Educação
e aprendizagem no século XXI: novas ferramentas, novos cenários,
novas finalidades.
COLL, César; MONEREO, Carles.
Consequência
do impacto das TIC na sociedade da informação (SI) que tem reflexos
de ordem econômica, social, política e cultural. Defende ainda que
“a internet não é apenas uma ferramenta de comunicação e de
busca, processamento e transmissão de informações que oferece
alguns serviços extraordinários; ela constitui, além disso, um
novo e complexo espaço global para a ação social e, por extensão,
para o aprendizado e para a ação educacional.
O
desenvolvimento de economias globais, as políticas nacionais de
apoio à internet, a crescente alfabetização digital da população
e o melhoramento gradual das infraestruturas tecnológicas.
Para
se ter ideia da dimensão destas forças, os autores afirmam que “A
facilidade para se comunicar e trocar informações, junto com a
enorme redução de custos que isso traz consigo, vem ocasionando,
por exemplo, que alguns países tenham passado diretamente de uma
economia centrada na agricultura para outra baseada nas TIC.
Todas
as TIC repousam sobre o mesmo princípio: a possibilidade de utilizar
sistemas de signos – linguagem oral, linguagem escrita, imagens
estáticas, imagens em movimento, símbolos matemáticos, notações
musicais, etc. - para representar uma determinada informação e
transmiti-la. Para além dessa base comum, contudo, as TIC diferem
profundamente entre si quanto às suas possibilidades e limitações
para representar a informação, assim como no que se refere a outras
características relacionadas à transmissão dessa informação
(quantidade, velocidade, acessibilidade, distância, coordenadas
espaciais e temporais, etc.), e essas diferenças têm, por sua vez,
implicações do ponto de vista educacional.
1)
Linguagem natural (fala e gestualidade), caracteriza-se pela
necessidade de adaptação do homem primitivo a um meio adverso e
hostil, no qual o trabalho coletivo era crucial e a possibilidades de
se comunicar de maneira clara e eficiente se constituía em um
requisito indispensável. A transmissão oral, como único sistema de
comunicação, dependia de alguns requisitos essenciais: os falantes
deviam coincidir no tempo e no espaço e precisavam estar fisicamente
presentes; as habilidades que precisavam possuir eram principalmente
a observação, a memória e a capacidade de repetição. Tais
habilidades estão na origem de algumas modalidades educacionais e de
alguns métodos de ensino e aprendizagem – a imitação, a
declamação e a transmissão e reprodução de informação –
muito úteis para fixar e conservar conhecimentos imprescindíveis
não apenas para reproduzir manter a separação entre os diferentes
estamentos sociais que compõem uma sociedade altamente
hierarquizada.
2)
A clara hegemonia do ser humano sobre o restante das espécies; não
mais se trata apenas de sobreviver, mas de adaptar a natureza às
necessidades humanas por meio do desenvolvimento de técnicas
alimentares, de construção, de vestimenta, etc. Privilegiando, por
exemplo, certas espécies animais e vegetais sobre outras por meio da
agricultura e do pastoreio, e influindo desse modo, na seleção
natural. Mais uma vez, a necessidade de registrar certos dados, como
uma memória externa, e de transmitir e compartilhar com outros as
informações, experiências, conselhos, etc., está na origem do
nascimento da escrita, que, embora não exista a presença física
dos interlocutores, requer certa proximidade, dado que primeiro os
mensageiros e depois o correio postal não podiam cobrir distâncias
muito grandes. Tanto a presença tipográfica quanto o correio
revolucionam a sociedade do momento e estão na base da progressiva
industrialização da economia, da migração urbana e da formação
de uma sociedade de massas. Na educação, essas tecnologias de
comunicação encontram seus referenciais em um ensino centrado em
textos e no nascimento dos livros didáticos e do ensino a distância,
por correspondência. A partir desse momento, e até a época atual,
a formação de uma mente alfabetizada, letrada, capaz não penas de
decodificar foneticamente os grafemas como também de compreender os
conteúdos de maneira significativa para utilizá-los, tem sido,
provavelmente, o principal objetivo da educação formal. Com a
chegada dos sistemas de comunicação analógica, primeiro o
telégrafo e, posteriormente, o telefone, o rádio e a televisão, as
barreiras espaciais foram rompidas definitivamente e a troca de
informações em nível planetário passou a ser uma realidade.
A
complexidade, a interdependência e a imprevisibilidade que presidem
as atividades e as relações dos indivíduos, dos grupos, das
instituições e dos países são, junto com a globalização ou
mundialização da economia, características frequentemente
atribuídas à SI;
Os
autores vão afirmar que a possibilidade de acesso às informaçõe
sé um grande avanço, mas sem uma busca eficaz, sem explorá-las
bem, a simples possibilidade de acesso não garante nada.
O
surgimento de novas classes sociais: os “info-ricos” e os
“info-pobres” - Poder-se-ia falar, inclusive, em “info-ricos”
e “info-pobres”, neologismo que se refere àquelas pessoas
providas ou desprovidas do direito da informação.
Novas
ferramentas”, vão apontar três conceitos como sendo pilares das
novas ferramentas: adaptabilidade, mobilidade e cooperação.
Da
acessibilidade e usabilidade à adaptabilidade” os autores vão
afirmar que o desafio agora é que os programas sejam capazes de se
transformar em um alter ego para o aluno – ou para uma equipe de
trabalho – auxiliando-o de modo personalizado em suas tarefas
graças à possibilidade de aprender com suas ações, omissões e
decisões; estamos falando dos chamados “agentes artificiais”. Os
autores defendem ainda a autoria na mão dos próprios usuários.
“Esta corrente, que coloca o usuário na posição de produtor e
difusor de conteúdos, é conhecida com o nome de Web 2.0, em
contraposição à perspectiva anterior de Web 1.0, que conferia ao
usuário um papel de mero consumidor relativamente passivo”.
Do
e-learning ao m-learning”, os autores vão afirmar que “a
progressiva miniaturização das tecnologias, junto com o
desenvolvimento de plataformas móveis e da conexão sem fio,
permitirão que os alunos possam continuar avançando em sua formação
tendo acesso, a qualquer momento, por meio de seu celular, de agendas
eletrônicas, computadores de bolso ou de outros dispositivos, a
documentos, portfólios, fóruns, chats, questionários, webquests,
weblogs, listas de discussão, etc. O m-learning ou ‘escola
nômade’, segundo o termo cunhado por P. Steger, abre imensas
possibilidades para se empreender trabalhos de campo, trocar
reflexões, analisar conjuntamente atuações profissionais que
estejam ocorrendo neste mesmo instante ou para integrar em um
trabalho de equipe pessoas geograficamente afastadas entre si”.
“Da
competição individual à cooperação” os autores vão defender
que “a maioria das atividades humanas socialmente relevantes
incluem um trabalho em grupo. Assim, ser competente, em sua dupla
acepção de que uma tarefa ou responsabilidade compete a alguém e
de que alguém é competente para realizar uma tarefa ou assumir uma
responsabilidade, dificilmente pode ser considerado como um atributo
exclusivamente individual, independente da competência de outros que
estejam, direta ou indiretamente, envolvidos na situação e
influindo e condicionando processos e produtos.
Novos
cenários, os autores vão sinalizar a ubiquidade das tecnologias e
em especial do computador. Ponderam que “não se trata de pôr a
pessoa dentro do mundo fictício gerado pelo computador, mas de
integrar o computador ao nosso mundo humano”.
Novas
finalidades os autores vão inicialmente apresentar duas visões
acerca da relação entre o que se conhece e a questão do emprego
fixo. Após considerar, vai trazer a seguinte provocação: “quais
são as competências que, neste novo cenário, deverão adquirir e
desenvolver as pessoas para poder enfrentar, com garantias de êxito,
os processos de mudança e transformação que estão ocorrendo?”
Como resposta, os autores vão considerar três:
·
Ser capaz de atuar com autonomia;
·
Ser capaz de interagir em grupos socialmente heterogêneos;
·
Ser capaz de utilizar recursos e instrumentos de maneira
interativa;
Cabe
considerar no entanto que “nem tudo o que é tecnologicamente
viável é pertinente em termos educacionais. E poderíamos
acrescentar que nem tudo que é tecnologicamente viável e pertinente
em termos educacionais é realizável em todos os contextos
educacionais”.
A
chave, portanto, não está em comparar o ensino baseado nas TIC com
o ensino presencial, tentando estabelecer as vantagens e
inconvenientes de um ou de outro. Em vez disso, melhor seria
pesquisar como podemos utilizar as TIC para promover a aquisição e
o desenvolvimento das competências que as pessoas precisam ter na
era do conhecimento.
Linhas
emergentes e seus desafios está organizado em três subtópicos que
enfocarão ferramentas, cenários e finalidades.
Ferramentas
previsíveis da Web 1.0 a Web 3.0, os autores vão traçar um
panorama geral das características da Web 1.0 que consiste na “forma
de perceber a internet como um imenso repositório de conteúdos ao
qual os usuários podem acessar para procurar e baixar arquivos,
corresponde, por assim dizer, à infância da rede. Já a expressão
Web 2.0 começou a ser utilizada a partir de 2001 [...]. A rede não
é mais apenas um espaço ao qual ir para procurar e baixar
informação e todo tipo de arquivos a Web 2.0 abre perspectivas de
sumo interessa-se para o desenvolvimento de propostas pedagógicas e
didáticas baseadas em dinâmicas de colaboração e cooperação.
Por fim, os autores vão tecer suas considerações acerca da Web 3.0
ou “Web semântica”. “A Web semântica é uma visão da
internet cuja proposta é de que a informação possa ser
compreensível para – e não apenas localizável e acessível –
os computadores, e isso com a finalidade de que eles possam realizar
exatamente as mesmas tarefas que os humanos e não se limitem apenas,
como realmente fazem agora, a armazenar, buscar, encontrar,
processar, combinar e transferir informação, a Web 3.0 se anuncia
como uma base de dados global capaz de proporcionar recomendações
personalizadas para os usuários diante das perguntas do tipo: a
partir das minhas características psicológicas, físicas,
culturais, orçamentárias, etc., o que eu deveria visitar nesta
cidade? Em que curso de pós-graduação seria conveniente que eu me
matriculasse no ano que vem? Que tipo de plano de aposentadoria eu
deveria contratar? E outras dúvidas como essas.
Cenários
educacionais prováveis: educação sem paredes os autores vão falar
sobre “novos cenários educacionais que se abrem aos nossos olhos e
que questionam o ponto em que exatamente começa e termina a ação
de escolas e professores. [...] tudo aponta na direção de que podem
acabar surgindo três cenários paralelos e claramente
interdependentes.
Em
primeiro lugar, salas de aula e escolas cada vez mais “virtualizadas”
ou seja,, com mais e melhores infraestruturas e equipamentos de TIC e
com projetos pedagógicos e didáticos que tentarão aproveitar as
potencialidades dessas tecnologias para o ensino e a aprendizagem.
Em
segundo lugar, uma expansão das salas de aula e das escolas para
outros espaços (bibliotecas, museus, centros culturais, etc.) nos
quais será possível realizar, com o apoio das TIC, atividades e
práticas com finalidades claramente educacionais – e provavelmente
seja este o cenário que terá um maior desenvolvimento em um futuro
próximo, como consequência do impacto das ferramentas e aplicativos
próprios da Web 2.0 (weblogs, wikis, webquests, portfólios
virtuais, folksonomias, etc.).
Em
terceiro e último lugar, um cenário global e onipresente, uma
espécie de “megaescola” na qual a ubiquidade das TIC e o
desenvolvimento das tecnologias móveis e das redes sem fio tornarão
possível o aprendizado em praticamente qualquer lugar e situação.
Finalidades
potenciais: entre o neoliberalismo e os movimentos sociais vai trazer
em suas linhas, os aspectos negativos das TIC e uma tentativa dos
autores de apontar soluções.
As
TIC e a internet não apenas têm uma importante parcela de
responsabilidade nesta situação, como estão, com muita frequência,
no centro do debate. Assim, por exemplo, em alguns círculos, são
cultivadas posturas – as quais de nossa parte, não duvidamos em
qualificar como maniqueístas e pouco realistas – que apresentam as
escolas como instituições obsoletas que concentram todos os males,
e as TIC e a internet como o remédio capaz de acabar com esses males
e de refundar a instituição escolar. Com as TIC seria possível,
finalmente, fazer com que o mundo real entrasse nas salas de aula e
nas escolas e basear a aprendizagem dos alunos na indagação e na
criatividade. Por trás dessas posturas, frequentemente se escondem,
em nosso juízo, os interesses de grupos econômicos que aspiram a
criar novos consumidores e a usurpar, de passagem, o poder que,
embora enfraquecido, continuam tendo os sistemas de educação
formal. Avivando sentimentos de incompetência e desesperança entre
o professorado, os alunos e suas famílias, esses grupos esperam à
espreita, que as escolas adotem “soluções extremas” alheias às
finalidades da educação escolar, sem perguntar-se sobre o sentido e
o alcance dessa opção.
Outra
frente de debate são as diversas “brechas digitais”, as
distâncias que, surgem na Sociedade da Informação entre os “info
ricos” e os “info pobres”, entre os países e os setores da
população que têm acesso a um uso construtivo, enriquecedor e
criativo das TIC e aqueles que não têm acesso a elas ou que as
acessam apenas como consumidores.
Promovem
uma comunicação de baixa qualidade, basicamente apoiada em textos
escritos;
Restringem
as comunicações emocionais, complexas e expressivas;
Potencializam
as relações sociais superficiais e as vezes favorecem a
irresponsabilidade e a falta de compromisso;
Permitem
a agressão verbal, o insulto e os diversos “ismos” (racismo,
sexismo, etc.);
Tendem
a propagar e reforçar um saber mais instável, profano e mundano
(infoxicação);
Descrédito
da escola como instituição legitimada para conservar, criar e
transmitir do conhecimento e à proposta de substituí-la por
ambientes e professores virtuais por meio do uso generalizado das
TIC;
Falta
de compromisso pessoal e social que, segundo se afirma, as TIC e a
internet, às vezes, têm como efeitos colaterais;
Riscos
de que as TIC e a internet favoreçam o isolamento, potencializem o
flaming e permitam esconder, manipular ou usurpar identidades;
Consequências
negativas derivadas do excesso de informação e aos perigos da
“infoxicação”;
“Brechas
digitais” e o aparecimento de novas fraturas sociais em torno das
TIC.
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