Baseado no texto de Roberto Boclin.
Avaliação
Institucional
A Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004, instituiu o
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES),
regulamentado pela Portaria nº 2.051 de 09/07/2004, com o objetivo
de assegurar o processo nacional de avaliação, cuja finalidade,
entre outras coisas, é a melhoria da qualidade da educação
superior, a promoção do aprofundamento dos compromissos e
responsabilidades sociais das instituições de ensino superior
(IES’s), e de seus valores democráticos, respeito à diferença e
à diversidade, afirmação da autonomia e identidade institucional.
O órgão responsável pela realização da avaliação
das IES’s é o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (INEP), sendo a avaliação
institucional um dos processos do sistema nacional de avaliação,
também composto pela: avaliação dos cursos de graduação e
avaliação do desempenho dos estudantes (ENADE).
A avaliação institucional, por conseguinte, ocorre em
dois momentos:
Avaliação
interna/Autoavaliação: é o processo de avaliação interna da
instituição, conduzido pela Comissão Própria de Avaliação
(CPA), que deve sistematizar e prestar as informações solicitadas
pelo INEP;
Avaliação
externa: composta por duas etapas – a visita dos avaliadores à
instituição e a elaboração do relatório de avaliação
institucional. É conduzida por comissões externas designadas pelo
INEP, segundo diretrizes da CONAES.
(Roberto
Boclin) O Inep é um IBGE da Educação. Esse órgão novo, eu
suponho, será especializado em avaliação, o que é muito bom. A
cultura de avaliação está sendo implantada gradualmente. Isso não
acontece da noite para o dia. Por enquanto, a maioria das
universidades e instituições de ensino superior fazem avaliação
para cumprir a legislação. Porém, no futuro, eles farão avaliação
por necessidade, no sentido de aprimoramento do desempenho acadêmico.
Atualmente
não se faz gestão universitária sem processo de avaliação.
A
avaliação, como uma prática pedagógica, exige um planejamento
estratégico e uma analise detalhada que traga valores importantes
para o desenvolvimento da instituição, para evitar
interno-punitiva, respaldada por instrumentos legais externos.
Todas
as ações devem ser realizadas em favor do conhecimento e da
racionalidade científica a adoção do discurso da ciência, a
serviço do capitalismo, com conseqüências, não só para o ensino,
como também para o processo de avaliação. (Lacan)
Como
lembra Souza Santos, o dilema consiste em que a validação de uma só
forma de conhecimento provoca a cegueira epistemológica
(conhecimento humano) e valorativa, destruindo as relações entre os
objetos e, nessa trajetória, eliminando as demais formas
alternativas de conhecimentos.
(Perreneud)
Sua visão remete-se para uma autoavaliação formativa, portanto
qualitativa. Fala em desenvolver uma cultura de autoavaliação, que
devemos reconhecer que o que mais caracteriza a avaliação
institucional é como o resultado é utilizado pela gestão da
universidade. Se esse resultado não está sendo vem aproveitado
deve-se mudar o foco da universidade.
Precisam
estar predispostos as mudanças conseqüentes desse processo que
serão necessárias para o desempenho frutífero da avaliação
institucional.
O
desafio da avaliação é o de exercer um papel estratégico de modo
a incluirmos os atores como sujeitos no processo.
O
que uma avaliação institucional pode operar é a mudança da
cultura.
Nos
últimos dez anos, a avaliação institucional no Brasil tende a
assumir um caráter controlador e regulador, regido, portanto, pelos
discursos que causam esse efeito, com vários aspectos da política a
avaliação é mercadológica.
A
finalidade é a melhoria da qualidade acadêmica e o desenvolvimento
institucional pela análise das qualidades, problemas e desafios para
o presente e para o futuro.
A
partir do que foi desenvolvido até aqui, pode-se dizer que a CPA
está inserida no discurso universitário e no discurso da ciência,
reguladores das ações, de onde, supostamente, tira sua verdade. Ela
reproduz os ditames do MEC e de normas bastante cristalizadas, - o
seu Outro, pois está submissa a ele, tira das orientações externas
sua verdade.
Na
educação, há uma preocupação evidente em quantificar acertos e
erros. Isso é conduzido por uma crença na possibilidade de controle
dos resultados.
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