quinta-feira, 29 de março de 2018

Análise do livro Avaliação Institucional: Quem acredita? Roberto Boclin


BOCLIN, Roberto. Avaliação Institucional: Quem acredita? Rio   de   Janeiro:   Editora   e   Livraria   Espaço   do   Saber, 3ªed, 2012. 195p.

Os  problemas  detectados  no  sistema  educacional  brasileiro  motivaram  governo  e sociedade  a  buscarem na  avaliação  institucional  as  respostas  às  carências  e  urgências
reveladas pelo “Provão” e, mais recentemente, pelo “ENADE”. Assim sendo, o livro de Roberto  Boclin  é  oportuno,  pois,  apresenta  um  roteiro  sobre  o  processo  metodológico
da Avaliação Institucional. Contribui tanto para o desenvolvimento do estado da arte de alunos e professores que pretendem pesquisar o tema em pauta, como para gestores e implementadores de políticas educacionais, que executam esse tipo de avaliação.
O  trabalho  de  Roberto  Boclin  é  descritivo  e,  como  ele  próprio  define,  tem  por objetivo “construir um modelo de autoavaliação para instituições do ensino superior,
baseado  em  indicadores  de  desempenho  selecionados,  visando  à  implantação  de  um processo  permanente  de  aprimoramento  da  qualidade  administrativa,  financeira  e
acadêmica”. Nasceu, justamente, no momento em que governo e sociedade debatiam sobre  a  nova  Reforma  Universitária,  visando  um  ensino  superior  de  qualidade  e  que refletisse  o  processo  de  desenvolvimento  socioeconômico  do  país.  Nesse  contexto,  a Avaliação Institucional tem gerado muita polêmica e resistência no ensino superior. Por isso, trata-se de uma temática instigante, a começar pelo título Avaliação institucional: Quem acredita?

O autor, com base em sua experiência de professor e gestor, inicialmente,  conta a história da Reforma Universitária destacando pontos de discórdia e as muitas distorções no sistema; e, ao longo da obra, apresenta razões conjunturais e técnicas que envolvem a relevância da Avaliação Institucional, dividindo a obra em sete capítulos.

No  primeiro  capítulo,  Boclin  faz  uma  radiografia  sobre  os  problemas  do  ensino superior, priorizando como categorias de análise o controle, a autonomia e a qualidade.
Destaca  a  dificuldade  do  governo  para  introduzir uma  cultura  de  avaliação  no  sistema educacional, posto que a avaliação é entendida como testagem geral de alunos. Finaliza
o  capítulo  com  uma  série  de  considerações  sobre  a  avaliação  fundamentadas  em Casper, Dias Sobrinho, Henri, Franco e Bonamina.

No  segundo  capítulo,  o  foco  são  os  fundamentos  teóricos  em  que  se  baseia  a construção de indicadores de desempenho, que existem para:
a) diagnosticar a situação de  uma  instituição  de  nível  superior;  e,
 b)  propiciar  decisões  corretivas,  apontando novos  caminhos  ou modificações  nos  atuais,  com  o  propósito  de  aprimoramento  do desempenho  global  da   instituição.  O  texto leva-nos  a  compreender   os  princípios informacionais, a utilidade, as vantagens e as desvantagens relevantes dos indicadores de desempenho.

O terceiro capítulo  descreve  os  caminhos  encontrados  por  diferentes  países  que adotaram o modelo de indicadores de desempenho na avaliação de IES. Trata-se de um amplo relatório  sobre  os  critérios  de  desempenho  no  ensino  superior  nos  seguintes países  europeus:  Islândia,  Países  Baixos,  Suécia,  Dinamarca,  Itália,  Irlanda,  Áustria, Romênia, Finlândia, Bélgica, Estônia, Grécia, Eslovênia e Eslováquia. O autor destaca de modo detalhado a situação presente no Reino Unido, no que diz respeito à avaliação do ensino superior,  desde a  simples atividade letiva, passando pelos aspectos   de
infraestrutura nacional de avaliação, até a avaliação de professores.

O quarto capítulo resume a literatura sobre   a   utilização   dos indicadores de desempenho presente na obra dos seguintes autores: Sizer, Spee e Bormans, Jongbloed e Westerheijden, Nedwek e Neal, Peterson e Spencer, De Jager, Ouchi, Boyer, Ewel, Dill, Chaffee e Sherr, Ball e Wilkinson, Elton, Chabotar, DiSalvo, KPMG Peat Marwick, Darlin-Hammond, Banta, Kalsbeek, Massy e Wilger, Bogue e Saunders, Newson e Hayes. Para demonstrar  o  variado  conjunto  de  metodologias  e  aplicações,  o  autor  destaca  a importância do Quality Assurance Agency fot Higher Education (QAA) no Reino Unido, e apresenta  o  contexto  ambiental  e  o  uso  dos  indicadores  de desempenho  no  Canadá, Austrália,  Holanda,  Finlândia,  Suécia,  Dinamarca,  Portugal,  União  Europeia  e  Estados
Unidos. Ao final deste capítulo o autor faz uma síntese para facilitar o desenvolvimento de agências de financiamento e o uso de indicadores de desempenho nas relações entre
governos  e  instituições,  deixando  bem  claro   que  os  indicadores  são  essenciais  à  formulação  de  parâmetros  que  vão  permitir  medir  e  comparar  objetivos  e  resultados,
elaborando as classificações das empresas de acreditação em elementos provocadores e motivadores de modelos de autoavaliação.

O quinto capítulo apresenta a Avaliação Institucional da educação superior no Brasil na   última   década,   relatando   os   fatos   que   envolveram   os   governos   de   Fernando
Henrique Cardoso e Lula. Destaca o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior –SINAES, que objetiva avaliar os eixos: ensino–pesquisa–extensão, fundamentando-se  na  necessidade  de  promover  a  melhoria  da  qualidade  do  ensino  superior  no  Brasil. Descreve   o   caráter   político,   pedagógico   e   administrativo,   as   características,   as
dimensões  avaliadas  e  as  modalidades  avaliativas  para  o  ensino  superior.  Elenca  os objetivos e os princípios da Avaliação Institucional, bem como relata com detalhes a Lei
10.861/2004 – Lei do SINAES, que estabelece o ENADE–
Exame   Nacional   de Desempenho dos Estudantes. Este exame criado com o objetivo de aferir o desempenho dos   estudantes   da   educação   superior,   em   relação   aos   conteúdos   programáticos, previstos   nas   diretrizes   curriculares   dos   respectivos   cursos   de   graduação.   Suas
habilidades  de  ajustamento  às  demandas  decorrentes  da  evolução  do  conhecimento  e as   competências   necessárias   para   compreensão   de   temas   exteriores   ao   campo
específico   de   sua   profissão,   ligados   à   realidade   nacional   e   às   demais   áreas   do conhecimento.

No  sexto  capítulo,  o  autor  descreve  o  processo  de  uma  Avaliação  Institucional fundamentada   em   procedimentos   de   autoavaliação   com   base   em   indicadores   de desempenho.  O ponto de partida está na construção de um banco de dados que busca informações sobre: conhecimento da missão institucional, qualidade docente, qualidade
acadêmica, atualização patrimonial  e  eficiência  administrativo  e  financeira,  o  que  vai envolver coleta de dados das fontes primárias da instituição e pesquisa de campo junto a  docentes,
alunos  e  comunidade.  O  autor  apresenta  várias  tabelas  com  indicadores para  cada  um  dos  cinco  critérios  estabelecidos,  além  de  elencar  e  sugerir  46  variáveis.

Finaliza este capítulo chamando a atenção do leitor para o fato de que a extensa lista de variáveis  e  de  indicadores  não  tem  o  propósito  de  esgotar  as  possibilidades  e  os recursos  de  análise,  mas  sim  de  exemplificar  o  modelo  abrindo  espaço  para  outras escolhas  a  critério  dos  avaliadores.  Bem  como,  destaca  que  a  autoavaliação  é  um processo de interesse
da instituição que se propõe a aprimorar o seu desempenho com base nas informações prestadas pelos indicadores e critérios, não  incorporando na sua elaboração intenções menos éticas.

No  capítulo  sete,  o  autor  inicia  fazendo  a  observação  que  o  modelo  de  Avaliação Institucional com base em indicadores de desempenho ainda é pouco adotado no Brasil, embora a legislação educacional em vigor estimule sua aplicação. Não entrando no mérito sobre  avaliação  quantitativa  e  avaliação  qualitativa,  o  que  de  rapidamente aparece  na Introdução desta obra, Boclin apresenta a simulação de um Estudo de Caso em duas IEs hipotéticas tendo como metodologia a utilização de indicadores de desempenho, com os seguintes  propósitos:  exemplificar  o  registro  e  a  análise  dos  indicadores  e apresentar  a prática  da  Avaliação  Institucional  e  do  processo  de  acreditação.  As  instituições  estão
devidamente  caracterizadas,  assim  como toda  a  elaboração  do  banco  de  dados,  o  que levou  à  construção  de  uma  matriz  de  resultados,  que  aponta  uma  série  de  desvios
ocorridos e permite a identificação das causas prováveis. Nesse exercício, o autor observa que o modelo não é
exclusivo, podendo ser acrescido de outros indicadores, sempre com o propósito de melhorar o desempenho institucional.
Na  Conclusão,  o  autor  cita  a  expansão  do  ensino  superior  privado  e  relaciona  as questões  que  afetam  o  ensino  superior  público.  Reafirma sua convicção  positiva  a respeito das metodologias de autoavaliação e a implantação de modelos de acreditação, que podem contribuir para a
estruturação de uma nova fase do ensino superior.

Em  linhas  gerais Avaliação  Institucional:  Quem  acredita?
É  uma  obra  descritiva  e que  vem  colaborar  com  o  debate  sobre  modelos  de  autoavaliação  com  base  em indicadores  de  desempenho.  Alia  teoria  e  prática.  Reflexão  e  ação.  Constitui  um referencial  para  aqueles  que  estão  comprometidos  com  a  mudança.  Em  suma,  é  fonte de   informação   e   de   inspiração   aos   que   estão  pesquisando   este   tema   a   fim   do aprofundamento   de   estudo,   como   também   para   aqueles   que   de   alguma   forma promovem o desenvolvimento e o aprimoramento das instituições de ensino como uma atividade contínua e sistemática.

Sara RozindaMartins Moura Sá dos Passos. Mestre em Educação, Univ. Estácio de Sá(UNESA); Especialista em Metodologia do Ensino Superior. Fundação Cesgranrio.


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