terça-feira, 25 de novembro de 2014

O que é um quadrado mágico?

O que é um quadrado mágico?
Um quadrado mágico de ordem n é uma tabela com n linhas e n colunas, preenchida com
números inteiros, de forma que a soma dos n números de cada linha, coluna ou diagonal seja
sempre o mesmo número. A este número dá-se o nome de constante mágica.
O quadrado apresentado é um quadrado mágico de ordem 3 com constante mágica 33. Terá a
constante mágica algum significado especial? Qual?
No século XVI a Europa já conhecia os quadrados mágicos. Muitos acreditavam que eles eram
amuletos que protegiam as pessoas dos perigos da era das trevas. E foi em 1514 Dürer
produziu seu quadro Melancholia contendo o quadrado destacado abaixo onde a data 1514
esta explicita na última linha.
Os quadrados mágicos constituem, desde épocas remotas, um desafio que fascina a todos.
Acredita-se que os chineses foram os primeiros a descobrir as propriedades dos quadrados
mágicos e provavelmente foram também os seus inventores. A história destes quadrados pode
encontrar-se no livro chinês Yih King, escrito há cerca de 3000 anos: conta a lenda que,
enquanto meditava nas margens do Rio Lo, o imperador da antiga China, chamado Yu (2800 A.
C.), da dinastia Hsia, viu emergir uma tartaruga - considerado um animal sagrado - com
estranhas marcas no casco.
A tartaruga sagrada e o Lo Shu
Yu percebeu que as marcas na forma de nós, feitos num tipo de barbante, podiam ser
transformadas em números e que todos eles somavam quinze em todas as direcções, como se
fossem algarismos mágicos.
Quadrado mágico Lo Shu
A este quadrado chamaram "Lo-shu" e é considerado o mais antigo dos quadrados mágicos.
Foi usado no Oriente para praticar magia e, na Europa, para trazer boa sorte e afastar doenças.
Os números pares simbolizavam o princípio feminino, o Yin; os números ímpares simbolizavam
o princípio masculino, o Yang; o numero 5 representava a Terra e à sua volta estão distribuídos
os quatro elementos principais: a água 1 e 6, o fogo 2 e 7, a madeira 3 e 8 e os metais 4 e 9.
Os quadrados mágicos chegaram ao ocidente através dos árabes, que os conheceram por
influência da cultura hindu.
Na Idade Média os quadrados mágicos eram gravados em lâminas de prata como amuleto da
peste negra. Na China e na Índia, há quem use tais quadrados gravados em metal ou pedra,
como amuletos ou talismãs.
Estes quadrados mágicos despertaram também interesse em alguns matemáticos, pelos
problemas difíceis que originaram, em relação à construção, classificação e enumeração dos
quadrados de uma dada ordem. Bernard Frénicle de Bessy (1602-1675), Claude-Gaspar
Bachet (1581-1638), Pierre de Fermat (1601-1665) e Leonhard Euler (1707-1783) estudaram
quadrados mágicos e cubos mágicos.
Os chamados Quadrados Mágicos consistem em uma matriz numérica quadrada em que as
somas das linhas, das colunas e das duas diagonais principais são as mesmas.
Por exemplo o Quadrado Mágico 3 x 3, é formado pelos nove dígitos: 1,2,3,4,5,6,7,8,9
dispostos em três linhas e três colunas. Se os dígitos forem colocados aleatoriamente na matriz,
o tempo necessário para a formação destas matrizes especiais era calculado em 40 dias de
trabalho ininterrupto para a conclusão da tarefa. Com o advento dos Computadores, esta
afirmação não tem mais sentido. De qualquer forma parece natural que os primeiros
interessados em resolver este problema tenham procurado soluções menos demoradas, como
ocorre em todo o processo científico.
No procedimento aleatório o cálculo das possibilidades nos fornece o seguinte valor: 9!
(factorial de nove), isto é, 9x8x7x6x5x4x3x2x1=362.880 possibilidades de colocação dos
dígitos na matriz.
A seguir apresentam-se quadrados de ordem 4, 5 e 6.
1 12 7 14
8 13 2 11
10 3 16 5
15 6 8 4
17 24 1 8 15
23 5 7 14 16
4 6 13 20 22
10 12 19 21 3
11 18 25 2 9
1 34 33 32 9 2
29 11 18 20 25 8
30 22 23 13 16 7
6 17 12 26 19 31
10 24 21 15 14 27
35 3 4 5 28 36
Quadrado de
ordem 1
Quadrado de ordem 2 Quadrado de ordem 3

Bullying - informações básicas

Bullying - informações básicas

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Bullying é um termo de origem inglesa e sem tradução ainda no Brasil. É utilizado para qualificar comportamentos agressivos no âmbito escolar, praticados tanto por meninos quanto por meninas.

Além de um possível isolamento ou queda do rendimento, estudantes que passam por humilhações preconceituosas ou difamatórias podem apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade.
Em alguns casos extremos, o bullying chega a afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio.
Abaixo, você encontra alguns esclarecimentos para dúvidas relativas ao tema.

O que é Bullying?
  • é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas
  • tais comportamentos não apresentam motivações específicas ou justificáveis
  • os mais fortes utilizam os mais frágeis como meros objetos de diversão.

Elementos do Bullying:
  • intenção do autor em ferir o alvo
  • repetição da agressão
  • presença de um público espectador
  • concordância do alvo com relação à ofensa.

Formas de Bullying:
  • verbal (insultar, ofender, falar mal, colocar apelidos pejorativos, “zoar”)
  • física e material (bater, empurrar, beliscar, roubar, furtar ou destruir pertences da vítima)
  • psicológica e moral (humilhar, excluir, discriminar, chantagear, intimidar, difamar)
  • sexual (abusar, violentar, assediar, insinuar)
  • virtual ou Cyberbullying (bullying realizado por meio de ferramentas tecnológicas: celulares, filmadoras, internet etc.).

O que não é Bullying?
  • discussões ou brigas pontuais não são bullying
  • conflitos entre professor e aluno também não são considerados bullying (que é uma violência que só ocorre entre pares).

O autor:
  • quer ser mais popular
  • quer se sentir poderoso e obter uma boa imagem de si mesmo.

O alvo:
  • costuma ser uma pessoa com baixa autoestima e retraída tanto na escola quanto em casa
  • costuma apresentar particularidades físicas, ou se diferenciar da maioria no aspecto cultural, étnico e religioso.

O espectador:
  • é um personagem fundamental no bullying
  • pode ser omisso, ou atuar como plateia ativa ou torcida, reforçando a agressão.

Conseqüências: 
  • o aluno que sofre bullying, principalmente quando não pede ajuda, enfrenta medo e vergonha de ir à escola
  • pode querer abandonar os estudos, não se achar bom para integrar o grupo e apresentar baixo rendimento
  • aqueles que conseguem reagir podem alternar momentos de ansiedade e agressividade
  • para tentar se impor, podem escolher outras pessoas mais indefesas e passam a provocá-las, tornando-se alvo e agressor ao mesmo tempo.

O que os educadores podem fazer? 
  • mostrar aos envolvidos que a escola não tolera determinado tipo de conduta e por quê
  • conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões
  • estimular os estudantes a informar os casos de bullying
  • reconhecer e valorizar as atitudes dos alunos no combate ao problema
  • criar com os estudantes regras de disciplina para a classe
  • estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos
  • interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica do bullying.

Adaptado de:

Revista Nova Escola – “Tudo sobre bullying

Conselho Nacional de Justiça – Cartilha “Bullying” do Programa Justiça Nas Escolas

Autor: Daniel Silva dos Santos - COE

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O que um Matemático faz?

O que um Matemático faz?

Se você é bom com números e gosta de fazer contas o curso de matemática é uma excelente opção.
Ao contrário do que muitos pensam quem cursa matemática além da opção de se tornar professor,  tem possibilidade de atuar em diversas áreas, tudo depende do tipo de graduação.
O profissional pode atuar em universidades e centros de pesquisa, desenvolvendo novos modelos matemáticos, ou em empresas, com a criação de métodos numéricos e análise de dados do mercado financeiro.
Há dois caminhos básicos para se seguir no curso: Licenciatura ou Bacharelado.
Licenciatura prepara professores para atuar nos níveis médio e fundamental.
O Licenciado também tem a opção de trabalhar como professor de ensino superior, para isto, o interessado deve fazer cursos de pós-graduação. Se aprofundando ainda mais no assunto, pode se tornar pesquisador.
Bacharéis podem trabalhar em empresas com atuações especificas, algumas universidades dão curso de bacharelado em matemática com ênfase em assuntos específicos. Matemática aplicada a negócios, métodos matemáticos, matemática aplicada e computacional com habilitação em estatística econômica, saúde pública, comunicação científica, entre outros.
Já os Bacharéis que têm mestrado, doutorado e pós-doutorado, podem trabalhar em universidades no ensino e pesquisa.
Segundo matemático Andrew Woods, a graduação em matemática é muito abrangente e, por isso, dá uma boa base para qualquer tipo de emprego que requer um raciocínio quantitativo. “A matemática abre muitas portas para o jovem como profissional”, ressalta.
Mercado de trabalho
O maior mercado é o da docência, para os licenciados que irão atuar na educação básica, porém o bacharel não fica muito atrás, por ser um profissional versátil que pode trabalhar em diversas áreas, como é o caso da engenharia, bioquímica, economia, estudo do clima, biologia, marketing, sociologia e logística, por exemplo, e considerando que não há tantos matemáticos no mercado, é uma carreira na qual é fácil o profissional encontrar emprego, tudo depende da sua capacidade de raciocínio analítico e vocação.

Salários iniciais

Na rede pública de ensino os salários iniciais variam de R$ 980 para 20 horas semanais, Até R$ 1,8 mil para 40 horas semanais. Já em escolas particulares, no Ensino Médio, os salários variam de R$ 1 mil a R$ 3,6 mil. No ensino superior, em universidades federais, os salários iniciais para professores-pesquisadores com doutorado, podem chegar a R$ 10 mil. No IMPA, o salário inicial para pesquisador com doutorado é de mais ou menos R$ 11 mil. Atuando em empresas conforme a área, os salários variam de R$ 4 mil a R$ 10 mil mensais.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO DA PRÁTICA EDUCATIVA

Danilo Gandin

O PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO DA PRÁTICA EDUCATIVA


É fundamental pensar o planejamento como uma ferramenta para dar mais eficiência à ação humana.

Daí decorre que as pessoas, no dia-a-dia:
1. não descobrem com clareza quais são os problemas;
2. não constroem conjuntos de idéias;
3. não conseguem fazer uma avaliação de sua prática;
4. não conseguem propor mudanças na realidade ou na prática;

Planejar é, sempre, buscar a transformação da realidade. É, sempre, propor ações, atitudes, regras e rotinas que possam levar à satisfação de necessidades, planejamento que muda para transformar.

Há níveis diferentes de planejamento porque há diferença nas ações humanas.

Os Passos para uma Prática Lúcida.
Todo o fazer humano está ligado a ser um conjunto de ações, rotinas, regras e atitudes para transformar ideias em realidades.
Não pode haver idéias transformadas em processos se não houver ideias. É um terrível engano, mais comum do que parece, a prática de partir do problema para o processo. Existem até correntes de planejamento que se basearam (não tão grosseiramente, é verdade) nesta relação direta problema-processo. Nada se consegue, evidentemente, desta maneira; os resultados podem ser desastrosos. A organização de idéias é, nas circunstâncias atuais, uma das necessidades mais importantes.
Na escola esse diagnóstico equivale a uma análise de todos os processos em andamento a fim de verificar até que ponto eles são adequados para realizar as idéias que constaram no projeto pedagógico. Talvez este seja o nó da questão: se o projeto pedagógico tem a idéia de escola democrática, de ligação da escola com a realidade (são apenas exemplos), ela precisa analisar com atenção e rigor até que pontos os processos (ações, atitudes, regras e rotinas) estão construindo democracia, até que pontos conteúdos escolares brotam da realidade e levam a compreendê-la. É essencial esta compreensão dos processos existentes para poder descobrir necessidades de novos processos e de correção dos que podem ser mantidos, mas precisam de mudanças.
Se fosse possível transformar idéias em processos e fazer isto com utilidade sem depender dos passos anteriores, poderíamos ter uma economia de tempo, de trabalho e, até, de recursos.
Os processos, muitas vezes, são predeterminados. Funcionam, por exemplo, na medicina: quando o diagnóstico, feito a partir de idéias que sustentam uma teoria, estabelece uma doença ou um mal qualquer, o médico apela para o processo que já foi estabelecido por estudos anteriores. Se outro mais eficaz é descoberto, ele é logo adotado e o que é fundamental acontece: um resultado, motivado por um processo engendrado pela análise da realidade em confronto com uma idéia, tudo isto deslanchado por um problema. Não é tão simples porque, além da ciência, as idéias educacionais são sempre permeadas pelas crenças, pela Filosofia, pela arte, pela ideologia.
Em educação temos processos preestabelecidos. Eles foram construídos a partir de problemas velhos, derivados do confronto entre um conjunto de idéias que serviam a humanidades passadas e uma realidade não mais existente. Não servem mais para os problemas, para as idéias e para a realidade de hoje, mas se firmaram.
Há vários tipos de planejamento porque há vários tipos de ação humana.
Para consertar máquinas, certamente há necessidade de planejamento. Ele consistirá de três passos:
- compreensão do padrão da máquina, isto é, da estrutura que lhe permite o funcionamento;
- um diagnóstico – é o que mais aparece – buscando descobrir as diferenças existentes na máquina real em relação ao padrão ideal desta mesma máquina;
- decisão do que se vai fazer, incluindo aqui as ações diretas de solução do(s) problema(s) e/ou as orientações (propostas como estratégias) de uso da máquina.
Muito parecido com o caso anterior é a administração de alguns serviços públicos, não necessariamente governamentais, cujo padrão esteja quase totalmente dado. Há idéias de segurança, bem-estar, bom atendimento, rapidez, etc. que devem ser realizadas. Estas idéias dão os critérios – pode-se falar aqui de indicadores – para a prática.
O diagnóstico, além de verificar a existência e a extensão de problemas, incluirá o grau de satisfação das pessoas que trabalham no serviço e dos que usufruem seus benefícios.
A decisão sobre o que se vai fazer é mais abrangente em virtude dos acréscimos anteriores. Além disto, estas decisões insistirão mais em estratégias, visando aos modos de ser e de se comportar que aumentem a qualidade do serviço, dentro do padrão estabelecido.
As Grandes Linhas de Planejamento e seu Uso
O planejamento, embora inerente ao ser humano para encaminhar as questões do dia-a-dia, torna-se uma ferramenta com conceitos, modelos, técnicas e instrumentos bem definidos a partir do começo do século passado, com a revolução comunista que constrói a União Soviética. No mundo capitalista, o planejamento, para as questões mais complexas, passa a ser usual, nos governos, depois da segunda guerra mundial. A partir desta adoção pelos governos, o planejamento passa a ser uma das preocupações de instituições, grupos, movimentos, organizações não governamentais: podemos dizer que ele se universaliza.
A. Para estes casos aperfeiçoou-se o planejamento que se chamou “Solução de Problemas”.
B. Este é o caso típico do “Gerenciamento da Qualidade Total”.
C. Estamos no reino do “Planejamento Estratégico”.
D. Só o “Planejamento Participativo” pode dar conta destes casos.


Democratização das relações na escola: o significado do trabalho coletivo.

Democratização das relações na escola: o significado do trabalho coletivo.
Dinair Leal da Hora.

Nas discussões a respeito de gestão democrática na escola é comum ouvir manifestações de que esta é uma prática quase impossível de adotar, haja vista a hegemonia de posturas autoritárias que ainda encontramos nos processos de gestão educacional no Brasil e pelo reduzido valor que os sujeitos escolares atribuem a essa forma de atuar. Neste texto apresento uma breve discussão a respeito dos significados que o trabalho coletivo democrático assume para professores, estudantes, direção, famílias e funcionários escolares. A construção da gestão democrática na escola é um processo. Ocorre com avanços e recuos, na medida em que pais, estudantes, professores e funcionários têm a oportunidade de opinar e decidir as ações e as relações educacionais e pedagógicas da instituição. O desenvolvimento desse processo pressupõe sua construção no cotidiano escolar, o que não dispensa a necessidade da reflexão permanente a respeito dos obstáculos e das potencialidades que se apresentam na realidade concreta, haja vista que a democracia só se efetiva por ações e relações em que há coerência entre o discurso e a prática. Admitir a democratização das relações internas da escola como mediadora para a democratização educacional significa considerá-la sine qua non, porém não a única. Há que se considerar os determinantes econômicos, sociais, políticos e culturais mais amplos que agem em favor da tendência autoritária enfrentados como manifestação, num espaço restrito. Para que haja a conquista da participação efetiva dos sujeitos sociais na gestão da escola é preciso que haja condições que propiciem essa participação. A participação de professores, alunos, pais e funcionários na organização da escola, na escolha dos conteúdos a serem ensinados, nas formas de administração será tão mais efetivamente democrática, na medida em que esses sujeitos sociais dominem o significado sócio-político de suas especificidades numa perspectiva de totalidade. Assim, é possível afirmar que:
a) para a comunidade, participar da gestão de uma escola significa inteirar-se e opinar sobre assuntos para os quais muitas vezes se encontra despreparada; significa todo um aprendizado político e organizacional (participar de reuniões, emitir opiniões, anotar, acompanhar, cumprir decisões); significa mudar sua visão de direção da escola, passando a não esperar decisões prontas para serem seguidas; significa, enfim, pensar a escola não como um organismo governamental, portanto externo, alheio, e sim como um órgão público que deve ser não apenas fiscalizado e controlado, mas dirigido pelos seus usuários;
b) a direção vê-se colocada diante de tarefas eminentemente políticas, pois assume o papel de dirigente técnico e político. A abertura não acontece para um todo homogêneo e sim para uma população dividida, socialmente estratificada e ideologicamente diferenciada; significa lidar com inúmeras expectativas e projetos políticos diversos;
c) para os alunos, a principal mudança refere-se à sua relação com os professores e com a direção: assumir sua parte de responsabilidade na direção da escola e do processo pedagógico, deixando de esperar soluções acabadas e apenas a punição como saída; compreender que transitar na difícil fronteira entre liberdade e segurança exige um compromisso com o projeto educacional, com princípios e também com uma visão mais global e menos fragmentada da escola;
d) os professores, descobrindo, (re)descobrindo, inventando, formulando e aceitando novas premissas, preparam-se para, dialeticamente, analisar, comparar, estabelecer valores através dos quais avaliam as diferentes metodologias, mantêm-se atentos para apreciá-los em relação às posturas teóricas e em relação à sua prática e contexto, especialmente em situações nas quais a comunidade tem lugar específico para a construção do currículo.
O significado social da prática de cada um é capaz de desenvolver a autonomia e a criatividade na reorganização da escola para melhor propiciar a sua finalidade: a formação humana de homens e mulheres nas suas dimensões pessoal e profissional na perspectiva de contribuir para a democratização da sociedade pela democratização do saber.

Na medida em que consegue a participação de todos os seus setores – educadores, alunos, pais e funcionários – nas decisões a respeito de seus objetivos e de seu funcionamento, a escola cria melhores condições para enfrentar os escalões superiores, no sentido de apropriar-se de autonomia e de recursos. Será muito mais difícil dizer não de modo autoritário quando a manifestação é de um grupo que representa todos os segmentos e que esteja fundamentado pela conscientização que sua própria organização proporciona, reconhecendo a participação coletiva na gestão escolar como uma das vias mais legítimas para a melhoria da qualidade do ensino, da consciência crítica da realidade social para a construção de uma escola verdadeiramente pública.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Pedagogia da Autonomia

PAULO FREIRE - Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa.  2002.

CAPÍTULO 1- NÃO HÁ DOCÊNCIA SEM DISCÊNCIA

A reflexão crítica da prática é uma exigência da relação teoria/ prática, sem a qual a teoria irá virando apenas palavras, e a prática, ativismo.
Há um processo a ser considerado na experiência permanente do educador. No dia-a-dia ele recebe os conhecimentos – conteúdos acumulados pelo sujeito, o aluno, que sabe e lhe transmite.
Neste sentido, ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos, nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, alma a um corpo indeciso e acomodado. Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.
Ensinar é mais que verbo-transitivo relativo, pede um objeto direto: quem ensina, ensina alguma coisa; pede um objeto indireto: à alguém, mas também ensinar inexiste sem aprender e aprender inexiste sem ensinar.
Só existe ensino quando este resulta num aprendizado em que o aprendiz se tornou capaz de recriar ou refazer o ensinado, ou seja, em que o que foi ensinado foi realmente aprendido pelo aprendiz.
Esta é a vivência autêntica exigida pela prática de ensinar-aprender. É uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética.
Nós somos “seres programados, mas, para aprender” (François Jacob). O processo de aprender pode deflagrar no aprendiz uma curiosidade crescente que pode torná-lo mais e mais criador, ou em outras palavras: quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender tanto mais se constrói e desenvolve a “curiosidade epistemológica”, sem a qual não alcançamos o conhecimento cabal do objeto.

1. ENSINAR EXIGE RIGOROSIDADE METODOLÓGICA

O educador democrático, crítico, em sua prática docente deve forçar a capacidade de crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. Trabalhar com os
educandos a rigorosidade metódica com que devem se “aproximar” dos objetos cognoscíveis, é uma de suas tarefas primordiais. Para isso, ele precisa ser um educador criador, instigador, inquieto, rigorosamente curioso, humilde e persistente. Deve ser claro para os educandos que o educador já teve e continua tendo experiência de produção de certos saberes e que estes não podem ser simplesmente transferidos a eles.
Educador e educandos, lado a lado, vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber. É impossível tornar-se um professor crítico, aquele que é mecanicamente um memorizador, um repetidor de frases e idéias inertes, e não um desafiador. Pensa mecanicamente. Pensa errado. A verdadeira leitura me compromete com o texto que a mim se dá e a que me dou e de cuja compreensão fundamental me vou tornando também sujeito.
Só pode ensinar certo quem pensa certo, mesmo que às vezes, pense errado. E uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiados certos de nossas certezas. O professor que pensa certo deixa transparecer aos educandos a beleza de estarmos no mundo e com o mundo, como seres históricos, intervindo no mundo e conhecendo -o .Contudo, nosso conhecimento do mundo tem historicidade. Ao ser produzido, o conhecimento novo supera outro que antes foi novo e se fez velho, e se “dispõe” a ser ultrapassado por outro amanhã.
Ensinar, aprender e pesquisar lidam com dois momentos do ciclo gnosiológico: o momento em que se ensina e se aprende o conhecimento já existente, e o momento em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente.
É a prática da “do-discência”: docência- discência e pesquisa.

2. ENSINAR EXIGE PESQUISA Não há ensino sem pesquisa, nem pesquisa sem ensino. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e para comunicar o novo.

3. ENSINAR EXIGE RESPEITO AOS SABERES DO EDUCANDO A escola deve respeitar os saberes socialmente construídos pelos alunos na prática comunitária. Discutir com eles a razão de ser de alguns saberes em relação ao ensino dos conteúdos. Discutir os problemas por eles vividos. Estabelecer uma intimidade entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos. Discutir as implicações políticas e ideológicas, e a ética de classe relacionada a descasos.

4. ENSINAR EXIGE CRITICIDADE Entre o saber feito de pura experiência e o resultante dos procedimentos metodicamente rigorosos, não há uma ruptura, mas uma superação que se dá na medida em que a curiosidade ingênua, associada ao saber do senso comum, vai sendo substituída pela curiosidade crítica ou epistemológica que se rigoriza metodicamente.

5. ENSINAR EXIGE ESTÉTICA E ÉTICA Somos seres históricos – sociais, capazes de comparar, valorizar, intervir, escolher, decidir, romper e por isso, nos fizemos seres éticos. Só somos porque estamos sendo. Transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. Divinizar ou diabolizar a tecnologia ou a ciência é uma forma altamente negativa e perigosa de pensar errado.
Pensar certo demanda profundidade na compreensão e interpretação dos fatos. Não é possível mudar e fazer de conta que não mudou. Coerência entre o pensar certo e o agir certo. Não há pensar certo à margem de princípios éticos, se mudar é uma possibilidade e um direito, cabe a quem muda, assumir a mudança operada

6. ENSINAR EXIGE A CORPOREIFICAÇÃO DA PALAVRA PELO EXEMPLO
O professor que ensina certo não aceita o “faça o que eu mando e não o que eu faço”. Ele sabe que as palavras às quais falta corporeidade do exemplo quase nada valem. É preciso uma prática testemunhal que confirme o que se diz em lugar de desdizê-lo.

7. ENSINAR EXIGE RISCO, ACEITAÇÃO DO NOVO E REJEIÇÃO A QUALQUER FORMA DE DISCRIMINAÇÃO - O novo não pode ser negado ou acolhido só porque é novo, nem o velho recusado, apenas por ser velho. O velho que preserva sua validade continua novo.
A prática preconceituosa de raça, classe, gênero ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia.
Ensinar a pensar certo é algo que se faz e que se vive enquanto dele se fala com a força do testemunho; exige entendimento co-participado. É tarefa do educador desafiar o educando com quem se comunica e a quem comunica, produzindo nele compreensão do que vem sendo comunicado. O pensar certo é intercomunicação dialógica e não polêmica.

8 ENSINAR EXIGE REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE A PRÁTICA - Envolve o movimento dinâmico, dialético entre o fazer e o pensar sobre o fazer. É fundamental que o aprendiz da prática docente saiba que deve superar o pensar ingênuo, assumindo o pensar certo produzido por ele próprio, juntamente com o professor formador. Por outro lado, ele deve reconhecer o valor das emoções, da sensibilidade, da afetividade, da intuição.
Através da reflexão crítica sobre a prática de hoje ou de ontem é que se pode melhorar a próxima prática. E, ainda, quanto mais me assumo como estou sendo e percebo a razão de ser como estou sendo, mais me torno capaz de mudar, de promover-me do estado da curiosidade ingênua para o de curiosidade epistemológica. Decido, rompo, opto e me assumo.

9. ENSINAR EXIGE O RECONHECIMENTO E A ASSUNÇÃO DA IDENTIDADE CULTURAL - Uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar condições para que os educandos em suas relações sejam levados à experiências de assumir-se. Como ser social e histórico, ser pensante, transformador, criador, capaz de ter raiva porque capaz de amar.
A questão da identidade cultural não pode ser desprezada. Ela está relacionada com a assunção do indivíduo por ele mesmo e se dá, através do conflito entre forças que obstaculizam essa busca de si e as que favorecem essa assunção.
Isto é incompatível com o treinamento pragmático, com os que se julgam donos da verdade e que se preocupam quase exclusivamente com os conteúdos.
Um simples gesto do professor pode impulsionar o educando em sua formação e auto-formação. A experiência informal de formação ou deformação que se vive na escola, não pode ser negligênciada e exige reflexão. Experiências vividas nas ruas, praças, trabalho, salas de aula, pátios e recreios são cheias de significação.

CAPÍTULO 2 - ENSINAR NÃO É TRANSFERIR CONHECIMENTO
. . . mas, criar possibilidades ao aluno para sua própria construção. Este é o primeiro saber necessário à formação do docente, numa perspectiva progressista. É uma postura difícil a assumir diante dos outros e com os outros, face ao mundo e aos fatos, ante nós mesmos. Fora disso, meu testemunho perde eficácia.

1. ENSINAR EXIGE CONSCIÊNCIA DO INACABAMENTO - Como professor crítico sou predisposto à mudança, à aceitação do diferente. Nada em minha experiência docente deve necessariamente repetir-se. A inconclusão é própria da experiência vital. Quanto mais cultural o ser, maior o suporte ou espaço ao qual o ser se prende “afetivamente” em seu desenvolvimento. O suporte vai se ampliando, vira mundo e a vida, existência na medida em que ele se torna consciente, apreendedor, transformador, criador de beleza e não de “espaço” vazio a ser preenchido por conteúdos.
A existência envolve linguagem, cultura, comunicação em níveis profundos e complexos; a “espiritualização”, possibilidade de embelezar ou enfear o mundo faz
dos homens seres éticos, portanto capazes de intervir no mundo, de comparar, ajuizar, decidir, romper, escolher. Seres capazes de grandes ações, mas também de grandes baixezas. Não é possível existir sem assumir o direito e o dever de optar, decidir, lutar, fazer política.
Daí a imperiosidade da prática formadora eminentemente ética. Posso ter esperança, sei que é possível intervir para melhorar o mundo. Meu “destino” não é predeterminado, ele
precisa ser feito e dessa responsabilidade não posso me eximir. A História em que me faço com os outros e dela tomo parte é um tempo de possibilidades, de problematização do futuro e não de inexorabilidade.

2. ENSINAR EXIGE O RECONHECIMENTO DE SER CONDICIONADO
É o saber da nossa inconclusão assumida. Sei que sou inacabado, porém consciente disto, sei que posso ir mais além, através da tensão entre o que herdo geneticamente e o que herdo social, cultural e historicamente. Lutando deixo de ser apenas objeto, para ser também sujeito da História.
A consciência do mundo e de si como ser inacabado inscrevem o ser num permanente movimento de busca. E nisto se fundamenta a educação como processo permanente.
Na experiência educativa aberta à procura, educador e alunos curiosos, “programados, mas para aprender”, exercitarão tanto melhor sua capacidade de aprender e ensinar, quanto mais se façam sujeitos e não puros objetos do processo.

3. ENSINAR EXIGE RESPEITO À AUTONOMIA DO SER DO EDUCANDO
. . . à sua dignidade e identidade. Isto é um imperativo ético e qualquer desvio nesse sentido é uma transgressão. O professor autoritário e o licencioso são transgressores da eticidade. Ensinar, portanto, exige respeito à curiosidade e ao gosto estético do educando, à sua inquietude, linguagem, às suas diferenças. O professor não pode eximir-se de seu dever de propor limites à liberdade do aluno,
nem de ensiná-lo. Deve estar respeitosamente presente à sua experiência formadora.

4. ENSINAR EXIGE BOM SENSO - Quanto mais pomos em prática de forma metódica nossa capacidade de indagar, aferir e duvidar, tanto mais crítico se faz nosso bom senso. Esse exercício vai superando o que há de instintivo na avaliação que fazemos de fatos e acontecimentos. O bom senso tem papel importante na nossa tomada de posição em face do que devemos ou não fazer, e a ele não pode faltar a ética.

5. ENSINAR EXIGE HUMILDADE, TOLERÂNCIA E LUTA EM DEFESA DOS DIREITOS DOS EDUCADORES - A luta dos professores em defesa de seus direitos e dignidade, deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Em conseqüência do desprezo a que é relegada a prática pedagógica, não posso desgostar do que faço sob pena de não fazê-lo bem. Necessito cultivar a humildade e a tolerância, afim de manter meu respeito de professor ao educando. É na competência de profissionais idôneos que se organiza politicamente a maior força dos educadores. É preciso priorizar o empenho de formação permanente dos quadros do magistério como tarefa altamente política, e repensar a eficácia das greves.
Não é parar de lutar, mas reinventar a forma histórica de lutar.

6. ENSINAR EXIGE APREENSÃO DA REALIDADE - Preciso conhecer as diferentes dimensões da prática educativa, tornando-me mais seguro em meu desempenho. O homem é um ser consciente que usa sua capacidade de aprender não apenas para se adaptar, mas sobretudo para transformar a realidade.
A memorização mecânica não é aprendizado verdadeiro do conteúdo. Somos os únicos seres que social e historicamente, nos tornamos capazes de apreender. Para nós, aprender é aventura criadora, é construir, reconstruir, constatar para mudar, e isto não se faz sem abertura ao risco.
O papel fundamental do professor progressista é contribuir positivamente para que o educando seja artífice de sua formação, e ajudá-lo nesse empenho. Deve estar atento à difícil passagem da heteronomia para a autonomia para não perturbar a busca e investigações dos educandos

7. ENSINAR EXIGE ALEGRIA E ESPERANÇA - Esperança de que professor e alunos juntos podem aprender, ensinar, inquietar-se, produzir e também resistir aos obstáculos à alegria. O homem é um ser naturalmente esperançoso. A esperança crítica é indispensável à experiência histórica que só acontece onde há problematização do futuro. Um futuro não determinado, mas que pode ser mudado.

8. ENSINAR EXIGE A CONVICÇÃO DE QUE A MUDANÇA É POSSÍVEL É o saber da História como possibilidade e não como determinação. O mundo não é, está sendo. Meu papel histórico não é só o de constatar o que ocorre, mas também o de intervir como sujeito de ocorrências. Constato não para me adaptar, mas para mudar a realidade.
A partir desse saber é que vamos programar nossa ação político-pedagógica, seja qual for o projeto a que estamos comprometidos. Desafiando os grupos populares para que percebam criticamente a violência e a injustiça de sua situação concreta; e que também percebam que essa situação, ainda que difícil, pode ser mudada. Como educador preciso considerar o saber de “experiência feito” pelos grupos populares, sua explicação do mundo e a compreensão de sua própria presença nele. Tudo isso vem explicitado na “leitura do mundo” que precede a “leitura da palavra”.
Contudo, não posso impor a esses grupos meu saber como o verdadeiro. Mas, posso dialogar com eles, desafiando-os a pensar sua história social e a perceber a necessidade de superarem certos saberes que se revelam inconsistentes para explicar os fatos.

9. ENSINAR EXIGE CURIOSIDADE - Procedimentos autoritários ou paternalistas impedem o exercício da curiosidade do educando e do próprio educador. O bom clima pedagógico-democrático levará o educando a assumir eticamente limites, percebendo que sua curiosidade não tem o direito de invadir a privacidade do outro, nem expô-la aos demais. Como professor devo saber que sem a curiosidade que me move, não aprendo nem ensino. É fundamental que alunos e professor se assumam epistemologicamente curiosos. Saibam que sua postura é dialógica, aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto fala ou ouve.
O exercício da curiosidade a faz mais criticamente curiosa, mais metodicamente “perseguidora” do seu objetivo. Quanto mais a curiosidade espontânea se intensifica e se “rigoriza”, tanto mais epistemologicamente vai se tornando. Um dos saberes fundamentais à prática educativo-crítica é o que adverte da necessária promoção da curiosidade espontânea para curiosidade epistemológica.

CAPÍTULO 3 - ENSINAR É UMA ESPECIFICIDADE HUMANA
1. ENSINAR EXIGE SEGURANÇA, COMPETÊNCIA PROFISSIONAL E GENEROSIDADE - A Segurança é fundamentada na competência profissional, portanto a incompetência profissional desqualifica a autoridade do professor. A autoridade deve fazer-se generosa e não arrogante. Deve reconhecer a eticidade. O educando que exercita sua liberdade vai se tornando tão mais livre quanto mais eticamente vá assumindo as responsabilidades de suas ações. Testemunho da autoridade democrática deixa claro que o fundamental é a construção, pelo indivíduo, da responsabilidade da liberdade que ele assume. É o aprendizado da autonomia.

2. ENSINAR EXIGE COMPROMETIMENTO - A maneira como os alunos me percebem tem grande importância para o meu desempenho. Não há como sendo
professor não revelar minha maneira de ser, de pensar politicamente, diante de meus alunos. Assim, devo preocupar-me em aproximar cada vez mais o que digo do que faço e o que pareço ser do que realmente estou sendo.
Minha presença é uma presença em si política, e assim sendo, não posso ser uma omissão, mas um sujeito de opções. Devo revelar aos alunos, minha capacidade de analisar, comparar, avaliar; de fazer justiça, de não falhar à verdade. Meu testemunho tem que ser ético. O espaço pedagógico neutro prepara os alunos para práticas apolíticas. A maneira humana de se estar no mundo não é, nem pode ser neutra.

3. ENSINAR EXIGE COMPREENDER QUE A EDUCAÇÃO É UMA FORMA DE INTERVENÇÃO NO MUNDO - Implica tanto o esforço de reprodução da ideologia dominante quanto seu desmascaramento. Como professor minha prática exige de mim uma definição. Decisão. Ruptura. Como professor sou a favor da luta contra qualquer forma de discriminação, contra a dominância econômica dos indivíduos ou das classes sociais, etc. Sou a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Não posso reduzir minha prática docente ao puro ensino dos conteúdos, pois meu testemunho ético ao ensiná-los é igualmente importante. É o respeito ao saber de “experiência feito” dos alunos, o qual busco superar com eles. É coerência entre o que digo, o que escrevo e o que faço.

4. ENSINAR EXIGE LIBERDADE E AUTORIDADE - A autonomia vai se constituindo na experiência de várias e inúmeras decisões que vão sendo tomadas. Vamos amadurecendo todo dia, ou não. A autonomia, enquanto amadurecimento do ser por si, é processo; é vir a ser. Não posso aprender a ser eu mesmo se não decido nunca porque há sempre alguém decidindo por mim.
Quanto mais criticamente assumo a liberdade, tanto mais autoridade ela tem para continuar lutando em seu nome.

5. ENSINAR EXIGE TOMADA CONSCIENTE DE DECISÕES - A educação, especificidade humana é um ato de intervenção no mundo. Tanto intervenções que aspiram mudanças radicais na sociedade, no campo da economia, das relações humanas, da propriedade, do direito ao trabalho, à terra, à educação, etc. quanto as que pelo contrário, pretendem imobilizar a História e manter a ordem injusta.
A educação não vira política por causa da decisão deste ou daquele educador. Ela é política e sua raiz se acha na própria educabilidade do ser humano, que se funde na sua natureza inacabada e da qual se tornou consciente. O ser humano, assim se tornou um ser ético, um ser de opção, de decisão.
Diante da impossibilidade da neutralidade da educação, é importante que o educador saiba que se a educação não pode tudo, alguma coisa fundamental ela pode. O educador crítico pode demonstrar que é possível mudar o país. E isto reforça nele a importância de sua tarefa político-pedagógica. Ele sabe o valor que tem para a modificação da realidade, a maneira consistente com que vive sua presença no mundo. Sabe que sua experiência na escola é um momento importante que precisa ser autenticamente vivido.

6. ENSINAR EXIGE SABER ESCUTAR - Aprendemos a escutar escutando. Somente quem escuta paciente e criticamente o outro, fala com ele, e sem precisar se impor. No processo da fala e escuta, a disciplina do silêncio a ser assumido a seu tempo pelos sujeitos que falam e escutam é um “sine qua” da comunicação dialógica. É preciso que quem tem o que dizer saiba, que sem escutar o que quem escuta tem igualmente a dizer, termina por esgotar sua capacidade de dizer. Quem tem o que dizer deve assim, desafiar quem escuta, no sentido de que, quem escuta diga, fale, responda.
O espaço do educador democrático, que aprende a falar escutando, é cortado pelo silêncio intermitente de quem falando, cala para escutar a quem, silencioso, e não silenciado, fala.
Não há inteligência da realidade sem a possibilidade de ser comunicada. O professor autoritário que recusa escutar os alunos, impede a afirmação do educando como sujeito de conhecimento. Como arquiteto de sua própria prática cognoscitiva.

7. ENSINAR EXIGE RECONHECER QUE A EDUCAÇÃO É IDEOLÓGICA
Ideologia tem que ver diretamente com a ocultação da verdade dos fatos, com o uso da linguagem para opacizar a realidade, ao mesmo tempo que nos torna “míopes”. Sabemos que há algo no meio da penumbra, mas não o divisamos bem. Outra possibilidade que temos é a de docilmente aceitar que o que vemos e ouvimos é o que na verdade é, e não a verdade distorcida.
Por exemplo, o discurso da globalização que fala da ética, esconde porém, que a sua ética é a do mercado e não a ética universal do ser humano, pela qual devemos lutar se optamos, na verdade, por um mundo de gente.
A teoria da transformação político-social do mundo, deve fazer parte de uma compreensão do homem enquanto ser fazedor da História, e por ela feito, ser da decisão, da ruptura, da opção. Seres éticos.
Os avanços científicos e tecnológicos devem ser colocados a serviço dos seres humanos. Para superar a crise em que nos achamos, impõe-se o caminho ético.
Como professor, devo estar advertido do poder do discurso ideológico. Ele nos ameaça de anestesiar a mente, de confundir a curiosidade, de distorcer a percepção dos fatos, das coisas. No exercício crítico de minha resistência ao poder manhoso da ideologia, vou gerando certas qualidades que vão virando sabedoria indispensável à minha prática docente. Me predisponho a uma atitude sempre aberta aos demais, aos dados da realidade, por um lado; e por outro, a uma desconfiança metódica que me defende de tornar-me absolutamente certo de certezas.

8. ENSINAR EXIGE DISPONIBILIDADE PARA O DIÁLOGO Como professor devo testemunhar aos alunos a segurança com que me comporto ao discutir um tema, analisar um fato. Aberto ao mundo e aos outros, estabeleço a relação dialógica em que se confirma a inconclusão no permanente movimento na História. Postura crítica diante dos meios de comunicação não pode faltar. Impossível a neutralidade nos processos de comunicação. Não podemos desconhecer a televisão, mas devemos usá-la, sobretudo, discuti-la.

9. ENSINAR EXIGE QUERER BEM AOS EDUCANDOS Querer bem aos educandos e à própria prática educativa de que participo. Essa abertura significa que a afetividade não me assusta, que não tenho medo de expressá-la. Seriedade docente e afetividade não são incompatíveis. Aberto ao querer bem significa minha disponibilidade à alegria de viver. Quanto mais metodicamente rigoroso me torno na minha busca e minha docência, tanto mais alegre e esperançoso me sinto.

Conclusão

O conhecimento adquirido através da obra de Paulo Freire é com certeza um fator auxiliador no desenvolvimento das práticas educacionais, de enfermagem e de vida.

Esta obra é um convite ao exercício da auto-avaliação e conscientização de valores sociais, respeito, da forma de educar e de agir.

compreensão, ética e responsabilidade
É uma obra que merece respeito tanto de educadores, aducandos, e também todos os envolvidos com o comprometimento de mudar para melhor, de contribuir para a conscientização de um mundo melhor. Com respeito,

Através deste livro obtemos a certeza de que devemos lutar pelos nossos direitos, com o objetivo de viver e fazer outros viverem dignamente.

É um alerta para o aperfeiçoamento como indivíduos e cidadãos. Ter competência para atuar com segurança. Ter humildade para aprender. Ter compreensão para escutar, ter carinho para doar amor. Ter autoridade para se fazer respeitar com democracia.

É um estímulo que deve ser aperfeiçoado todos os dias. Fazer o que se gosta. Batalhar pelo que se quer. Defender o que ou quem necessita.

Questionar o que vem sendo a nossa vida, e mudar para melhor. De contribuir para uma sociedade mais benevolente e justa.

Fazer como Paulo Freire preocupar-se, lutar para fazer a diferença.

Pois a grandeza de um Homem não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem consciência de que não sabe e está disposto a aprender!

Bibliografia

FREIRE, Paulo Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2002.


Pesquisa web (Biografia do autor) http://www.smec.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espacoeducar/ensino-fundamental/educ-jovens-adultos/artigos/biografia.pdf

Educação e aprendizagem no século XXI

Educação e aprendizagem no século XXI: novas ferramentas, novos cenários, novas finalidades.
COLL, César; MONEREO, Carles.

Consequência do impacto das TIC na sociedade da informação (SI) que tem reflexos de ordem econômica, social, política e cultural. Defende ainda que “a internet não é apenas uma ferramenta de comunicação e de busca, processamento e transmissão de informações que oferece alguns serviços extraordinários; ela constitui, além disso, um novo e complexo espaço global para a ação social e, por extensão, para o aprendizado e para a ação educacional.
O desenvolvimento de economias globais, as políticas nacionais de apoio à internet, a crescente alfabetização digital da população e o melhoramento gradual das infraestruturas tecnológicas.
Para se ter ideia da dimensão destas forças, os autores afirmam que “A facilidade para se comunicar e trocar informações, junto com a enorme redução de custos que isso traz consigo, vem ocasionando, por exemplo, que alguns países tenham passado diretamente de uma economia centrada na agricultura para outra baseada nas TIC.
Todas as TIC repousam sobre o mesmo princípio: a possibilidade de utilizar sistemas de signos – linguagem oral, linguagem escrita, imagens estáticas, imagens em movimento, símbolos matemáticos, notações musicais, etc. - para representar uma determinada informação e transmiti-la. Para além dessa base comum, contudo, as TIC diferem profundamente entre si quanto às suas possibilidades e limitações para representar a informação, assim como no que se refere a outras características relacionadas à transmissão dessa informação (quantidade, velocidade, acessibilidade, distância, coordenadas espaciais e temporais, etc.), e essas diferenças têm, por sua vez, implicações do ponto de vista educacional.
1) Linguagem natural (fala e gestualidade), caracteriza-se pela necessidade de adaptação do homem primitivo a um meio adverso e hostil, no qual o trabalho coletivo era crucial e a possibilidades de se comunicar de maneira clara e eficiente se constituía em um requisito indispensável. A transmissão oral, como único sistema de comunicação, dependia de alguns requisitos essenciais: os falantes deviam coincidir no tempo e no espaço e precisavam estar fisicamente presentes; as habilidades que precisavam possuir eram principalmente a observação, a memória e a capacidade de repetição. Tais habilidades estão na origem de algumas modalidades educacionais e de alguns métodos de ensino e aprendizagem – a imitação, a declamação e a transmissão e reprodução de informação – muito úteis para fixar e conservar conhecimentos imprescindíveis não apenas para reproduzir manter a separação entre os diferentes estamentos sociais que compõem uma sociedade altamente hierarquizada.
2) A clara hegemonia do ser humano sobre o restante das espécies; não mais se trata apenas de sobreviver, mas de adaptar a natureza às necessidades humanas por meio do desenvolvimento de técnicas alimentares, de construção, de vestimenta, etc. Privilegiando, por exemplo, certas espécies animais e vegetais sobre outras por meio da agricultura e do pastoreio, e influindo desse modo, na seleção natural. Mais uma vez, a necessidade de registrar certos dados, como uma memória externa, e de transmitir e compartilhar com outros as informações, experiências, conselhos, etc., está na origem do nascimento da escrita, que, embora não exista a presença física dos interlocutores, requer certa proximidade, dado que primeiro os mensageiros e depois o correio postal não podiam cobrir distâncias muito grandes. Tanto a presença tipográfica quanto o correio revolucionam a sociedade do momento e estão na base da progressiva industrialização da economia, da migração urbana e da formação de uma sociedade de massas. Na educação, essas tecnologias de comunicação encontram seus referenciais em um ensino centrado em textos e no nascimento dos livros didáticos e do ensino a distância, por correspondência. A partir desse momento, e até a época atual, a formação de uma mente alfabetizada, letrada, capaz não penas de decodificar foneticamente os grafemas como também de compreender os conteúdos de maneira significativa para utilizá-los, tem sido, provavelmente, o principal objetivo da educação formal. Com a chegada dos sistemas de comunicação analógica, primeiro o telégrafo e, posteriormente, o telefone, o rádio e a televisão, as barreiras espaciais foram rompidas definitivamente e a troca de informações em nível planetário passou a ser uma realidade.
A complexidade, a interdependência e a imprevisibilidade que presidem as atividades e as relações dos indivíduos, dos grupos, das instituições e dos países são, junto com a globalização ou mundialização da economia, características frequentemente atribuídas à SI;
Os autores vão afirmar que a possibilidade de acesso às informaçõe sé um grande avanço, mas sem uma busca eficaz, sem explorá-las bem, a simples possibilidade de acesso não garante nada.
O surgimento de novas classes sociais: os “info-ricos” e os “info-pobres” - Poder-se-ia falar, inclusive, em “info-ricos” e “info-pobres”, neologismo que se refere àquelas pessoas providas ou desprovidas do direito da informação.
Novas ferramentas”, vão apontar três conceitos como sendo pilares das novas ferramentas: adaptabilidade, mobilidade e cooperação.
Da acessibilidade e usabilidade à adaptabilidade” os autores vão afirmar que o desafio agora é que os programas sejam capazes de se transformar em um alter ego para o aluno – ou para uma equipe de trabalho – auxiliando-o de modo personalizado em suas tarefas graças à possibilidade de aprender com suas ações, omissões e decisões; estamos falando dos chamados “agentes artificiais”. Os autores defendem ainda a autoria na mão dos próprios usuários. “Esta corrente, que coloca o usuário na posição de produtor e difusor de conteúdos, é conhecida com o nome de Web 2.0, em contraposição à perspectiva anterior de Web 1.0, que conferia ao usuário um papel de mero consumidor relativamente passivo”.
Do e-learning ao m-learning”, os autores vão afirmar que “a progressiva miniaturização das tecnologias, junto com o desenvolvimento de plataformas móveis e da conexão sem fio, permitirão que os alunos possam continuar avançando em sua formação tendo acesso, a qualquer momento, por meio de seu celular, de agendas eletrônicas, computadores de bolso ou de outros dispositivos, a documentos, portfólios, fóruns, chats, questionários, webquests, weblogs, listas de discussão, etc. O m-learning ou ‘escola nômade’, segundo o termo cunhado por P. Steger, abre imensas possibilidades para se empreender trabalhos de campo, trocar reflexões, analisar conjuntamente atuações profissionais que estejam ocorrendo neste mesmo instante ou para integrar em um trabalho de equipe pessoas geograficamente afastadas entre si”.
“Da competição individual à cooperação” os autores vão defender que “a maioria das atividades humanas socialmente relevantes incluem um trabalho em grupo. Assim, ser competente, em sua dupla acepção de que uma tarefa ou responsabilidade compete a alguém e de que alguém é competente para realizar uma tarefa ou assumir uma responsabilidade, dificilmente pode ser considerado como um atributo exclusivamente individual, independente da competência de outros que estejam, direta ou indiretamente, envolvidos na situação e influindo e condicionando processos e produtos.
Novos cenários, os autores vão sinalizar a ubiquidade das tecnologias e em especial do computador. Ponderam que “não se trata de pôr a pessoa dentro do mundo fictício gerado pelo computador, mas de integrar o computador ao nosso mundo humano”.
Novas finalidades os autores vão inicialmente apresentar duas visões acerca da relação entre o que se conhece e a questão do emprego fixo. Após considerar, vai trazer a seguinte provocação: “quais são as competências que, neste novo cenário, deverão adquirir e desenvolver as pessoas para poder enfrentar, com garantias de êxito, os processos de mudança e transformação que estão ocorrendo?” Como resposta, os autores vão considerar três:
· Ser capaz de atuar com autonomia;
· Ser capaz de interagir em grupos socialmente heterogêneos;
· Ser capaz de utilizar recursos e instrumentos de maneira interativa;

Cabe considerar no entanto que “nem tudo o que é tecnologicamente viável é pertinente em termos educacionais. E poderíamos acrescentar que nem tudo que é tecnologicamente viável e pertinente em termos educacionais é realizável em todos os contextos educacionais”.
A chave, portanto, não está em comparar o ensino baseado nas TIC com o ensino presencial, tentando estabelecer as vantagens e inconvenientes de um ou de outro. Em vez disso, melhor seria pesquisar como podemos utilizar as TIC para promover a aquisição e o desenvolvimento das competências que as pessoas precisam ter na era do conhecimento.
Linhas emergentes e seus desafios está organizado em três subtópicos que enfocarão ferramentas, cenários e finalidades.
Ferramentas previsíveis da Web 1.0 a Web 3.0, os autores vão traçar um panorama geral das características da Web 1.0 que consiste na “forma de perceber a internet como um imenso repositório de conteúdos ao qual os usuários podem acessar para procurar e baixar arquivos, corresponde, por assim dizer, à infância da rede. Já a expressão Web 2.0 começou a ser utilizada a partir de 2001 [...]. A rede não é mais apenas um espaço ao qual ir para procurar e baixar informação e todo tipo de arquivos a Web 2.0 abre perspectivas de sumo interessa-se para o desenvolvimento de propostas pedagógicas e didáticas baseadas em dinâmicas de colaboração e cooperação. Por fim, os autores vão tecer suas considerações acerca da Web 3.0 ou “Web semântica”. “A Web semântica é uma visão da internet cuja proposta é de que a informação possa ser compreensível para – e não apenas localizável e acessível – os computadores, e isso com a finalidade de que eles possam realizar exatamente as mesmas tarefas que os humanos e não se limitem apenas, como realmente fazem agora, a armazenar, buscar, encontrar, processar, combinar e transferir informação, a Web 3.0 se anuncia como uma base de dados global capaz de proporcionar recomendações personalizadas para os usuários diante das perguntas do tipo: a partir das minhas características psicológicas, físicas, culturais, orçamentárias, etc., o que eu deveria visitar nesta cidade? Em que curso de pós-graduação seria conveniente que eu me matriculasse no ano que vem? Que tipo de plano de aposentadoria eu deveria contratar? E outras dúvidas como essas.
Cenários educacionais prováveis: educação sem paredes os autores vão falar sobre “novos cenários educacionais que se abrem aos nossos olhos e que questionam o ponto em que exatamente começa e termina a ação de escolas e professores. [...] tudo aponta na direção de que podem acabar surgindo três cenários paralelos e claramente interdependentes.
Em primeiro lugar, salas de aula e escolas cada vez mais “virtualizadas” ou seja,, com mais e melhores infraestruturas e equipamentos de TIC e com projetos pedagógicos e didáticos que tentarão aproveitar as potencialidades dessas tecnologias para o ensino e a aprendizagem.
Em segundo lugar, uma expansão das salas de aula e das escolas para outros espaços (bibliotecas, museus, centros culturais, etc.) nos quais será possível realizar, com o apoio das TIC, atividades e práticas com finalidades claramente educacionais – e provavelmente seja este o cenário que terá um maior desenvolvimento em um futuro próximo, como consequência do impacto das ferramentas e aplicativos próprios da Web 2.0 (weblogs, wikis, webquests, portfólios virtuais, folksonomias, etc.).
Em terceiro e último lugar, um cenário global e onipresente, uma espécie de “megaescola” na qual a ubiquidade das TIC e o desenvolvimento das tecnologias móveis e das redes sem fio tornarão possível o aprendizado em praticamente qualquer lugar e situação.
Finalidades potenciais: entre o neoliberalismo e os movimentos sociais vai trazer em suas linhas, os aspectos negativos das TIC e uma tentativa dos autores de apontar soluções.
As TIC e a internet não apenas têm uma importante parcela de responsabilidade nesta situação, como estão, com muita frequência, no centro do debate. Assim, por exemplo, em alguns círculos, são cultivadas posturas – as quais de nossa parte, não duvidamos em qualificar como maniqueístas e pouco realistas – que apresentam as escolas como instituições obsoletas que concentram todos os males, e as TIC e a internet como o remédio capaz de acabar com esses males e de refundar a instituição escolar. Com as TIC seria possível, finalmente, fazer com que o mundo real entrasse nas salas de aula e nas escolas e basear a aprendizagem dos alunos na indagação e na criatividade. Por trás dessas posturas, frequentemente se escondem, em nosso juízo, os interesses de grupos econômicos que aspiram a criar novos consumidores e a usurpar, de passagem, o poder que, embora enfraquecido, continuam tendo os sistemas de educação formal. Avivando sentimentos de incompetência e desesperança entre o professorado, os alunos e suas famílias, esses grupos esperam à espreita, que as escolas adotem “soluções extremas” alheias às finalidades da educação escolar, sem perguntar-se sobre o sentido e o alcance dessa opção.
Outra frente de debate são as diversas “brechas digitais”, as distâncias que, surgem na Sociedade da Informação entre os “info ricos” e os “info pobres”, entre os países e os setores da população que têm acesso a um uso construtivo, enriquecedor e criativo das TIC e aqueles que não têm acesso a elas ou que as acessam apenas como consumidores.
Promovem uma comunicação de baixa qualidade, basicamente apoiada em textos escritos;
Restringem as comunicações emocionais, complexas e expressivas;
Potencializam as relações sociais superficiais e as vezes favorecem a irresponsabilidade e a falta de compromisso;
Permitem a agressão verbal, o insulto e os diversos “ismos” (racismo, sexismo, etc.);
Tendem a propagar e reforçar um saber mais instável, profano e mundano (infoxicação);
Descrédito da escola como instituição legitimada para conservar, criar e transmitir do conhecimento e à proposta de substituí-la por ambientes e professores virtuais por meio do uso generalizado das TIC;
Falta de compromisso pessoal e social que, segundo se afirma, as TIC e a internet, às vezes, têm como efeitos colaterais;
Riscos de que as TIC e a internet favoreçam o isolamento, potencializem o flaming e permitam esconder, manipular ou usurpar identidades;
Consequências negativas derivadas do excesso de informação e aos perigos da “infoxicação”;


 “Brechas digitais” e o aparecimento de novas fraturas sociais em torno das TIC.

terça-feira, 18 de março de 2014

O construtivismo na sala de aula

O construtivismo na sala de aula
COLL, César e outros.

O construtivismo não é uma teoria, e sim uma referência explicativa, composta por diversas contribuições teóricas, que auxilia os professores nas tomadas de decisões durante o planejamento, aplicação e a avaliação do ensino.
Os profissionais da educação devem utilizá-lo como auxílio na reflexão sobre a prática pedagógica; sobre o como se aprende e se ensina, considerando-se o contexto em que os agentes educativos estão inseridos.
O trabalho coletivo dos professores, normas e finalidades compartilhadas, uma direção que tome decisões de forma colegiada, materiais didáticos preparados em conjunto, a formação continuada e a participação dos pais são pontos essenciais para a construção da escola de qualidade.
Aprender não é copiar ou reproduzir, mas elaborar uma representação pessoal da realidade a partir de experimentações e conhecimentos prévios. É preciso aprender significativamente, ou seja, não apenas acumular conhecimentos, mas construir significados próprios a partir do relacionamento entre a experiência pessoal e a realidade.
No entanto, um bom caminho a seguir é compreender que além dos aspectos cognitivos, a aprendizagem envolve aspectos afetivo-relacionais. Ao construir os significados pessoais sobre a realidade, constrói-se também o conceito que se tem de você mesmo (autoconceito) e a estima que se professa (auto-estima), características relacionadas ao equilíbrio pessoal.
É preciso conhecer as características da tarefa trabalhada, o que se pretende com determinado conteúdo e a sua necessidade.
Quando se inicia um processo educativo, as mentes dos alunos não estão vazias de conteúdo como lousas em branco. Ao contrário, quando chegam à sala de aula os alunos já possuem conhecimentos prévios advindos da experiência pessoal. Na concepção construtivista é a partir desses conhecimentos que o aluno constrói e reconstrói novos significados.
Esse deve ser o início do processo educativo: conhecer o que se tem para que se possa, sobre essa base, construir o novo.

O que faz com que o aluno e a aluna aprendam os conteúdos escolares?
1) Conhecer as respostas corretas.
2) Adquirir os conhecimentos relevantes.
3) Construir conhecimentos.

O processo de construção do conhecimento, deve ajustar-se a esse processo de construção: 1) A de levar em conta os esquemas de conhecimento dos alunos
2) E, ao mesmo tempo, propor desafios que levem os alunos a questionarem esses conhecimentos prévios.

Para o trabalho com os conceitos acima arrolados, indicam-se os seguintes pontos:
1) Inserir atividades significativas na aula;
2) Possibilitar a participação de todos os alunos nas diferentes atividades, mesmo que os níveis de competência, conhecimento e interesses forem diferenciados;
3) Trabalhar com as relações afetivas e emocionais;
4) Introduzir modificações e ajustes ao logo da realização das atividades;
5) Promover a utilização e o aprofundamento autônomo dos conhecimentos que os alunos estão aprendendo;
6) Estabelecer relações entre os novos conteúdos e os conhecimentos prévios dos alunos;
7) Utilizar linguagem clara e objetiva evitando mal-entendidos ou incompreensões;

8) Recontextualizar e reconceitualizar a experiência.