BOCLIN, Roberto. Avaliação Institucional: Quem
acredita? Rio de Janeiro:
Editora e Livraria
Espaço do Saber, 3ªed, 2012. 195p.
Os problemas detectados
no sistema educacional
brasileiro motivaram governo
e sociedade a buscarem na
avaliação institucional as
respostas às carências
e urgências
reveladas pelo “Provão” e, mais recentemente, pelo “ENADE”. Assim sendo,
o livro de Roberto Boclin é
oportuno, pois, apresenta
um roteiro sobre
o processo metodológico
da Avaliação Institucional. Contribui tanto para o desenvolvimento do
estado da arte de alunos e professores que pretendem pesquisar o tema em pauta,
como para gestores e implementadores de políticas educacionais, que executam
esse tipo de avaliação.
O trabalho de
Roberto Boclin é
descritivo e, como
ele próprio define,
tem por objetivo “construir um
modelo de autoavaliação para instituições do ensino superior,
baseado em indicadores
de desempenho selecionados,
visando à implantação
de um processo permanente
de aprimoramento da qualidade administrativa, financeira
e
acadêmica”. Nasceu, justamente, no momento em que governo e sociedade
debatiam sobre a nova
Reforma Universitária, visando
um ensino superior
de qualidade e que refletisse o
processo de desenvolvimento socioeconômico do
país. Nesse contexto,
a Avaliação Institucional tem gerado muita polêmica e resistência no
ensino superior. Por isso, trata-se de uma temática instigante, a começar pelo
título Avaliação institucional: Quem acredita?
O autor, com base em sua experiência de professor e gestor,
inicialmente, conta a história da
Reforma Universitária destacando pontos de discórdia e as muitas distorções no
sistema; e, ao longo da obra, apresenta razões conjunturais e técnicas que
envolvem a relevância da Avaliação Institucional, dividindo a obra em sete
capítulos.
No primeiro capítulo,
Boclin faz uma
radiografia sobre os
problemas do ensino superior, priorizando como categorias
de análise o controle, a autonomia e a qualidade.
Destaca a dificuldade
do governo para
introduzir uma cultura de
avaliação no sistema educacional, posto que a avaliação é
entendida como testagem geral de alunos. Finaliza
o
capítulo com uma
série de considerações
sobre a avaliação
fundamentadas em Casper, Dias
Sobrinho, Henri, Franco e Bonamina.
No segundo capítulo,
o foco são
os fundamentos teóricos
em que se
baseia a construção de
indicadores de desempenho, que existem para:
a) diagnosticar a situação de
uma instituição de
nível superior; e,
b) propiciar
decisões corretivas, apontando novos caminhos
ou modificações nos atuais,
com o propósito
de aprimoramento do desempenho
global da instituição.
O texto leva-nos a
compreender os princípios informacionais, a utilidade, as
vantagens e as desvantagens relevantes dos indicadores de desempenho.
O terceiro capítulo descreve os
caminhos encontrados por
diferentes países que adotaram o modelo de indicadores de
desempenho na avaliação de IES. Trata-se de um amplo relatório sobre
os critérios de
desempenho no ensino
superior nos seguintes países europeus:
Islândia, Países Baixos,
Suécia, Dinamarca, Itália,
Irlanda, Áustria, Romênia,
Finlândia, Bélgica, Estônia, Grécia, Eslovênia e Eslováquia. O autor destaca de
modo detalhado a situação presente no Reino Unido, no que diz respeito à
avaliação do ensino superior, desde a simples atividade letiva, passando pelos aspectos de
infraestrutura nacional de avaliação, até a avaliação de professores.
O quarto capítulo resume a literatura sobre a utilização dos indicadores de desempenho presente na
obra dos seguintes autores: Sizer, Spee e Bormans, Jongbloed e Westerheijden,
Nedwek e Neal, Peterson e Spencer, De Jager, Ouchi, Boyer, Ewel, Dill, Chaffee
e Sherr, Ball e Wilkinson, Elton, Chabotar, DiSalvo, KPMG Peat Marwick, Darlin-Hammond,
Banta, Kalsbeek, Massy e Wilger, Bogue e Saunders, Newson e Hayes. Para demonstrar o
variado conjunto de
metodologias e aplicações,
o autor destaca
a importância do Quality Assurance Agency fot Higher Education (QAA) no
Reino Unido, e apresenta o contexto
ambiental e o
uso dos indicadores
de desempenho no Canadá, Austrália, Holanda,
Finlândia, Suécia, Dinamarca,
Portugal, União Europeia
e Estados
Unidos. Ao final deste capítulo o autor faz uma síntese para facilitar o
desenvolvimento de agências de financiamento e o uso de indicadores de desempenho
nas relações entre
governos e instituições,
deixando bem claro
que os indicadores
são essenciais à formulação de
parâmetros que vão
permitir medir e
comparar objetivos e
resultados,
elaborando as classificações das
empresas de acreditação em elementos provocadores e motivadores de modelos de
autoavaliação.
O quinto capítulo apresenta a Avaliação Institucional da educação
superior no Brasil na última década,
relatando os fatos
que envolveram os
governos de Fernando
Henrique Cardoso e Lula. Destaca o Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Superior –SINAES, que objetiva avaliar os eixos: ensino–pesquisa–extensão,
fundamentando-se na necessidade
de promover a
melhoria da qualidade
do ensino superior
no Brasil. Descreve o
caráter político, pedagógico
e administrativo, as
características, as
dimensões avaliadas e
as modalidades avaliativas
para o ensino
superior. Elenca os objetivos e os princípios da Avaliação
Institucional, bem como relata com detalhes a Lei
10.861/2004 – Lei do SINAES, que estabelece o ENADE–
Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes. Este exame
criado com o objetivo de aferir o desempenho dos estudantes
da educação superior,
em relação aos
conteúdos programáticos, previstos nas
diretrizes curriculares dos
respectivos cursos de graduação. Suas
habilidades de ajustamento
às demandas decorrentes
da evolução do
conhecimento e as competências necessárias
para compreensão de
temas exteriores ao
campo
específico de sua
profissão, ligados à
realidade nacional e
às demais áreas
do conhecimento.
No sexto capítulo,
o autor descreve
o processo de
uma Avaliação Institucional fundamentada em
procedimentos de autoavaliação com
base em indicadores
de desempenho. O ponto de partida
está na construção de um banco de dados que busca informações sobre:
conhecimento da missão institucional, qualidade docente, qualidade
acadêmica, atualização patrimonial
e eficiência administrativo e
financeira, o que
vai envolver coleta de dados das fontes primárias da instituição e
pesquisa de campo junto a docentes,
alunos e comunidade.
O autor apresenta
várias tabelas com
indicadores para cada um
dos cinco critérios
estabelecidos, além de
elencar e sugerir
46 variáveis.
Finaliza este capítulo chamando a atenção do leitor para o fato de que a
extensa lista de variáveis e de
indicadores não tem
o propósito de
esgotar as possibilidades e os recursos de
análise, mas sim
de exemplificar o
modelo abrindo espaço
para outras escolhas a
critério dos avaliadores.
Bem como, destaca
que a autoavaliação
é um processo de interesse
da instituição que se propõe a aprimorar o seu desempenho com
base nas informações prestadas pelos indicadores e critérios, não incorporando na sua elaboração intenções
menos éticas.
No capítulo sete,
o autor inicia
fazendo a observação
que o modelo
de Avaliação Institucional com
base em indicadores de desempenho ainda é pouco adotado no Brasil, embora a
legislação educacional em vigor estimule sua aplicação. Não entrando no mérito sobre avaliação
quantitativa e avaliação
qualitativa, o que
de rapidamente aparece na Introdução desta obra, Boclin apresenta a
simulação de um Estudo de Caso em duas IEs hipotéticas tendo como metodologia a
utilização de indicadores de desempenho, com os seguintes propósitos:
exemplificar o registro
e a análise
dos indicadores e apresentar
a prática da Avaliação
Institucional e do processo de
acreditação. As instituições
estão
devidamente caracterizadas, assim
como toda a elaboração
do banco de
dados, o que levou
à construção de
uma matriz de
resultados, que aponta
uma série de desvios
ocorridos e permite a identificação das causas prováveis. Nesse
exercício, o autor observa que o modelo não é
exclusivo, podendo ser acrescido de outros indicadores, sempre com o
propósito de melhorar o desempenho institucional.
Na Conclusão, o autor cita
a expansão do
ensino superior privado
e relaciona as questões
que afetam o
ensino superior público.
Reafirma sua convicção
positiva a respeito das
metodologias de autoavaliação e a implantação de modelos de acreditação, que podem
contribuir para a
estruturação de uma nova fase do ensino superior.
Em linhas gerais Avaliação Institucional: Quem
acredita?
É uma obra
descritiva e que vem
colaborar com o
debate sobre modelos
de autoavaliação com
base em indicadores de
desempenho. Alia teoria
e prática. Reflexão
e ação. Constitui
um referencial para aqueles
que estão comprometidos
com a mudança.
Em suma, é
fonte de informação e
de inspiração aos
que estão pesquisando este
tema a fim
do aprofundamento de estudo,
como também para
aqueles que de
alguma forma promovem o
desenvolvimento e o aprimoramento das instituições de ensino como uma atividade
contínua e sistemática.
Sara RozindaMartins Moura Sá dos Passos. Mestre em Educação,
Univ. Estácio de Sá(UNESA); Especialista em Metodologia do Ensino Superior.
Fundação Cesgranrio.
E-mail:. sararozinda@hotmail.com
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