quarta-feira, 23 de abril de 2014

O que um Matemático faz?

O que um Matemático faz?

Se você é bom com números e gosta de fazer contas o curso de matemática é uma excelente opção.
Ao contrário do que muitos pensam quem cursa matemática além da opção de se tornar professor,  tem possibilidade de atuar em diversas áreas, tudo depende do tipo de graduação.
O profissional pode atuar em universidades e centros de pesquisa, desenvolvendo novos modelos matemáticos, ou em empresas, com a criação de métodos numéricos e análise de dados do mercado financeiro.
Há dois caminhos básicos para se seguir no curso: Licenciatura ou Bacharelado.
Licenciatura prepara professores para atuar nos níveis médio e fundamental.
O Licenciado também tem a opção de trabalhar como professor de ensino superior, para isto, o interessado deve fazer cursos de pós-graduação. Se aprofundando ainda mais no assunto, pode se tornar pesquisador.
Bacharéis podem trabalhar em empresas com atuações especificas, algumas universidades dão curso de bacharelado em matemática com ênfase em assuntos específicos. Matemática aplicada a negócios, métodos matemáticos, matemática aplicada e computacional com habilitação em estatística econômica, saúde pública, comunicação científica, entre outros.
Já os Bacharéis que têm mestrado, doutorado e pós-doutorado, podem trabalhar em universidades no ensino e pesquisa.
Segundo matemático Andrew Woods, a graduação em matemática é muito abrangente e, por isso, dá uma boa base para qualquer tipo de emprego que requer um raciocínio quantitativo. “A matemática abre muitas portas para o jovem como profissional”, ressalta.
Mercado de trabalho
O maior mercado é o da docência, para os licenciados que irão atuar na educação básica, porém o bacharel não fica muito atrás, por ser um profissional versátil que pode trabalhar em diversas áreas, como é o caso da engenharia, bioquímica, economia, estudo do clima, biologia, marketing, sociologia e logística, por exemplo, e considerando que não há tantos matemáticos no mercado, é uma carreira na qual é fácil o profissional encontrar emprego, tudo depende da sua capacidade de raciocínio analítico e vocação.

Salários iniciais

Na rede pública de ensino os salários iniciais variam de R$ 980 para 20 horas semanais, Até R$ 1,8 mil para 40 horas semanais. Já em escolas particulares, no Ensino Médio, os salários variam de R$ 1 mil a R$ 3,6 mil. No ensino superior, em universidades federais, os salários iniciais para professores-pesquisadores com doutorado, podem chegar a R$ 10 mil. No IMPA, o salário inicial para pesquisador com doutorado é de mais ou menos R$ 11 mil. Atuando em empresas conforme a área, os salários variam de R$ 4 mil a R$ 10 mil mensais.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO DA PRÁTICA EDUCATIVA

Danilo Gandin

O PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO DA PRÁTICA EDUCATIVA


É fundamental pensar o planejamento como uma ferramenta para dar mais eficiência à ação humana.

Daí decorre que as pessoas, no dia-a-dia:
1. não descobrem com clareza quais são os problemas;
2. não constroem conjuntos de idéias;
3. não conseguem fazer uma avaliação de sua prática;
4. não conseguem propor mudanças na realidade ou na prática;

Planejar é, sempre, buscar a transformação da realidade. É, sempre, propor ações, atitudes, regras e rotinas que possam levar à satisfação de necessidades, planejamento que muda para transformar.

Há níveis diferentes de planejamento porque há diferença nas ações humanas.

Os Passos para uma Prática Lúcida.
Todo o fazer humano está ligado a ser um conjunto de ações, rotinas, regras e atitudes para transformar ideias em realidades.
Não pode haver idéias transformadas em processos se não houver ideias. É um terrível engano, mais comum do que parece, a prática de partir do problema para o processo. Existem até correntes de planejamento que se basearam (não tão grosseiramente, é verdade) nesta relação direta problema-processo. Nada se consegue, evidentemente, desta maneira; os resultados podem ser desastrosos. A organização de idéias é, nas circunstâncias atuais, uma das necessidades mais importantes.
Na escola esse diagnóstico equivale a uma análise de todos os processos em andamento a fim de verificar até que ponto eles são adequados para realizar as idéias que constaram no projeto pedagógico. Talvez este seja o nó da questão: se o projeto pedagógico tem a idéia de escola democrática, de ligação da escola com a realidade (são apenas exemplos), ela precisa analisar com atenção e rigor até que pontos os processos (ações, atitudes, regras e rotinas) estão construindo democracia, até que pontos conteúdos escolares brotam da realidade e levam a compreendê-la. É essencial esta compreensão dos processos existentes para poder descobrir necessidades de novos processos e de correção dos que podem ser mantidos, mas precisam de mudanças.
Se fosse possível transformar idéias em processos e fazer isto com utilidade sem depender dos passos anteriores, poderíamos ter uma economia de tempo, de trabalho e, até, de recursos.
Os processos, muitas vezes, são predeterminados. Funcionam, por exemplo, na medicina: quando o diagnóstico, feito a partir de idéias que sustentam uma teoria, estabelece uma doença ou um mal qualquer, o médico apela para o processo que já foi estabelecido por estudos anteriores. Se outro mais eficaz é descoberto, ele é logo adotado e o que é fundamental acontece: um resultado, motivado por um processo engendrado pela análise da realidade em confronto com uma idéia, tudo isto deslanchado por um problema. Não é tão simples porque, além da ciência, as idéias educacionais são sempre permeadas pelas crenças, pela Filosofia, pela arte, pela ideologia.
Em educação temos processos preestabelecidos. Eles foram construídos a partir de problemas velhos, derivados do confronto entre um conjunto de idéias que serviam a humanidades passadas e uma realidade não mais existente. Não servem mais para os problemas, para as idéias e para a realidade de hoje, mas se firmaram.
Há vários tipos de planejamento porque há vários tipos de ação humana.
Para consertar máquinas, certamente há necessidade de planejamento. Ele consistirá de três passos:
- compreensão do padrão da máquina, isto é, da estrutura que lhe permite o funcionamento;
- um diagnóstico – é o que mais aparece – buscando descobrir as diferenças existentes na máquina real em relação ao padrão ideal desta mesma máquina;
- decisão do que se vai fazer, incluindo aqui as ações diretas de solução do(s) problema(s) e/ou as orientações (propostas como estratégias) de uso da máquina.
Muito parecido com o caso anterior é a administração de alguns serviços públicos, não necessariamente governamentais, cujo padrão esteja quase totalmente dado. Há idéias de segurança, bem-estar, bom atendimento, rapidez, etc. que devem ser realizadas. Estas idéias dão os critérios – pode-se falar aqui de indicadores – para a prática.
O diagnóstico, além de verificar a existência e a extensão de problemas, incluirá o grau de satisfação das pessoas que trabalham no serviço e dos que usufruem seus benefícios.
A decisão sobre o que se vai fazer é mais abrangente em virtude dos acréscimos anteriores. Além disto, estas decisões insistirão mais em estratégias, visando aos modos de ser e de se comportar que aumentem a qualidade do serviço, dentro do padrão estabelecido.
As Grandes Linhas de Planejamento e seu Uso
O planejamento, embora inerente ao ser humano para encaminhar as questões do dia-a-dia, torna-se uma ferramenta com conceitos, modelos, técnicas e instrumentos bem definidos a partir do começo do século passado, com a revolução comunista que constrói a União Soviética. No mundo capitalista, o planejamento, para as questões mais complexas, passa a ser usual, nos governos, depois da segunda guerra mundial. A partir desta adoção pelos governos, o planejamento passa a ser uma das preocupações de instituições, grupos, movimentos, organizações não governamentais: podemos dizer que ele se universaliza.
A. Para estes casos aperfeiçoou-se o planejamento que se chamou “Solução de Problemas”.
B. Este é o caso típico do “Gerenciamento da Qualidade Total”.
C. Estamos no reino do “Planejamento Estratégico”.
D. Só o “Planejamento Participativo” pode dar conta destes casos.


Democratização das relações na escola: o significado do trabalho coletivo.

Democratização das relações na escola: o significado do trabalho coletivo.
Dinair Leal da Hora.

Nas discussões a respeito de gestão democrática na escola é comum ouvir manifestações de que esta é uma prática quase impossível de adotar, haja vista a hegemonia de posturas autoritárias que ainda encontramos nos processos de gestão educacional no Brasil e pelo reduzido valor que os sujeitos escolares atribuem a essa forma de atuar. Neste texto apresento uma breve discussão a respeito dos significados que o trabalho coletivo democrático assume para professores, estudantes, direção, famílias e funcionários escolares. A construção da gestão democrática na escola é um processo. Ocorre com avanços e recuos, na medida em que pais, estudantes, professores e funcionários têm a oportunidade de opinar e decidir as ações e as relações educacionais e pedagógicas da instituição. O desenvolvimento desse processo pressupõe sua construção no cotidiano escolar, o que não dispensa a necessidade da reflexão permanente a respeito dos obstáculos e das potencialidades que se apresentam na realidade concreta, haja vista que a democracia só se efetiva por ações e relações em que há coerência entre o discurso e a prática. Admitir a democratização das relações internas da escola como mediadora para a democratização educacional significa considerá-la sine qua non, porém não a única. Há que se considerar os determinantes econômicos, sociais, políticos e culturais mais amplos que agem em favor da tendência autoritária enfrentados como manifestação, num espaço restrito. Para que haja a conquista da participação efetiva dos sujeitos sociais na gestão da escola é preciso que haja condições que propiciem essa participação. A participação de professores, alunos, pais e funcionários na organização da escola, na escolha dos conteúdos a serem ensinados, nas formas de administração será tão mais efetivamente democrática, na medida em que esses sujeitos sociais dominem o significado sócio-político de suas especificidades numa perspectiva de totalidade. Assim, é possível afirmar que:
a) para a comunidade, participar da gestão de uma escola significa inteirar-se e opinar sobre assuntos para os quais muitas vezes se encontra despreparada; significa todo um aprendizado político e organizacional (participar de reuniões, emitir opiniões, anotar, acompanhar, cumprir decisões); significa mudar sua visão de direção da escola, passando a não esperar decisões prontas para serem seguidas; significa, enfim, pensar a escola não como um organismo governamental, portanto externo, alheio, e sim como um órgão público que deve ser não apenas fiscalizado e controlado, mas dirigido pelos seus usuários;
b) a direção vê-se colocada diante de tarefas eminentemente políticas, pois assume o papel de dirigente técnico e político. A abertura não acontece para um todo homogêneo e sim para uma população dividida, socialmente estratificada e ideologicamente diferenciada; significa lidar com inúmeras expectativas e projetos políticos diversos;
c) para os alunos, a principal mudança refere-se à sua relação com os professores e com a direção: assumir sua parte de responsabilidade na direção da escola e do processo pedagógico, deixando de esperar soluções acabadas e apenas a punição como saída; compreender que transitar na difícil fronteira entre liberdade e segurança exige um compromisso com o projeto educacional, com princípios e também com uma visão mais global e menos fragmentada da escola;
d) os professores, descobrindo, (re)descobrindo, inventando, formulando e aceitando novas premissas, preparam-se para, dialeticamente, analisar, comparar, estabelecer valores através dos quais avaliam as diferentes metodologias, mantêm-se atentos para apreciá-los em relação às posturas teóricas e em relação à sua prática e contexto, especialmente em situações nas quais a comunidade tem lugar específico para a construção do currículo.
O significado social da prática de cada um é capaz de desenvolver a autonomia e a criatividade na reorganização da escola para melhor propiciar a sua finalidade: a formação humana de homens e mulheres nas suas dimensões pessoal e profissional na perspectiva de contribuir para a democratização da sociedade pela democratização do saber.

Na medida em que consegue a participação de todos os seus setores – educadores, alunos, pais e funcionários – nas decisões a respeito de seus objetivos e de seu funcionamento, a escola cria melhores condições para enfrentar os escalões superiores, no sentido de apropriar-se de autonomia e de recursos. Será muito mais difícil dizer não de modo autoritário quando a manifestação é de um grupo que representa todos os segmentos e que esteja fundamentado pela conscientização que sua própria organização proporciona, reconhecendo a participação coletiva na gestão escolar como uma das vias mais legítimas para a melhoria da qualidade do ensino, da consciência crítica da realidade social para a construção de uma escola verdadeiramente pública.