu objetivo. Quanto mais a curiosidade
espontânea se intensifica e se “rigoriza”, tanto mais
epistemologicamente vai se tornando. Um dos saberes fundamentais à
prática educativo-crítica é o que adverte da necessária promoção
da curiosidade espontânea para curiosidade epistemológica.
CAPÍTULO 3 - ENSINAR É
UMA ESPECIFICIDADE HUMANA
1. ENSINAR EXIGE
SEGURANÇA, COMPETÊNCIA PROFISSIONAL E GENEROSIDADE - A Segurança é
fundamentada na competência profissional, portanto a incompetência
profissional desqualifica a autoridade do professor. A autoridade
deve fazer-se generosa e não arrogante. Deve reconhecer a eticidade.
O educando que exercita sua liberdade vai se tornando tão mais livre
quanto mais eticamente vá assumindo as responsabilidades de suas
ações. Testemunho da autoridade democrática deixa claro que o
fundamental é a construção, pelo indivíduo, da responsabilidade
da liberdade que ele assume. É o aprendizado da autonomia.
2. ENSINAR EXIGE
COMPROMETIMENTO - A maneira como os alunos me percebem tem grande
importância para o meu desempenho. Não há como sendo
professor não revelar
minha maneira de ser, de pensar politicamente, diante de meus alunos.
Assim, devo preocupar-me em aproximar cada vez mais o que digo do que
faço e o que pareço ser do que realmente estou sendo.
Minha presença é uma
presença em si política, e assim sendo, não posso ser uma omissão,
mas um sujeito de opções. Devo revelar aos alunos, minha capacidade
de analisar, comparar, avaliar; de fazer justiça, de não falhar à
verdade. Meu testemunho tem que ser ético. O espaço pedagógico
neutro prepara os alunos para práticas apolíticas. A maneira humana
de se estar no mundo não é, nem pode ser neutra.
3. ENSINAR EXIGE
COMPREENDER QUE A EDUCAÇÃO É UMA FORMA DE INTERVENÇÃO NO MUNDO -
Implica tanto o esforço de reprodução da ideologia dominante
quanto seu desmascaramento. Como professor minha prática exige de
mim uma definição. Decisão. Ruptura. Como professor sou a favor da
luta contra qualquer forma de discriminação, contra a dominância
econômica dos indivíduos ou das classes sociais, etc. Sou a favor
da esperança que me anima apesar de tudo. Não posso reduzir minha
prática docente ao puro ensino dos conteúdos, pois meu testemunho
ético ao ensiná-los é igualmente importante. É o respeito ao
saber de “experiência feito” dos alunos, o qual busco superar
com eles. É coerência entre o que digo, o que escrevo e o que faço.
4. ENSINAR EXIGE
LIBERDADE E AUTORIDADE - A autonomia vai se constituindo na
experiência de várias e inúmeras decisões que vão sendo tomadas.
Vamos amadurecendo todo dia, ou não. A autonomia, enquanto
amadurecimento do ser por si, é processo; é vir a ser. Não posso
aprender a ser eu mesmo se não decido nunca porque há sempre alguém
decidindo por mim.
Quanto mais
criticamente assumo a liberdade, tanto mais autoridade ela tem para
continuar lutando em seu nome.
5. ENSINAR EXIGE TOMADA
CONSCIENTE DE DECISÕES - A educação, especificidade humana é um
ato de intervenção no mundo. Tanto intervenções que aspiram
mudanças radicais na sociedade, no campo da economia, das relações
humanas, da propriedade, do direito ao trabalho, à terra, à
educação, etc. quanto as que pelo contrário, pretendem imobilizar
a História e manter a ordem injusta.
A educação não vira
política por causa da decisão deste ou daquele educador. Ela é
política e sua raiz se acha na própria educabilidade do ser humano,
que se funde na sua natureza inacabada e da qual se tornou
consciente. O ser humano, assim se tornou um ser ético, um ser de
opção, de decisão.
Diante da
impossibilidade da neutralidade da educação, é importante que o
educador saiba que se a educação não pode tudo, alguma coisa
fundamental ela pode. O educador crítico pode demonstrar que é
possível mudar o país. E isto reforça nele a importância de sua
tarefa político-pedagógica. Ele sabe o valor que tem para a
modificação da realidade, a maneira consistente com que vive sua
presença no mundo. Sabe que sua experiência na escola é um momento
importante que precisa ser autenticamente vivido.
6. ENSINAR EXIGE SABER
ESCUTAR - Aprendemos a escutar escutando. Somente quem escuta
paciente e criticamente o outro, fala com ele, e sem precisar se
impor. No processo da fala e escuta, a disciplina do silêncio a ser
assumido a seu tempo pelos sujeitos que falam e escutam é um “sine
qua” da comunicação dialógica. É preciso que quem tem o que
dizer saiba, que sem escutar o que quem escuta tem igualmente a
dizer, termina por esgotar sua capacidade de dizer. Quem tem o que
dizer deve assim, desafiar quem escuta, no sentido de que, quem
escuta diga, fale, responda.
O espaço do educador
democrático, que aprende a falar escutando, é cortado pelo silêncio
intermitente de quem falando, cala para escutar a quem, silencioso, e
não silenciado, fala.
Não há inteligência
da realidade sem a possibilidade de ser comunicada. O professor
autoritário que recusa escutar os alunos, impede a afirmação do
educando como sujeito de conhecimento. Como arquiteto de sua própria
prática cognoscitiva.
7. ENSINAR EXIGE
RECONHECER QUE A EDUCAÇÃO É IDEOLÓGICA
Ideologia tem que ver
diretamente com a ocultação da verdade dos fatos, com o uso da
linguagem para opacizar a realidade, ao mesmo tempo que nos torna
“míopes”. Sabemos que há algo no meio da penumbra, mas não o
divisamos bem. Outra possibilidade que temos é a de docilmente
aceitar que o que vemos e ouvimos é o que na verdade é, e não a
verdade distorcida.
Por exemplo, o discurso
da globalização que fala da ética, esconde porém, que a sua ética
é a do mercado e não a ética universal do ser humano, pela qual
devemos lutar se optamos, na verdade, por um mundo de gente.
A teoria da
transformação político-social do mundo, deve fazer parte de uma
compreensão do homem enquanto ser fazedor da História, e por ela
feito, ser da decisão, da ruptura, da opção. Seres éticos.
Os avanços científicos
e tecnológicos devem ser colocados a serviço dos seres humanos.
Para superar a crise em que nos achamos, impõe-se o caminho ético.
Como professor, devo
estar advertido do poder do discurso ideológico. Ele nos ameaça de
anestesiar a mente, de confundir a curiosidade, de distorcer a
percepção dos fatos, das coisas. No exercício crítico de minha
resistência ao poder manhoso da ideologia, vou gerando certas
qualidades que vão virando sabedoria indispensável à minha prática
docente. Me predisponho a uma atitude sempre aberta aos demais, aos
dados da realidade, por um lado; e por outro, a uma desconfiança
metódica que me defende de tornar-me absolutamente certo de
certezas.
8. ENSINAR EXIGE
DISPONIBILIDADE PARA O DIÁLOGO Como professor devo testemunhar aos
alunos a segurança com que me comporto ao discutir um tema, analisar
um fato. Aberto ao mundo e aos outros, estabeleço a relação
dialógica em que se confirma a inconclusão no permanente movimento
na História. Postura crítica diante dos meios de comunicação não
pode faltar. Impossível a neutralidade nos processos de comunicação.
Não podemos desconhecer a televisão, mas devemos usá-la,
sobretudo, discuti-la.
9. ENSINAR EXIGE QUERER
BEM AOS EDUCANDOS Querer bem aos educandos e à própria prática
educativa de que participo. Essa abertura significa que a afetividade
não me assusta, que não tenho medo de expressá-la. Seriedade
docente e afetividade não são incompatíveis. Aberto ao querer bem
significa minha disponibilidade à alegria de viver. Quanto mais
metodicamente rigoroso me torno na minha busca e minha docência,
tanto mais alegre e esperançoso me sinto.
Conclusão
O conhecimento
adquirido através da obra de Paulo Freire é com certeza um fator
auxiliador no desenvolvimento das práticas educacionais, de
enfermagem e de vida.
Esta obra é um convite
ao exercício da auto-avaliação e conscientização de valores
sociais, respeito, da forma de educar e de agir.
compreensão, ética e
responsabilidade
É uma obra que merece
respeito tanto de educadores, aducandos, e também todos os
envolvidos com o comprometimento de mudar para melhor, de contribuir
para a conscientização de um mundo melhor. Com respeito,
Através deste livro
obtemos a certeza de que devemos lutar pelos nossos direitos, com o
objetivo de viver e fazer outros viverem dignamente.
É um alerta para o
aperfeiçoamento como indivíduos e cidadãos. Ter competência para
atuar com segurança. Ter humildade para aprender. Ter compreensão
para escutar, ter carinho para doar amor. Ter autoridade para se
fazer respeitar com democracia.
É um estímulo que
deve ser aperfeiçoado todos os dias. Fazer o que se gosta. Batalhar
pelo que se quer. Defender o que ou quem necessita.
Questionar o que vem
sendo a nossa vida, e mudar para melhor. De contribuir para uma
sociedade mais benevolente e justa.
Fazer como Paulo Freire
preocupar-se, lutar para fazer a diferença.
Pois a grandeza de um
Homem não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem
consciência de que não sabe e está disposto a aprender!
Bibliografia
FREIRE, Paulo Pedagogia
da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo:
Paz e Terra, 2002.
Pesquisa web (Biografia
do autor)
http://www.smec.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espacoeducar/ensino-fundamental/educ-jovens-adultos/artigos/biografia.pdf
Educação e aprendizagem no século XXI
Educação
e aprendizagem no século XXI: novas ferramentas, novos cenários,
novas finalidades.
COLL, César; MONEREO, Carles.
Consequência
do impacto das TIC na sociedade da informação (SI) que tem reflexos
de ordem econômica, social, política e cultural. Defende ainda que
“a internet não é apenas uma ferramenta de comunicação e de
busca, processamento e transmissão de informações que oferece
alguns serviços extraordinários; ela constitui, além disso, um
novo e complexo espaço global para a ação social e, por extensão,
para o aprendizado e para a ação educacional.
O
desenvolvimento de economias globais, as políticas nacionais de
apoio à internet, a crescente alfabetização digital da população
e o melhoramento gradual das infraestruturas tecnológicas.
Para
se ter ideia da dimensão destas forças, os autores afirmam que “A
facilidade para se comunicar e trocar informações, junto com a
enorme redução de custos que isso traz consigo, vem ocasionando,
por exemplo, que alguns países tenham passado diretamente de uma
economia centrada na agricultura para outra baseada nas TIC.
Todas
as TIC repousam sobre o mesmo princípio: a possibilidade de utilizar
sistemas de signos – linguagem oral, linguagem escrita, imagens
estáticas, imagens em movimento, símbolos matemáticos, notações
musicais, etc. - para representar uma determinada informação e
transmiti-la. Para além dessa base comum, contudo, as TIC diferem
profundamente entre si quanto às suas possibilidades e limitações
para representar a informação, assim como no que se refere a outras
características relacionadas à transmissão dessa informação
(quantidade, velocidade, acessibilidade, distância, coordenadas
espaciais e temporais, etc.), e essas diferenças têm, por sua vez,
implicações do ponto de vista educacional.
1)
Linguagem natural (fala e gestualidade), caracteriza-se pela
necessidade de adaptação do homem primitivo a um meio adverso e
hostil, no qual o trabalho coletivo era crucial e a possibilidades de
se comunicar de maneira clara e eficiente se constituía em um
requisito indispensável. A transmissão oral, como único sistema de
comunicação, dependia de alguns requisitos essenciais: os falantes
deviam coincidir no tempo e no espaço e precisavam estar fisicamente
presentes; as habilidades que precisavam possuir eram principalmente
a observação, a memória e a capacidade de repetição. Tais
habilidades estão na origem de algumas modalidades educacionais e de
alguns métodos de ensino e aprendizagem – a imitação, a
declamação e a transmissão e reprodução de informação –
muito úteis para fixar e conservar conhecimentos imprescindíveis
não apenas para reproduzir manter a separação entre os diferentes
estamentos sociais que compõem uma sociedade altamente
hierarquizada.
2)
A clara hegemonia do ser humano sobre o restante das espécies; não
mais se trata apenas de sobreviver, mas de adaptar a natureza às
necessidades humanas por meio do desenvolvimento de técnicas
alimentares, de construção, de vestimenta, etc. Privilegiando, por
exemplo, certas espécies animais e vegetais sobre outras por meio da
agricultura e do pastoreio, e influindo desse modo, na seleção
natural. Mais uma vez, a necessidade de registrar certos dados, como
uma memória externa, e de transmitir e compartilhar com outros as
informações, experiências, conselhos, etc., está na origem do
nascimento da escrita, que, embora não exista a presença física
dos interlocutores, requer certa proximidade, dado que primeiro os
mensageiros e depois o correio postal não podiam cobrir distâncias
muito grandes. Tanto a presença tipográfica quanto o correio
revolucionam a sociedade do momento e estão na base da progressiva
industrialização da economia, da migração urbana e da formação
de uma sociedade de massas. Na educação, essas tecnologias de
comunicação encontram seus referenciais em um ensino centrado em
textos e no nascimento dos livros didáticos e do ensino a distância,
por correspondência. A partir desse momento, e até a época atual,
a formação de uma mente alfabetizada, letrada, capaz não penas de
decodificar foneticamente os grafemas como também de compreender os
conteúdos de maneira significativa para utilizá-los, tem sido,
provavelmente, o principal objetivo da educação formal. Com a
chegada dos sistemas de comunicação analógica, primeiro o
telégrafo e, posteriormente, o telefone, o rádio e a televisão, as
barreiras espaciais foram rompidas definitivamente e a troca de
informações em nível planetário passou a ser uma realidade.
A
complexidade, a interdependência e a imprevisibilidade que presidem
as atividades e as relações dos indivíduos, dos grupos, das
instituições e dos países são, junto com a globalização ou
mundialização da economia, características frequentemente
atribuídas à SI;
Os
autores vão afirmar que a possibilidade de acesso às informaçõe
sé um grande avanço, mas sem uma busca eficaz, sem explorá-las
bem, a simples possibilidade de acesso não garante nada.
O
surgimento de novas classes sociais: os “info-ricos” e os
“info-pobres” - Poder-se-ia falar, inclusive, em “info-ricos”
e “info-pobres”, neologismo que se refere àquelas pessoas
providas ou desprovidas do direito da informação.
Novas
ferramentas”, vão apontar três conceitos como sendo pilares das
novas ferramentas: adaptabilidade, mobilidade e cooperação.
Da
acessibilidade e usabilidade à adaptabilidade” os autores vão
afirmar que o desafio agora é que os programas sejam capazes de se
transformar em um alter ego para o aluno – ou para uma equipe de
trabalho – auxiliando-o de modo personalizado em suas tarefas
graças à possibilidade de aprender com suas ações, omissões e
decisões; estamos falando dos chamados “agentes artificiais”. Os
autores defendem ainda a autoria na mão dos próprios usuários.
“Esta corrente, que coloca o usuário na posição de produtor e
difusor de conteúdos, é conhecida com o nome de Web 2.0, em
contraposição à perspectiva anterior de Web 1.0, que conferia ao
usuário um papel de mero consumidor relativamente passivo”.
Do
e-learning ao m-learning”, os autores vão afirmar que “a
progressiva miniaturização das tecnologias, junto com o
desenvolvimento de plataformas móveis e da conexão sem fio,
permitirão que os alunos possam continuar avançando em sua formação
tendo acesso, a qualquer momento, por meio de seu celular, de agendas
eletrônicas, computadores de bolso ou de outros dispositivos, a
documentos, portfólios, fóruns, chats, questionários, webquests,
weblogs, listas de discussão, etc. O m-learning ou ‘escola
nômade’, segundo o termo cunhado por P. Steger, abre imensas
possibilidades para se empreender trabalhos de campo, trocar
reflexões, analisar conjuntamente atuações profissionais que
estejam ocorrendo neste mesmo instante ou para integrar em um
trabalho de equipe pessoas geograficamente afastadas entre si”.
“Da
competição individual à cooperação” os autores vão defender
que “a maioria das atividades humanas socialmente relevantes
incluem um trabalho em grupo. Assim, ser competente, em sua dupla
acepção de que uma tarefa ou responsabilidade compete a alguém e
de que alguém é competente para realizar uma tarefa ou assumir uma
responsabilidade, dificilmente pode ser considerado como um atributo
exclusivamente individual, independente da competência de outros que
estejam, direta ou indiretamente, envolvidos na situação e
influindo e condicionando processos e produtos.
Novos
cenários, os autores vão sinalizar a ubiquidade das tecnologias e
em especial do computador. Ponderam que “não se trata de pôr a
pessoa dentro do mundo fictício gerado pelo computador, mas de
integrar o computador ao nosso mundo humano”.
Novas
finalidades os autores vão inicialmente apresentar duas visões
acerca da relação entre o que se conhece e a questão do emprego
fixo. Após considerar, vai trazer a seguinte provocação: “quais
são as competências que, neste novo cenário, deverão adquirir e
desenvolver as pessoas para poder enfrentar, com garantias de êxito,
os processos de mudança e transformação que estão ocorrendo?”
Como resposta, os autores vão considerar três:
·
Ser capaz de atuar com autonomia;
·
Ser capaz de interagir em grupos socialmente heterogêneos;
·
Ser capaz de utilizar recursos e instrumentos de maneira
interativa;
Cabe
considerar no entanto que “nem tudo o que é tecnologicamente
viável é pertinente em termos educacionais. E poderíamos
acrescentar que nem tudo que é tecnologicamente viável e pertinente
em termos educacionais é realizável em todos os contextos
educacionais”.
A
chave, portanto, não está em comparar o ensino baseado nas TIC com
o ensino presencial, tentando estabelecer as vantagens e
inconvenientes de um ou de outro. Em vez disso, melhor seria
pesquisar como podemos utilizar as TIC para promover a aquisição e
o desenvolvimento das competências que as pessoas precisam ter na
era do conhecimento.
Linhas
emergentes e seus desafios está organizado em três subtópicos que
enfocarão ferramentas, cenários e finalidades.
Ferramentas
previsíveis da Web 1.0 a Web 3.0, os autores vão traçar um
panorama geral das características da Web 1.0 que consiste na “forma
de perceber a internet como um imenso repositório de conteúdos ao
qual os usuários podem acessar para procurar e baixar arquivos,
corresponde, por assim dizer, à infância da rede. Já a expressão
Web 2.0 começou a ser utilizada a partir de 2001 [...]. A rede não
é mais apenas um espaço ao qual ir para procurar e baixar
informação e todo tipo de arquivos a Web 2.0 abre perspectivas de
sumo interessa-se para o desenvolvimento de propostas pedagógicas e
didáticas baseadas em dinâmicas de colaboração e cooperação.
Por fim, os autores vão tecer suas considerações acerca da Web 3.0
ou “Web semântica”. “A Web semântica é uma visão da
internet cuja proposta é de que a informação possa ser
compreensível para – e não apenas localizável e acessível –
os computadores, e isso com a finalidade de que eles possam realizar
exatamente as mesmas tarefas que os humanos e não se limitem apenas,
como realmente fazem agora, a armazenar, buscar, encontrar,
processar, combinar e transferir informação, a Web 3.0 se anuncia
como uma base de dados global capaz de proporcionar recomendações
personalizadas para os usuários diante das perguntas do tipo: a
partir das minhas características psicológicas, físicas,
culturais, orçamentárias, etc., o que eu deveria visitar nesta
cidade? Em que curso de pós-graduação seria conveniente que eu me
matriculasse no ano que vem? Que tipo de plano de aposentadoria eu
deveria contratar? E outras dúvidas como essas.
Cenários
educacionais prováveis: educação sem paredes os autores vão falar
sobre “novos cenários educacionais que se abrem aos nossos olhos e
que questionam o ponto em que exatamente começa e termina a ação
de escolas e professores. [...] tudo aponta na direção de que podem
acabar surgindo três cenários paralelos e claramente
interdependentes.
Em
primeiro lugar, salas de aula e escolas cada vez mais “virtualizadas”
ou seja,, com mais e melhores infraestruturas e equipamentos de TIC e
com projetos pedagógicos e didáticos que tentarão aproveitar as
potencialidades dessas tecnologias para o ensino e a aprendizagem.
Em
segundo lugar, uma expansão das salas de aula e das escolas para
outros espaços (bibliotecas, museus, centros culturais, etc.) nos
quais será possível realizar, com o apoio das TIC, atividades e
práticas com finalidades claramente educacionais – e provavelmente
seja este o cenário que terá um maior desenvolvimento em um futuro
próximo, como consequência do impacto das ferramentas e aplicativos
próprios da Web 2.0 (weblogs, wikis, webquests, portfólios
virtuais, folksonomias, etc.).
Em
terceiro e último lugar, um cenário global e onipresente, uma
espécie de “megaescola” na qual a ubiquidade das TIC e o
desenvolvimento das tecnologias móveis e das redes sem fio tornarão
possível o aprendizado em praticamente qualquer lugar e situação.
Finalidades
potenciais: entre o neoliberalismo e os movimentos sociais vai trazer
em suas linhas, os aspectos negativos das TIC e uma tentativa dos
autores de apontar soluções.
As
TIC e a internet não apenas têm uma importante parcela de
responsabilidade nesta situação, como estão, com muita frequência,
no centro do debate. Assim, por exemplo, em alguns círculos, são
cultivadas posturas – as quais de nossa parte, não duvidamos em
qualificar como maniqueístas e pouco realistas – que apresentam as
escolas como instituições obsoletas que concentram todos os males,
e as TIC e a internet como o remédio capaz de acabar com esses males
e de refundar a instituição escolar. Com as TIC seria possível,
finalmente, fazer com que o mundo real entrasse nas salas de aula e
nas escolas e basear a aprendizagem dos alunos na indagação e na
criatividade. Por trás dessas posturas, frequentemente se escondem,
em nosso juízo, os interesses de grupos econômicos que aspiram a
criar novos consumidores e a usurpar, de passagem, o poder que,
embora enfraquecido, continuam tendo os sistemas de educação
formal. Avivando sentimentos de incompetência e desesperança entre
o professorado, os alunos e suas famílias, esses grupos esperam à
espreita, que as escolas adotem “soluções extremas” alheias às
finalidades da educação escolar, sem perguntar-se sobre o sentido e
o alcance dessa opção.
Outra
frente de debate são as diversas “brechas digitais”, as
distâncias que, surgem na Sociedade da Informação entre os “info
ricos” e os “info pobres”, entre os países e os setores da
população que têm acesso a um uso construtivo, enriquecedor e
criativo das TIC e aqueles que não têm acesso a elas ou que as
acessam apenas como consumidores.
Promovem
uma comunicação de baixa qualidade, basicamente apoiada em textos
escritos;
Restringem
as comunicações emocionais, complexas e expressivas;
Potencializam
as relações sociais superficiais e as vezes favorecem a
irresponsabilidade e a falta de compromisso;
Permitem
a agressão verbal, o insulto e os diversos “ismos” (racismo,
sexismo, etc.);
Tendem
a propagar e reforçar um saber mais instável, profano e mundano
(infoxicação);
Descrédito
da escola como instituição legitimada para conservar, criar e
transmitir do conhecimento e à proposta de substituí-la por
ambientes e professores virtuais por meio do uso generalizado das
TIC;
Falta
de compromisso pessoal e social que, segundo se afirma, as TIC e a
internet, às vezes, têm como efeitos colaterais;
Riscos
de que as TIC e a internet favoreçam o isolamento, potencializem o
flaming e permitam esconder, manipular ou usurpar identidades;
Consequências
negativas derivadas do excesso de informação e aos perigos da
“infoxicação”;
“Brechas
digitais” e o aparecimento de novas fraturas sociais em torno das
TIC.
terça-feira, 18 de março de 2014
O construtivismo na sala de aula
O
construtivismo na sala de aula
COLL,
César e outros.
O
construtivismo não é uma teoria, e sim uma referência explicativa,
composta por diversas contribuições teóricas, que auxilia os
professores nas tomadas de decisões durante o planejamento,
aplicação e a avaliação do ensino.
Os
profissionais da educação devem utilizá-lo como auxílio na
reflexão sobre a prática pedagógica; sobre o como se aprende e se
ensina, considerando-se o contexto em que os agentes educativos estão
inseridos.
O
trabalho coletivo dos professores, normas e finalidades
compartilhadas, uma direção que tome decisões de forma colegiada,
materiais didáticos preparados em conjunto, a formação continuada
e a participação dos pais são pontos essenciais para a construção
da escola de qualidade.
Aprender
não é copiar ou reproduzir, mas elaborar uma representação
pessoal da realidade a partir de experimentações e conhecimentos
prévios. É preciso aprender significativamente, ou seja, não
apenas acumular conhecimentos, mas construir significados próprios a
partir do relacionamento entre a experiência pessoal e a realidade.
No
entanto, um bom caminho a seguir é compreender que além dos
aspectos cognitivos, a aprendizagem envolve aspectos
afetivo-relacionais. Ao construir os significados pessoais sobre a
realidade, constrói-se também o conceito que se tem de você mesmo
(autoconceito) e a estima que se professa (auto-estima),
características relacionadas ao equilíbrio pessoal.
É
preciso conhecer as características da tarefa trabalhada, o que se
pretende com determinado conteúdo e a sua necessidade.
Quando
se inicia um processo educativo, as mentes dos alunos não estão
vazias de conteúdo como lousas em branco. Ao contrário, quando
chegam à sala de aula os alunos já possuem conhecimentos prévios
advindos da experiência pessoal. Na concepção construtivista é a
partir desses conhecimentos que o aluno constrói e reconstrói novos
significados.
Esse
deve ser o início do processo educativo: conhecer o que se tem para
que se possa, sobre essa base, construir o novo.
O
que faz com que o aluno e a aluna aprendam os conteúdos escolares?
1)
Conhecer as respostas corretas.
2)
Adquirir os conhecimentos relevantes.
3)
Construir conhecimentos.
O
processo de construção do conhecimento, deve ajustar-se a esse
processo de construção: 1) A de levar em conta os esquemas de
conhecimento dos alunos
2)
E, ao mesmo tempo, propor desafios que levem os alunos a questionarem
esses conhecimentos prévios.
Para
o trabalho com os conceitos acima arrolados, indicam-se os seguintes
pontos:
1)
Inserir atividades significativas na aula;
2)
Possibilitar a participação de todos os alunos nas diferentes
atividades, mesmo que os níveis de competência, conhecimento e
interesses forem diferenciados;
3)
Trabalhar com as relações afetivas e emocionais;
4)
Introduzir modificações e ajustes ao logo da realização das
atividades;
5)
Promover a utilização e o aprofundamento autônomo dos
conhecimentos que os alunos estão aprendendo;
6)
Estabelecer relações entre os novos conteúdos e os conhecimentos
prévios dos alunos;
7)
Utilizar linguagem clara e objetiva evitando mal-entendidos ou
incompreensões;
8)
Recontextualizar e reconceitualizar a experiência.
segunda-feira, 17 de março de 2014
SIGNIFICADO E SENTIDO NA APRENDIZAGEM ESCOLAR
SIGNIFICADO
E SENTIDO NA APRENDIZAGEM ESCOLAR
César
Coll
Resumo:
Apenas a aprendizagem significativas conseguem promover o
desenvolvimento pessoal dos alunos.
1)
Auto-estruturação do conhecimento, isto é, vêem o aluno como o
responsável último do seu próprio processo de aprendizagem.
2)
Aprendizagem por descobrimento, defendem o princípio de que o aluno
adquira o conhecimento com seus próprios meios.
3) O
"princípio fundamental dos métodos ativos: compreender é
inventar ou reconstruir por reinvenção".
A
proposta de confrontar o aluno com situações que possuem uma série
de características (novidade, complexidade, ambigüidade,
incongruência, etc.) suscetíveis de ativar a motivação intrínseca
e, deste modo, provocar uma curiosidade epistêmica e uma atividade
exploratória dirigida a reduzir o conflito conceitual, a incerteza e
a tensão gerada pelas características da situação.
O
ensino não-diretivo ou de ensino centrado no aluno. Esta proposta,
que se caracteriza, entre outras coisas, por acolher a aspiração
ancestral de uma educação adaptada às necessidades de cada
indivíduo.
Denomina de aprendizagem extrínseca à aquisição de conteúdos
externos à pessoa, impostos culturalmente, alheios à sua identidade
e que pouco ou nada têm a ver com o que há de peculiar,
idiossincrático, de definitório, em cada ser humano.
As
orientações para erradicar a aprendizagem extrínseca da educação
formal são bem conhecidas: que os alunos decidam por si mesmos o que
querem aprender, pois só eles podem saber o que se adapta melhor à
sua individualidade, às suas necessidades básicas, dar prioridade
ao objetivo de aprender a aprender antes do objetivo de habilidades
ou conteúdos, praticar a auto-avaliação como a única forma de
avaliação relevante, prestar uma atenção especial à educação
da sensibilidade e dos sentimentos, eliminar qualquer componente
ameaçador das situações de aprendizagem, etc. A polissemia do
conceito, a diversidade de significações que tem ido se acumulando,
explica, em grande parte, o seu atrativo e a sua utilização
generalizada e obriga, ao mesmo tempo, a se manter uma prudente
reserva.
O
conceito de aprendizagem significativa possui, a nosso ver, um grande
valor heurístico e encerra uma enorme potencialidade como
instrumento de análise, de reflexão e de intervenção
psicopedagógica. O seu interesse não reside, pois, tanto nas
soluções que contribui como na nova perspectiva que conduz a adotar
no estudo dos processos de ensino/aprendizagem. É precisamente este
valor heurístico, esta potencialidade como instrumento de análise e
de reflexões, o que tentaremos ilustrar, seguidamente indagando três
aspectos ou componentes do conceito de aprendizagem significativa a
que podem nos permitir avançar até uma delimitação mais precisa
do mesmo.
1-
APRENDIZAGEM ESCOLAR E CONSTRUÇÃO DE SIGNIFICADOS
Falar de aprendizagem significativa equivale, antes de tudo, a pôr
em relevo o processo de construção de significados como elemento
central do processo de ensino/aprendizagem.
O
aluno aprende um conteúdo qualquer quando é capaz de atribuir-lhe
um significado.
Quando
aprende de uma forma puramente memorística e é capaz de repeti-los
ou de utilizá-los mecanicamente sem entender em absoluto o que está
dizendo ou o que está fazendo.
A
maioria das vezes, no entanto, o que acontece é que o aluno é capaz
de atribuir unicamente significados parciais ao que aprende: o
conceito aprendido não significa exatamente o mesmo para o professor
que o ensinou que para o aluno que o aprendeu, não tem as mesmas
implicações, nem o mesmo poder explicativo para ambos, que não
podem utilizá-los ou aplicá-lo em igual extensão e profundidade.
Construímos significados cada vez que somos capazes de estabelecer
relações não arbitrárias entre o que aprendemos e o que já
conhecemos.
Construímos significados integrando ou assimilando o novo material
de aprendizagem aos que já possuímos de compreensão da realidade.
A primeira condição é que o conteúdo possua uma certa estrutura
interna, uma certa, lógica intrínseca, um significado em si mesmo.
Dificilmente o aluno poderá construir significados se o conteúdo de
aprendizagem é vago, está pouco estruturado ou é arbitrário; isto
é, se não é potencialmente significativo do ponto de vista lógico.
Requer-se ainda uma segunda condição, é necessário que o conteúdo
seja potencialmente significativo do ponto de vista psicológico.
A
atitude favorável para a aprendizagem significativa faz referência
a uma intencionalidade do aluno para relacionar o novo material de
aprendizagem com o que já conhece, com os conhecimentos adquiridos
previamente, com os significados já construídos.
O
conceito de aprendizagem significativa implica numa mudança de
perspectiva na solução dada ao clássico problema pedagógico da
preparação ou disponibilidade (readiness) para a aprendizagem
escolar e sobretudo, das experiências prévias de aprendizagem,
tanto escolares como extra-escolares.
2-
SIGNIFICADO E SENTIDO NA APRENDIZAGEM ESCOLAR
Utilizamos o termo "sentido" com a finalidade de sublinhar
o caráter experiencial que, em boa lógica construtivista, impregna
a aprendizagem escolar. A percepção que o aluno tem de uma
atividade concreta e particular de aprendizagem não coincide
necessariamente com a que o professor tem; os objetivos do professor
e do aluno, as suas intenções e as suas motivações ao propô-la e
participar dela são em geral diferentes.
A
construção de significados implica o aluno em sua totalidade.
Três
maneiras típicas de abordar ou focalizar as tarefas de aprendizagem,
que denominam respectivamente, de enfoque em profundidade (deep
aproach) porque os alunos mostram um elevado grau de implicação no
conteúdo, enfoque superficial (surface aproach) preocupam-se
sobretudo em memorizar a informação cuja lembrança, supõem será
avaliada posteriormente, e enfoque estratégico (strategic aproach)
intenção de alcançar o máximo rendimento possível na realização
da tarefa mediante a planificação cuidadosa das atividades, do
material necessário, dos esforços e do tempo disponível.
A
maneira como o professor apresenta a tarefa e sobretudo, a
interpretação que o aluno faz disto em função de fatores tais
como o autoconceito acadêmico, os seus hábitos de trabalho e de
estudo, os seus estilos de aprendizagem, etc., são, sem dúvida
alguns dos elementos - chave a levar em conta.
3 -
ENSINAR E APRENDER , CONSTRUIR E COMPARTILHAR
A
aprendizagem que o aluno leva a cabo não pode ser entendida
unicamente a partir de uma análise externa e objetiva do que lhe
ensinamos e de como lhe ensinamos, mas também é necessário levar
em conta, além disso, as interpretações subjetivas que o próprio
aluno constrói a este respeito.
Certamente, o aluno é o responsável final da aprendizagem na medida
em que constrói o seu conhecimento, atribuindo sentido e significado
aos conteúdos do ensino, mas é o professor quem determina, com sua
atuação, com o seu ensino, que as atividades nas quais o aluno
participa possibilitem um maior ou menor grau de amplitude e
profundidade dos significados construídos e, sobretudo, quem assume
a responsabilidade de orientar esta construção numa determinada
direção.
Avaliação em educação
Avaliação
em educação.
O
que a escola pode fazer para melhorar seus resultados?
Maria
do Carmo Brant
Quanto
a escola contribui para a educação?
Os
resultados do SAEB –59% das crianças nas 4as séries não sabem
ler.
Os
resultados do PISA realizado em 2003, mostram que 50% dos avaliados
estão abaixo do nível 1 de proficiência.
O
INAF 2001-9% da população, entre 15 e 64 anos, está em situação
de analfabetismo absoluto;
31%
consegue apenas localizar informações em textos curtos;
34%
localiza informações em textos de extensão média;
26%
é capaz de ir além da localização de informações, comparando
partes do mesmo texto ou textos diferentes entre si, realizando
inferências e sínteses.
Ainda
não criamos um meio de devolver os resultados avaliativos para a
ponta do sistema e para as comunidades.
Pela
ausência deste processo devolutivo, é possível inferir que os
dados avaliativos
não
são apropriados pelos professores, pela escola, pelos alunos e pela
comunidade, comprometendo-os a alterar o status quo do baixo
rendimento escolar das crianças e adolescentes brasileiros.
Não
fazem recomendações, ou melhor, não mobilizam estratégias para
operar mudanças nesse quadro desalentador. Também não mapeiam
alterações significativas que já ocorrem na gestão em alguns
municípios e escolas.
No
entanto, é possível potencializar o efeito-escola quando a
instituição é capaz de se unir à família e à comunidade.
O
efeito-escola é expressivo porque elas têm equipes docentes
estáveis, projetos pedagógicos duradouros (contínuos), apostam no
aluno e, por fim, mantêm estreita relação com as comunidades,
realizando aquilo que mais se almeja: uma comunidade de aprendizagem.
Alguns
países da América Latina querem também trabalhar com a parceria
escola-ONG, criando outros espaços de aprendizagem para compor um
tipo de articulação e complementaridade que contemple a
diversidade, a heterogeneidade de seus alunos.
No
Brasil procurando uma articulação maior entre ONGs e escolas para
garantir uma jornada integral de educação.
Todos
reconhecem que a expansão do horário escolar, desejada e indicada
pelo Plano Nacional de Educação, não é tão fácil de se
implantar. Para isso, seria recomendável se fazer uma composição
com as demais políticas sociais públicas e superar este mar de
setorização.
A
educação vai melhorar se for compreendida em sua dimensão
multidimensional e, portanto, se for articulada e integrada a um
projeto de política social mais ampla, com metas claras
para
o desenvolvimento do cidadão brasileiro.
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